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Memória Viva

Apolônio Sales e a Usina Piloto

Publicada em 04/11/21 às 12:47h - 713visualizações

por Luiz Fernando Motta Nascimento


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 (Foto: Arq. do jornal Folha Sertaneja)

Há uma pessoa por quem tenho grande respeito e admiração e a quem sempre busco para ter informações precisas quando o assunto é Chesf, produção de energia hidrelétrica ou a vida escolar de Paulo Afonso nos seus primeiros tempos, dentre outros.

É o engenheiro Luiz Fernando Motta Nascimento, Lula do Mestre Alfredo, que publicou o livro Paulo Afonso – Luz e Força Movendo o Nordeste e tem participado de muitos documentários produzidos pela Memória da Eletricidade.

No último livro que fiz, Os Caminhos da Educação – de Forquilha a Paulo Afonso, lançado agora no final de outubro, valho-me abusadamente do grande conhecimento de Luiz Fernando que foi aluno ainda da escola improvisada em 1946, quando seu pai chegou a Forquilha para ajudar na construção da Usina Piloto e depois, foi aluno das Escolas Reunidas da Chesf e do Ginásio Paulo Afonso, onde foi concluinte em 1958.

Engenheiro Luiz Fernando Motta Nascimento

Esse pioneiro, formado em Engenharia em Salvador e no Recife, foi, anos depois, diretor de duas diretorias da Chesf: Construção e Suprimento.

Quando estava eu presidente da ALPA – cargo que deixei em 7 de outubro de 2021, após dois mandatos consecutivos – não tive nenhuma dúvida em indicar o nome de Luiz Fernando Motta Nascimento como Membro Correspondente da ALPA, onde ocupa a Cadeira Nº 37.

Aos 82 anos, Luiz Fernando continua ativo, produzindo textos do mais elevado nível sobre esses temas.

Na Revista da Academia de Letras de Paulo Afonso Nº 03, deste ano de 2021, ele presenteia os leitores com um artigo chamado Nordeste e Hidroeletricidade que é uma aula magna para estudantes de engenharia nos mais elevados graus de formação.

No livro Os Caminhos da Educação fiz uma homenagem, tardia, ao Engenheiro Apolônio Jorge de Farias Sales, para mim um dos maiores nomes da história do Nordeste, autor dos projetos de criação da Usina de Itaparica, Usina Piloto, Chesf e da Fazenda Escola, todos esses grandiosos projetos em Paulo Afonso e região. Na região, ele dá nome à Usina Apolônio Sales, na divisa Bahia/Alagoas e à principal Avenida da cidade Paulo Afonso. Merecia muito mais.

Usina Apolônio Sales, na divisa Bahia/Alagoas

Avenida Apolônio Sales, em Paulo Afonso-BA

Agora, o Lula do Mestre Alfredo, nos oferece essa pérola que mostra um pouco mais da vida deste grande nordestino.

Compartilho, nesse site, com alegria, o seu pensamento, com todos os internautas e com os estudantes de Engenharia e aplaudo, demoradamente.

Antônio Galdino da Silva

Editor do jornal Folha Sertaneja e do

site www.folhasertaneja.com.br

Apolônio Sales e a Usina Piloto

Por Luiz Fernando Motta Nascimento

Apolônio Jorge de Faria Sales nasceu no dia 24 de agosto de 1904, em Altinho (PE), filho de José Francisco de Faria Sales e de Maria Augusta Jorge Sales. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 12 de outubro de 1982.

Diplomou-se como Engenheiro Agrônomo pela Escola Superior de Agricultura de São Bento (PE) em 1923, e em novembro de 1924, passou a ocupar o cargo de auxiliar do Serviço Estadual de Algodão.

Em fevereiro de 1924 foi nomeado professor de Economia Rural do mesmo estabelecimento e, em julho de 1925, Professor de Agricultura Especial.

Foi nomeado Chefe do Serviço Estadual da Cana, vinculado à Diretoria da Agricultura de Pernambuco em 1934.

