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Jornal Folha Sertaneja Online
Professor Nery

Em Paulo Afonso, a Casa de Maria Bonita

Publicada em 20/01/22 às 12:04h - 640 visualizações

por Francisco Nery Júnior


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Em Paulo Afonso, a Casa de Maria Bonita
 (Foto: Arq. Jornal Folha Sertaneja)

Para início de conversa, a danada era bonita. No meio da caatinga, sol inclemente na face, “chuva e sol, poeira e carvão”; ainda assim, bonita. Uma sombra eu vi pessoalmente no museu da Faculdade de Medicina da Bahia: a cabeça ressecada de Maria Bonita.   


Não precisava nada daquilo. Organizações poderosas se omitiram. Negociações foram negligenciadas. Poderiam ter sido feitas. Como no caso de Canudos, genocídio explícito. Barbárie. Um velho trôpego, uma mulher cadavérica e uma criança foram o resto da matança de Canudos. Já li mais de uma vez sobre sinais de cangaceiros de Lampião com referência à disposição de negociar. Faturaram vergonhosamente em cima de Lampião e seu bando.   


Duas expectativas assim que pisei em Paulo Afonso em 1974: ver o rio São Francisco e bater com descendentes dos cangaceiros nas ruas da cidade. A epopeia do cangaço, ingênuo talvez, justificado provavelmente pela opressão das desigualdades sociais e econômicas da Velha República, desperta atenção; quiçá paixão (o bando de Lampião foi aniquilado em 1938).    


E em Paulo Afonso, no povoado da Malhada da Caiçara, a casa onde viveu Maria Bonita nos idos de 1911 antes da sua beleza partir o coração do mais famoso cangaceiro do Brasil. O tombamento da casa, que já é um museu, acaba de ser aprovado pela Câmara Municipal e sancionado pelo Presidente Pedro Macário. A iniciativa do tombamento foi do vereador Marconi Daniel.    


Ganha o turismo da região e ganha a preservação da memória de um movimento eminentemente sociológico exaustivamente narrado e analisado por vários autores. Algumas pitadas de preocupação, porém, podem ser consideradas. No lugar de expressões como “viva o cangaço”, por exemplo, poderia aparecer “viva a resistência heroica de um povo secularmente espoliado e mantido em estado de atraso e miséria”. Se desejamos vida longa para o cangaço do início do século passado (basicamente ausência do Estado), não estaríamos abonando - ou tolerando - o cangaço dos nossos dias com as invasões de bancos e as explosões de caixas eletrônicos?   


Sobre a bonita Maria Bonita ser “uma figura ilustre”, não seria melhor nos limitarmos a “uma figura famosa”? Para os nossos avós, precaução e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.    


Em relação ao imóvel agora tombado – as características deverão ser preservadas por força do tombamento -, se nos apresenta importante a adoção de medidas de segurança em relação à estabilidade do imóvel, frágil na aparência. O pessoal técnico da Prefeitura sabe como proceder.   


Francisco Nery Júnior 





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4 comentários


F. Nery Jr.

20/01/2022 - 15:08:59

Conheci, leitor - aliás, conheço -, uma sobrinha de Maria Bonita. Viva, uma cidadã das boas de Paulo Afonso, moradora da cidade. A ela, a oportunidade de a conhecermos todos. Em tempo, data vênia e com todo o respeito, nela traços da beleza de Maria Bonita.


Marcos Antônio Lima

20/01/2022 - 14:58:16

Excelente matéria. Bravo!


Professor Galdino

20/01/2022 - 12:38:14

E, no final de março de 2022, estará sendo realizado em Paulo Afonso uma edição do CARIRI CANGAÇO movimento que foi organizado por Manoel Severo, no Crato, a partir de sua visita e participação em Paulo Afonso do 1º Seminário do Centenário de Maria Bonita, organizado pelo Departamento Municipal de Turismo na gestão do Professor Antônio Galdino e sob a coordenação do escritor João de Souza Lima que, agora, presidente do IGH/PA e Conselheiro do Cariri Cangaço está organizando esse importante encontro em Paulo Afonso, esperando há muitos anos.


Professor Galdino

20/01/2022 - 12:31:55

Em mais uma crônica sobre gente da região, o Professor Nery, membro da ALPA, nos brinda com esta sobre Maria Gomes de Oliveira, a cangaceira Maria Bonita, cabocla bonita do povoado Malhada da Caiçara, hoje pertencente ao município de Paulo Afonso, que decidiu acompanhar o seu herói, da época, o temido e respeitado Capitão Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião e morreu ao seu lado, na Grota do Angico, em 28 de julho de 1938.E a crônica é escrita no mês de Janeiro, mês do nascimento desta que foi considerada a Rainha do Cangaço, conforme intensa pesquisa do escritor Voldi Ribeiro, de saudosa memória, com o apoio do Padre Celso Anunciação, o que mudou esta história. Todos os escritores, inclusive renomados como Antônio Amaury, Luiz Rubens e o próprio João de Sousa Lima, que escreveu uma biografia de Maria Bonita, tinham como o seu aniversário o dia 08 de março de 2011. Hoje, sabe-se que ela nasceu em 17 de janeiro de 2010 (Conf. Voldi Ribeiro in Lampião e o Nascimento de Maria Bonita – Ed. Oxente – Paulo Afonso/BA – 2019).A Casa de Maria Bonita, hoje Museu, foi restaurada na gestão do Prefeito Raimundo Caires Rocha, sob a coordenação de Luiz Rubens, quando era Secretário de Turismo o ex-vereador e ex-prefeito José Ivaldo de Brito Ferreira.


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