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Professor Nery

Trazer o turista para Paulo Afonso – de trem

Publicada em 12/11/21 às 12:44h - 698visualizações

por Francisco Nery Júnior


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Maria Fumaça em Piranhas, como projeto na gestão da Prefeita Melina  (Foto: Antônio Galdino)

Já escrevemos: um trem Piranhas-Paulo Afonso é factível. Já existiu. Ia mais além. Ia até Jatobá. A opção pelo sistema rodoviário, em um país continental, matou a ferrovia Piranhas-Jatobá. Uma ex-prefeita tentou construir dez quilômetros de uma ferrovia saindo de Piranhas. Planejava construir dez quilômetros. Os trilhos, até pouco tempo, podiam ser vistos estocados a enferrujar em um canto da cidade. De Piranhas até o litoral, por onde andam em enxames os turistas endinheirados do Brasil, um vapor também já existiu. 


A conclusão lógica, que salta aos olhos, é que o articulista não está a delirar. Os turistas que chegam aos montes na região de Piranhas e Canindé, certamente subiriam até Paulo Afonso, como costumavam subir antes da Usina de Xingó e antes do enchimento do cânion, caso algo excepcional lhes fosse oferecido. 


Em Piranhas/AL, na gestão da Prefeita Melina, foi apresentada esta Maria Fumaça como um projeto de reativação de trecho da antiga Estrada de Ferro Paulo Afonso, para fins turísticos. Este grande evento em Piranhas aconteceu no dia 28 de janeiro de 2012.


O que vemos nos Estados Unidos e na Europa são turistas a curtir brincadeiras de crianças na Disneyworld, a andar de bondinho em Lisboa, subir e descer em ascensor do século passado ou a zanzar nas ruínas do Coliseu de Roma. É o que eles querem. É o que pagam para ver e curtir. Pagariam e subiriam de trem até Paulo Afonso. 


O país falindo e afundando, estados e municípios endividados, a concessão poderia ser feita à iniciativa privada. Se uma prefeita corajosa e visionária de Piranhas ousou implantar dez quilômetros de ferrovia, cremos com recursos próprios, por que a Prefeitura de Paulo Afonso não pode iniciar o processo de gestação para a implantação de vinte quilômetros? 


Cerca de trinta quilômetros de ferrovia de um projeto que se apresenta viável não é coisa do outro mundo. Ademais, a nossa cidade é parte do Estado da Bahia que, como um todo, receberá os dividendos de um tal projeto turístico. Assim sendo, poderá ser a fonte de boa parte dos fundos necessários para a obra. E vale lembrar que o Batalhão de Engenharia do Exército Brasileiro poderia ser convidado para a construção dessa ferrovia. Se bem nos lembramos, a propósito de determinado projeto para nossa região, um ex-comandante da Companhia de Infantaria nos afirmou que o Exército não tomou a si a responsabilidade da execução “porque não pedem”. 


Reparando em volta da região de Piranhas e Canindé, dezenas de restaurantes e pousadas que certamente geram empregos e impostos municipais e estaduais. O que se pode observar é que boa parte do fluxo é de turistas de outros estados e mesmo do exterior. 

Não seria excesso de otimismo ou entusiasmo garantir que os turistas assim descritos não deixariam passar a oportunidade de vir de trem de Piranhas até Paulo Afonso. A aventura seria algo diferente, rápida, saudosista, paradisíaca e relaxante. Não é necessário ser da área de turismo para chegar a esta conclusão. Basta observar. O complexo energético com o bondinho sobre o cânion, o Raso da Catarina e a saga do Cangaço reforçariam o encanto da viagem. 


Os nossos gestores, via de regra, parecem ficar anestesiados quando chegam ao poder. A preocupação – a ocupação – de compor, fazer maioria, perpetuar-se no poder, toma-lhes o tempo precioso que poderiam empregar para gestar e parir projetos em benefício do povo ou da comunidade. 


A título de ilustração, Juscelino Kubitschek construiu Brasília e levou o desenvolvimento ao centro-oeste do Brasil porque ousou sonhar. Sofreu gozações e impropérios. A Belém-Brasília seria a estrada para onça passear segundo os detratores (duplicada, já não escoa satisfatoriamente o tráfego da região). O lago Paranoá nunca encheria para os céticos nulos ativos. O lago mais que pela metade, Juscelino telegrafou para um deles: “Encheu, viu?!” 

E no sul da Brasil, uma estrada de ferro de dez quilômetros entre duas cidadezinhas encanta os turistas. O empreendedor privado, dono da concessão, mais feliz ainda. 


Francisco Nery Júnior 

 

P.S. No Google, dezenas de passeios de trem entre cidades do sul do Brasil. 




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3 comentários


Waldenor Vilar Reis

12/11/2021 - 21:36:06

Este arttigo, me emociona, pois já andei de trem , quando criança, de Delmiro até Olho d’Agia. Ida e voltaSegundo me consta, a ideia de D. Pedro II, era fazer uma ligação hidroviária de Pirapora em MG, até Petrolandia na Bahia, daí até Piranhas, passando por Delmiro Gouveia, até Piranhas, sendo este trecho do rio São Francisco não navegavel, e daí até a foz através de hidrovia. Restabelecer este trecho de ferrovia, seria um encanto. Talvez a viabilidade mais concreta seria através de um sistema PP - PUBLICO PROVADO. Salve Melhor Juizo.


Professor Galdino

12/11/2021 - 14:25:56

Meu caro Professor Nery.Digna de aplausos a tua proposta. Lembro que na gestão da Prefeita Melina, em Piranhas, foi apresentada uma Maria Fumaça restaurada (esta que ilustra o teu texto acima) como embrião de um projeto desse tipo, que levaria turistas, a partir de Piranhas por um trajeto, que não época se falou em 12 quilômetros com a visão espetacular do rio São Francisco. Infelizmente parece que aquela ideia ficou apenas na grande reunião realizada ali, que contou com a participação de muitos políticos alagoanos, deputados federais, senadores.Dentre alguns projetos de utilização de trens para o turismo há vários no Brasil, como o de São João Del Rei a Tiradentes, em Minas Gerais e outro nas Serras Gaúchas, que tive a oportunidade de fazer e que é muito bom.Parece que esse projeto de Piranhas ou algo semelhante está sendo retomado por empresários. O que será excelente!O turismo regional agradece e certamente será este mais um grande atrativo regional. Parabéns pelo texto e pela visão de futuro com elementos do passado histórico. Professor Galdino.


F. Nery Jr.

12/11/2021 - 13:59:20

Nunca é demais enfatizar a necessidade do envolvimento dos órgãos representativos da nossa cidade em uma causa que só trará benefícios para os empreendimentos locais com o aumento do meio circulante; se ainda não caiu da moda que turismo é uma indústria sem chaminé.


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