Foi secretário da Agricultura de Pernambuco de 1937 a 1942. Com isto teve a oportunidade de conhecer os problemas da agricultura, assim como as dificuldades da falta de energia elétrica para se realizar uma agricultura irrigada em todo o Estado de Pernambuco.

Engenheiro Agrônomo Apolônio Jorge de Farias Sales, pernambucano de Altinho. 

Em fevereiro de 1942 foi convidado pelo Presidente Getúlio Dornelles Vargas para ocupar o cargo de Ministro da Agricultura. Em 28 de fevereiro toma posse como Ministro em substituição a Carlos de Sousa Duarte, que ocupava interinamente o ministério desde junho do 1941.

Conhecia a concessão dada ao engenheiro pernambucano José Francisco Brandão Cavalcanti para a construção de uma usina hidrelétrica de 1.000 quilowatts no Rio São Francisco na Cachoeira de Itaparica, em Petrolândia (PE). O objetivo desta usina era fornecer energia elétrica para as bombas de irrigação de uma granja para produção de algodão, frutas, etc.

Em 1932 é que Brandão Cavalcanti, através da sua Companhia Agrícola e Pastoril do São Francisco S/A, inicia o programa para a construção da hidrelétrica de 1.000 quilowatts. Em fevereiro de 1932 Brandão Cavalcanti fez uma proposta para que Lauro de Andrade Borba apresentasse um projeto de engenharia hidráulica, para o aproveitamento da queda da Cachoeira de Itaparica no Rio São Francisco. O projeto foi elaborado pelo engenheiro Lauro de Andrade Borba e a construção deveria ser realizada pela firma pernambucana Andrade Bezerra.

Os recursos financeiros eram bancados pelo próprio Brandão Cavalcanti e pelos empresários pernambucanos Armando Brito e André Bezerra. Apesar dos esforços destes empresários a Usina de Itaparica não pode ser concluída.

Assim, com sua grande visão de político e de engenheiro agrônomo e com o objetivo de concluir e ampliar as obras iniciadas pela Companhia Agrícola e Pastoril, Apolônio Sales consegue que o Presidente Getúlio Vargas assine o Decreto-Lei nº 4.505 em 22 de julho de 1942.

Com este decreto é criado o Núcleo Colonial Agroindustrial do São Francisco, para o qual são transferidos todo acervo e benfeitorias da Agrícola e Pastoril.

No final de dezembro de 1944 é dado o primeiro giro da Turbina acoplada a um Gerador de 1.000 quilowatts fabricado pela ASEA na Suécia, o qual começa a operar durante o ano de 1945.

O Ministro Apolônio Sales planejava a instalação de cem granjas, semelhantes àquela de Petrolândia, na margem pernambucana e mais cem na margem baiana do Rio São Francisco.

Como esta pequena usina não tinha capacidade para atender às duzentas granjas, também fazia parte dos planos do Ministro a construção de uma usina 5.000 quilowatts. Esta usina seria posteriormente ampliada para 15.000 quilowatts e depois para 160.000 quilowatts, podendo assim fornecer energia elétrica à Cidade de Recife, pois a Usina Térmica do Gasômetro da firma americana AMFORP (American Foreign and Power) com capacidade de 23.000 quilowatts na capital pernambucana, já estava com o seu potencial esgotado.

Alves de Souza, por determinação do Ministro Apolônio Sales, autorizou aos engenheiros da Divisão de Águas Corrêa Leal e Leopoldo Schimmelpfeng a elaborarem o Anteprojeto desta usina de 5.000 quilowatts.

Quando da análise deste Anteprojeto, Alves de Souza e Adozindo Magalhães da Divisão de Águas não o aprovam, pois, o valor de 29 milhões de cruzeiros era muito alto para a construção da usina.

Usina Piloto 

Alves de Souza e Adozindo Magalhães sugeriram ao Ministro Apolônio Sales a construção da Usina Piloto (também chamada de Usina Auxiliar) em Paulo Afonso, com a mesma potência de 5.000 quilowatts. Esta custaria 13,5 milhões de cruzeiros, mesmo incluindo uma linha de transmissão de 40 quilômetros interligando a Usina Piloto à granja de Petrolândia. Eles também sugeriram ao Ministro Apolônio a construção da grande Usina de Paulo Afonso ao invés da Usina de Itaparica de 160.00 quilowatts. Esta Usina Piloto também seria depois utilizada durante a construção das grandes Usinas de Paulo Afonso.

