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Regional

As Belezas de Rodelas: “Os doces encantados de Dora”

Publicada em 14/05/21 às 02:00h - 1417visualizações

por Valdomiro Nascimento


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 (Foto: Enviadas pelo autor)

Em Rodelas, no Norte da Bahia, morava Dora (Maria Teodora da Conceição), a famosa e querida Doceira. Viveu entre 1906 e 1997 e deixou um legado cultural que jamais será esquecido.

Fazia vários tipos de doces caseiros, como: doce de leite, de mandioca, de raiz de umbu (e também da cafofa do umbu), de banana, de goiaba, de caju, da casca de melancia e outros, principalmente o famoso Doce Alcomonia.

Família de Dora - Da esquerda para a direita: a sobrinha Ni com Maria Rita nos braços, a Doceira Dora,  o cunhado Liozé, as sobrinhas Filomena, Josefa e Roseane com Charlene

Sua casa era frequentada por todos, principalmente pelos estudantes que se encontravam por lá, marcando uma geração de rodelenses. Até hoje, pelas ruas da cidade muitas histórias são contadas, sempre com muito carinho e muita saudade.

A seguir, o relato dos amigos Rosalvo do Oiteiro, da Professora Veronice Almeida, da Professora Socorro Neves e de Ni, uma das atuais Doceiras de Rodelas e sobrinha de Dora.

“Sempre que falamos em Dora, revivemos uma época de muita alegria. Não é só falar dos doces e sim da história cultural de Rodelas. Como lembrança, ela me deu um “banquinho” que guardo até hoje com muita felicidade”, diz Rosalvo do Oiteiro, um grande historiador.

O banquinho do Sr. Rosalvo do Oiteiro

A Professora Veronice Almeida (Veró), descreve Dora desta forma: “Quantos encontros e desencontros dos jovens rodelenses foram feitos naquela casa tão aconchegante. Cabular aulas do antigo Colégio Luiz Viana para irmos comer doces na casa de Dora, era uma aventura. Principalmente pagos por nossos colegas que fazíamos trabalhos escolares, com Zé Acácio de Tia Dudu. Sem contar as belas tardes do domingo. Dora às vezes reclamava, só para disfarçar a alegria, de ver tantos jovens reunidos. Quantos dias felizes. Tínhamos lazer garantido”.

Professora Veronice Almeida


A doceira Ni

E a sobrinha Eunice Filomena dos Santos Souza (a doceira Ni), sobrinha de Dora, conta lindas histórias e inclusive dá a Receita do famoso Doce Alcomonia:

Ingredientes:

01 Rapadura

½ quilo da farinha de mandioca

Alguns caroços de pimenta do reino

01 xícara de chá de gergelim

Modo fazer:

Faça o mel da rapadura, coloque a pimenta do reino pisada e o gergelim (torrado e triturado). Vá colocando aos pousos a farinha de mandioca até endurecer e faça pequenos tijolos (como se faz cocada).

Está pronto o Doce Alcomonia! Bom apetite!

Conheça mais um pouco sobre a história da Doceira Dora, com o belo texto chamado “Algumas palavras sobre a Doceira Dora” escrito pela Professora Maria do Socorro Neves de Oliveira, que apresentamos logo a seguir.

E Rodelas é assim, um município repleto de coisas boas, de belas histórias. Quem não se recorda dos saborosos e encantados Doces de Dora!

Por Valdomiro Nascimento

Professora Maria do Socorro Neves Oliveira

Algumas palavras sobre a grande doceira Dora

A doceira Dora se destacou na cidade de Rodelas por seus doces maravilhosos. Sua fama corria os quatro cantos da cidade. Todos falavam sobre os saborosos doces de Dora.

No final da década de 1970, no início de minha adolescência, tornamo-nos vizinhas e tive a satisfação de conhecer essa pessoa admirável e profissional fantástica, com grande talento para fazer os mais variados tipos de doces que a todos encantavam.

Algum tempo depois de conhecê-la, passei a frequentar a casa de Dora, não somente para comprar doces, mas porque passei a admirar muito a sua pessoa e a gostar muito de suas conversas.

Apesar da grande diferença de idade que existia entre nós, os diálogos com Dora sempre me interessavam, eu me sentia à vontade em sua casa, falávamos sobre os mais variados assuntos. Sua simplicidade me encantava, e, a cada dia, nossa amizade crescia. Eu realmente a considerava como uma amiga.

A sua casa era sempre muito frequentada. Muitas pessoas, de todas as idades, compravam seus doces. Alguns queriam doce de calda, outros queriam em barra (tijolo, como ela falava). Havia também a comonia, um tipo de doce feito com farinha, que possuía um sabor bem peculiar, apreciado por muitas pessoas.

Lembro-me bem que aos domingos, o movimento na casa de Dora era bem maior, principalmente, pelos jovens. Os adolescentes e jovens da época viam a casa de Dora como um ponto de encontro, em lugar onde, além de se deleitar com os doces encantados, todos conversam muito, riam, brincavam.

A simplicidade e ingenuidade de Dora tornava a sua casa bem aconchegante, atraindo cada vez mais pessoas para comprar os seus doces, e aqueles que iam sempre ficavam por lá batendo papo, sem ver a hora passar.

Algumas vezes, Dora, de forma bem espontânea, engraçada e ingênua, reclamava do barulho, mandava que todos saíssem, mas todo mundo ria, corria pela casa, ia embora, no outro dia, já estavam todos lá. Não há como esquecer desses momentos de tanta alegria, descontração que vivenciávamos na casa de Dora. Esses momentos simples e felizes, com certeza, marcaram a minha adolescência e a de outros jovens da época.

