Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
COLUNISTAS: Professor Nery

Um governador destituído, um padre investigado e um pastor na cadeia

Como evitar a prisão

Publicada em 01/09/20 às 23:07h - 179 visualizações

por Francisco Nery Júnior


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 (Foto: da net)


Os três são de ponta, não são nenhum dê-cá-minha-cuia e todos os três clamam perseguição. São acusados de corrupção pelos bravos e vigilantes procuradores da República. O pastor, dono de partido político, está na cadeia. 


Nós nos referimos ao governador do estado do Rio de Janeiro, a um padre comunicador que sempre aparecia na televisão e a um pastor ex-candidato à presidência da República. Eles juram, de pés juntos, que são inocentes. Podem ser. Afinal de contas, o princípio romano do in dubio pro reo (na dúvida, a favor do réu) está mantido no direito brasileiro. Ninguém é declarado culpado até que provas concretas, robustas e substanciais sejam apresentadas e admitidas por quem de direito. 


Estão, entretanto, em palpos de aranha, enrolados e sob as presas poderosas da Justiça, segundo o maço de evidências apresentado pelos acusadores.  Em muitos países, eles logo se demitem. Em outros, alguns se suicidam. Aqui, sempre a choradeira do “eu não fiz nada” repetida a vozes súplices. Em não fazendo nada, eles atolam o Brasil. 


As teias de aranha, arapucas supostamente inerentes ao nosso sistema político, são a razão alegada por muitos cidadãos de bem para não entrarem na política. Eles se recolhem à sua insignificância enquanto os malandros fazem a festa. Não importa se o campo é de direita ou de esquerda: a turma animada faz a festa. No caso dos nossos três, a carroça parece ter quebrado na estrada. 


E se algum deles realmente, de alma limpa, for inocente? Teria escorregado em alguma casca de banana? Teria caído em alguma cilada? Foi traído e enganado? Em que teria falhado? Como poderia ter evitado o afogamento no mar de lama? 


Lembro um político ter declarado que ao primeiro sinal de tentativa de cooptação [para o mal], ele virava o rosto. Tapava os ouvidos e mudava de assunto. Um outro afirmou não assinar nenhum papel em branco. 


Comigo aconteceu a tentativa da assinatura de um papel em branco. Professor do Estado da Bahia, servidor público, fui ao banco Bradesco, onde recebia os proventos na época, para solicitar um empréstimo que o estado estava facilitando. O gerente, baixo e gordo, de bigodes impositivos, cujo nome não me interessa lembrar, sacou um formulário em branco e mandou que eu assinasse. Não assinei e também não consegui o maldito empréstimo. 


Anos depois, um colega de profissão, da safra dos bons tempos, descobriu uma ficha, ou coisa que o valha, lá naquele banco, onde constava a inscrição “cliente indesejado”. Os anos já tinham passado e o bendito gerente já estava aposentado. Hoje as coisas seriam bem diferentes. Os estudantes de direito sabem o que eu quero dizer. 


Não consegui o empréstimo e não morri de fome. Tinha outro emprego paralelo e consegui sobreviver. E Deus sabe o que teria sido feito com aquele papel em branco, assinado por mim, e onde eu poderia estar hoje atrás das grades com um bufão tocando viola a me tachar de otário. 

Francisco Nery Júnior


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1 comentários


Carlos

06/09/2020 - 07:57:00

Fim dos tempos. Cuidado pessoal com os malandros


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