Estas sugestões foram aceitas pelo Ministro, o qual envia a Exposição de Motivos GM-598, datada de 23 de maio de 1944, para a aprovação do presidente Getúlio Vargas.

Os engenheiros Correa Leal e Leopoldo Schimmelpfeng, elaboram o Anteprojeto desta usina de 5.000 quilowatts, em Forquilha.

No Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica para onde o Presidente Vargas havia enviado a Exposição de Motivos é apresentado, pelo seu Relator major e engenheiro Carlos Berenhauser, um parecer favorável à construção da usina, o qual é aprovado na sessão de 15 de setembro de 1944.

A Usina seria construída utilizando-se um dos canais da Velha Eugênia, o qual apresentava um volume significativo de escoamento de águas, quando das grandes cheias do Rio São Francisco. A Casa de Máquina deveria ficar na parte inferior do Cânion no Riacho do Gangorra (Riacho do Vai e Vém).

Assim, este Canal Adutor (Canal das Lavadeiras) deveria ter condições de se tornar perene para fornecer água para girar as Turbinas da Usina Piloto. Deveriam ser construídas uma Barragem, um Conduto Forçado, uma Chaminé de Equilíbrio, uma Subestação, uma Casa de Máquinas e uma Sala de Comando da Usina.

Como responsável pela obra ficou o engenheiro da Divisão de Águas Eurico Tavares. O responsável pela perenização do canal ficou o Mestre José Trajano, pela parte elétrica Mestre Alfredo (Alfredo Hermínio Nascimento) e pela administração, o desenhista da Divisão de Águas Edmundo Ferrando de Seixas, que ficou residente no Lugarejo de Pedra e auxiliado por Gonçalves Matheus.

O projeto de Corrêa Leal e Schimmelpfeng previa uma usina com as seguintes características: uma Barragem de concreto ciclópico com 150 metros de comprimento, sendo 50 como Vertedouro; uma Barragem Móvel tendo duas comportas; uma Tomada d’Água; um Conduto feito de concreto armado com 103,60 metros de comprimento e 2,50 metros de diâmetro; uma Chaminé de Equilíbrio com 9,70 metros de altura e 5,50 de diâmetro; um Conduto Forçado feito de chapa de aço com 64 metros de comprimento e 2,10 de diâmetro; um Tubo de Distribuição, em forma de Y, prevendo a instalação de dois Geradores de 2.500 quilowatts, cada; uma Casa de Máquina semi-abrigada; e uma Subestação Elevadora de 2,4 quilovolts para 13,8 quilovolts.       

Para a construção da Usina Piloto, inicialmente foi cons­truído um Acampamento, cuja construção foi iniciada em março de 1945, no Lugarejo de Forquilha, hoje Cidade de Paulo Afonso, por uma Comissão da Divisão de Águas. Assim, foram construídas uma casa de alvenaria (onde mestre Alfredo foi morar com a família em maio de 1946), anexa a esta casa um Galpão (para funcionar como Escritório, Oficinas e um pequeno Almoxarifado), uma Caixa de água e um prédio com dois andares que ficou depois conhecido como Casa de Hóspedes. Este Galpão foi depois transformado pela Chesf na Escola Alves de Souza.

O Acampamento começava onde hoje está o COPA – Clube Operário de Paulo Afonso. Assim, foram construídos dois Galpões para servirem como Almoxarifados. Um destes Galpões foi construído onde hoje está o COPA. Estre estes Galpões havia uma cancela, na atual Rua do Gangorra, que dava acesso ao Acampamento.

Apesar de todo empenho da Comissão da Divisão de Águas a Usina Piloto somente foi concluída após a chegada da Chesf, sendo inaugurada em 29 de outubro de 1949, pelo Diretor desta Divisão o engenheiro Waldemar José de Carvalho. 