Sem dúvida, Dora contribuiu de forma significativa para a cultura da culinária da nossa cidade e, até hoje, falamos nos encantados doces de Dora. Seu dom e sua habilidade em fazer doces jamais serão esquecidos, assim como a sua simplicidade e sua espontaneidade.  


Maria do Socorro Neves Oliveira



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24 comentários


Maria de Fátima

20/05/2021 - 15:22:54

Quantas Doras estão na memória de tantas regiões!!! Uma homenagem digna de aplausos. Parabéns!


Ana Tereza Barroso

17/05/2021 - 11:06:12

Que linda história!! Deu vontade de comer esses doces tão comentado!!


Janilda

15/05/2021 - 17:50:02

Achei uma história fantástica! Imagine alguém em sua simplicidade, pensar que hoje suas lembranças ainda estavam guardados com muito carinho no coração de alguém e que por traz dessa humildade existiu uma grande mulher. O legado que deixou através das guloseimas que fazia; sua sobrinha deu continuidade a linda história. Parabéns Rodelenses.


Raiza Nery

15/05/2021 - 17:23:44

Mainha (Ni) seguindo tradições familiares e fazendo os melhores doces de Rodelas e Região. Linda homenagem a Dora, que marcou a vida de muitos Rodelenses. Parabéns, Valdomiro pelo excelente trabalho.


Lourenco Júnior

15/05/2021 - 12:45:05

Parabéns Valdomiro excelente trabalho


Assis Maniçoba

15/05/2021 - 07:51:31

Parabéns, Valdomiro, pela excelente matéria!Muita informação legal a respeito do legado cultural deixado por Dora. Nós , que fizemos parte dessa história, ficamos felizes em vê esse legado ser reconhecido e divulgado nas redes sociais.Arretado!👏🏻👏🏻👏🏻


Valnice

14/05/2021 - 13:33:27

Encantada com o retrato da vida de Dona Dora, doceira de Rodelas, que deixou um belo legado para sua sobrinha Nil, que, com o seu potencial, vai dar continuidade ao trabalho na culinária. Parabéns para meu amigo Valdomiro Nascimento pela condução do registro de forma leve e marcante e pelo primoroso toque de edição da Folha Sertaneja do Sr. Antônio Galdino.


Adalberto Machado Oliva

14/05/2021 - 13:31:29

Quantas Dora existiram e hoje no anonimato.Tudo era simples e as relações sinceras.Tempo da inocência e amizades sinceras.


Gloria Alves

14/05/2021 - 12:14:34

Parabéns pelo brilhantismo com que você exalta a cidade onde mora e que já considera parte sua.


Socorro Neves

14/05/2021 - 11:54:33

Linda homenagem a uma pessoa tão especial e querida por nós rodelenses. Parabéns, meu amigo Valdomiro, por seu empenho em resgatar memórias do nosso povo, tornando viva a nossa cultura, nossas tradições a nossa história.


Eanete Santana

14/05/2021 - 11:11:02

Parabéns pela bonita história de vida, legado para muitos que gostam de adoçar a mesa de muitos e pelo respeito, acolhimento e amor aos jovens de sua época!Que a glória eterna lhe pertença DORA!🙏


Hataulgo Canário

14/05/2021 - 10:10:43

Que maravilha de reportagem, parabéns ao amigo Valdomiro Nascimento.


Darti

14/05/2021 - 08:38:44

Que Maravilha! Memória afetiva maravilhosa.


Claudiane Silva de Souza Macêdo

14/05/2021 - 08:33:26

As memórias afetivas são base para a nossa sobrevivência.


Laura Dourado

14/05/2021 - 08:25:42

Parabéns para Rodelas por resgatar história assim, tão importantes para manter viva uma tradição local!! Viva a cultura!!


Ivonete Silva de Oliveira

14/05/2021 - 08:15:15

Muito bom da continuidade ao legado q a Senhora Dora deixou para a comunidade de Rodelas e avivada por o nosso grande Valdomiro Nascimento


Maria Aparecida

14/05/2021 - 08:04:06

Muito bonita a história de Dora, parabéns Rodelas por ter tido uma pessoa como Dora.


Vanda Pereira de Carvalho

14/05/2021 - 07:55:41

Tradições familiares são importantes para lembrar que cada família é única. Parabéns! olharsertaneja.com.br


Claudia Norete Novais Luz Luz

14/05/2021 - 07:05:16

Uma belíssima história de vida!


Wilma

14/05/2021 - 06:31:24

Dora, era nossa vizinha e tínhamos muito apego a ela, era recíproco. Ela costumava fazer dengos a Socorro (minha irmã, comentarista desse texto) gritava seu nome ou ode mãe, do alto do muro, para dar polpa de melancia ou pedaços pequenos de coco que sobravam após ralar para fazer o doce.


Valdelice Rodrigues da Silva

14/05/2021 - 05:50:33

Não aconhecia Dona Dora mais deixou realmente uma linda história para todos aqueles Rodelences,que vivenciaram e tiveram a oportunidade de saborearem dos seus delicioso Doces. Parabéns Valdomiro Nascimento 👏👏👏👏


Marilúcia

14/05/2021 - 05:46:46

Que linda homenagem. Tive o prazer de ser vizinha de Dora. Apesar de ser criança, lembro-me claramente da movimentação de pessoas de todas as idades, principalmente jovens. As vezes ela ergia a cabeça pelo muro e começava a me gritar:- Malucia ( era assim que me chava)Eu corria fortemente, pois sabia que ia comer um de seus doces maravilhosos.


Simone

14/05/2021 - 05:29:19

Os sabores ficam registrados na memória. E assim vai passando se geração em geração. Parabéns rodelences pela oportunidade em prosas da seguimento a uma história linda de paladar inesquecível


Veronice Almeida Souza Blnfim

14/05/2021 - 05:21:43

Trabalho de excelência, parabéns.


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