Este relato mostra a grandeza de Apolônio Sales em aceitar as sugestões de Alves de Souza e Adozindo Magalhães, assim como concordar e dar todo apoio para as construções da Usina Piloto e a grande Usina Paulo Afonso I.

Apolônio Sales foi presidente da Chesf de 30/04/1962 a 05/06/1974

Apolônio Sales quando Presidente da Chesf tivemos (Luiz Fernando e Leonardo Lins) a oportunidade de preparar alguns dados sobre a Chesf, orientados pelo Mestre Mário Fernando de Melo Santos, para as palestras que ele realizava em Recife.

Mesmo após deixar o cargo de Ministro da Agricultura continuou lutando pela constituição da Chesf. Viu então esta sua luta se tornar realidade em 15 de março de 1948, através da Assembléia de Constituição da Chesf, graças também à determinação e a luta do Presidente Gaspar Dutra, no Ministro de Agricultura Daniel de Carvalho e principalmente do seu Chefe de Gabinete Afrânio de Carvalho, depois Diretor Administrativo da Chesf, a partir de junho de 1953. 

Luiz Fernando Motta Nascimento.

Membro da ALPA – Cadeira 37.    

 




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9 comentários


F. Nery Jr.

05/11/2021 - 09:05:49

Sempre vale a pena relembrar os primórdios da redenção do Nordeste. A Chesf foi seguramente fator dessa redenção. Pena serem poucos os homens públicos como Apolônio Sales. A nossa sorte foi ter aparecido um Getúlio Vargas que, como Juscelino e Antônio Carlos Magalhães, convocava os melhores - como Apolônio. Nisto reside, assim cremos, o sucesso de uma administração. De passagem, Getúlio, estancieiro do Rio Grande, classe média tradicional, saiu do governo mais pobre que entrou. Bem diferente dos salvadores da pátria de hoje!


João Bernardo

05/11/2021 - 07:48:52

Parabéns ao doutor Luís Motta,fico feliz pela sua naturalidade,cidade de Altinho,onde meu pai morou em meados de 1960,na época do prefeito Júlio Rodrigues.Me emociono quando leio artigos que faz referência a está empresa que aprendi a amar,onde, cheguei a me aposentar e me desligar em 2017.Abraços de estima e consideração doutor Luís Motta, obrigado por o senhor te participado da criação desta monumental empresa do setor elétrico nossa amada Chesf.


Luiz Fernando Motta Nascimento

05/11/2021 - 06:31:33

Mestre Antônio Galdino. Obrigado pelas suas palavras elogiosas e de incentivo, assim como pelo seu texto introdutório. Continue sendo este BALUARTE de sempre, escrevendo e publicando as belas e importantes histórias da nossa querida Paulo Afonso.


Iedo Moroni

04/11/2021 - 22:14:06

Bravo Lula Fernando! Excelente artigo histórico da nossa sempre querida CHESF.


José Ezequiel BB de Carvalho

04/11/2021 - 20:49:05

Parabéns ao Dr. Luiz Fernando, pelo grande trabalho desenvolvido na Chesf por mais de 30 anos, com dignidade e seriedade, ehoje, merecidamente ocupando a cadeira 37 da ALPA.


Gilvan Cândido Tutu

04/11/2021 - 17:06:00

Parabéns Engenheiro Fernando Motta, pela sua valiosíssima colaboração na CHESF e na NOSSA PA,conheci o seu, o Mestre Alfredo, que quando chegava no COPA,juntamente com a sua esposa,dizia em alto e bom som: Boa Noite!


Waldenor Vilar Reis

04/11/2021 - 15:21:04

Parabéns pella MATÉRIA:Dr. Luiz Fernando Motta Folha Sertaneja


Waldenor Vilar Reis

04/11/2021 - 14:39:25

Excelente exposição técnica e histórica.Grande oportunidade para o conhecimento de grande feito por gerações passadas para o engrandecimento do Nordeste.f


ISAC DE OLIVEIRA

04/11/2021 - 13:20:10

Orgulhoso demais, sempre, desse meu conterrâneo, grande altinense.


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