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Memória Viva

Otaviano Leandro de Morais, primeiro prefeito de Paulo Afonso

Publicada em 31/01/21 às 11:23h - 754 visualizações

por Sebastião Leandro de Morais


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Otaviano Leandro de Morais, primeiro prefeito de Paulo Afonso
Prefeito Otaviano Leandro de Morais com os estudantes da Escola Municipal do Povoado Juá. (Foto: Arq. da Folha Sertaneja)  (Foto: Antônio Galdino e Arq. da Folha Sertaneja)


Breve apresentação:

Sequenciando a proposta da Academia de Letras de Paulo Afonso de apresentar, periodicamente, as histórias de personagens de Paulo Afonso ou da região que muito contribuíram para a história e o desenvolvimento deste município, como já se fez com o ex-vereador e presidente da Câmara José Freire da Silva, a Professora Lindinalva Cabral dos Santos e o Bispo Dom Mário Zanetta, já apresentados no espaço chamado PERSONAGENS DE PAULO AFONSO, no site www.letrassertanejas.org e no espaço MEMÓRIA VIVA, no site www.folhasertaneja.com.brconvidamos

a todos para conhecerem um pouco da história do Sr. Otaviano Leandro de Morais, o primeiro prefeito de Paulo Afonso que faleceu há 34 anos, em 27 de fevereiro de 1987, quando trabalhava como Secretário de Desenvolvimento Econômico na gestão do Prefeito José Ivaldo de Brito Ferreira.

Este personagem muito importante no início da construção da história do município de Paulo Afonso está sendo apresentado pelo Membro Honorário da ALPA, Sebastião Leandro de Morais, seu sobrinho e tomou por base o depoimento da Sra. Marlene Leandro, filha do Sr. Otaviano, e dos registros históricos encontrados nos livros Paulo Afonso – De Pouso de Boiadas a Redenção do Nordeste e De Paulo Afonso a Forquilha – histórias e memórias de pioneiros, ambos de autoria de Antônio Galdino da Silva.

Este texto foi publicado na Revista da Academia de Letras de Paulo Afonso, Nº01, do ano de 2019.

Antônio Galdino da Silva

Presidente da Academia de Letras de Paulo Afonso/BA.

Otaviano Leandro de Morais, 

primeiro prefeito de Paulo Afonso

Sebastião Leandro de Morais

Otaviano Leandro de Morais nasceu no dia 22 de julho de 1922, na cidade de Sertânia/PE, onde se estabeleceu comercialmente com uma pequena mercearia. Casou com Dona Sebastiana, com quem teve sete filhos, sendo dois nascidos em Sertânia e os outros cinco em Paulo Afonso/BA, para onde veio com a família no início das obras da Chesf, no ano de 1948.

Em Paulo Afonso, decidiu continuar com o mesmo ramo de negócios. Com o passar dos anos, comprou uma casa na chamada Rua da Frente, atual Av. Getúlio Vargas, onde finalmente realizou seu sonho de ter seu negócio. Nascia ali o Armazém Sertânia.

Resolveu entrar na política também logo cedo, ainda no início dos anos 50, sendo eleito em 1954 pelo Distrito de Paulo Afonso, como vereador na Câmara Municipal de Glória, onde atuou de 1955 a 1958. Naquela época, Paulo Afonso era apenas um Distrito do Município de Glória.

Quando Paulo Afonso foi emancipado e se tornou município baiano, o que aconteceu em 28 de Julho de 1958, o vereador Otaviano Leandro de Morais candidatou-se a Prefeito deste novo município, sendo eleito em 7 de outubro de 1958 como o primeiro prefeito de Paulo Afonso, com o apoio da Chesf.

Seu mandato foi de 07 de abril de 1959 a 07 de abril de 1963. Teve uma gestão muito difícil pois não recebeu o apoio prometido pela Chesf que foi a mentora da sua candidatura e só aos poucos o município recém-criado foi administrando os seus parcos recursos.

Nas mãos do primeiro prefeito de Paulo Afonso, Otaviano Leandro de Morais, a responsabilidade de administrar um Município que não tinha nada de seu a não ser uma área de 1.018 krn2 de extensão onde vivia uma grande população que em 1960, oito meses depois de sua posse, segundo o IBGE, era de 25.269 habitantes, a maioria concentrada nas precárias condições da área urbana onde estava a chamada Vila Poty, todos atraídos pela oferta de emprego nas obras da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco.

Assegura a sua filha Marlene Leandro de Morais e Silva que “foram anos muito difíceis, pois tanto ele quanto os primeiros vereadores eleitos trabalhavam sem nenhuma renumeração. Porém, o amor às pessoas e à cidade que crescia o fez continuar. Para isso, entregou o Armazém Sertânia sob os cuidados de sua esposa e de uma moça que trabalhava com eles há muitos anos, sendo considerada da família, Maria Bernadete Vieira, a qual agradecemos muito. Também um filho de criação, Jacy Manoel Morais, que hoje é Major da Aeronáutica aposentado, além de sua filha Marlene Leandro, que apesar de ter somente 10 anos de idade na época, também ajudou na administração”.

Marlene diz ainda: “Como na Prefeitura não tinha capital, muitas vezes Otaviano tirou dinheiro do Armazém para suprir as necessidades das despesas da Prefeitura. Quando o aconselhavam, ele dizia: “depois eu reponho”. Só que nunca recebeu o que emprestou à Prefeitura. Com o passar do tempo, as coisas foram ficando difíceis e o que era esperado aconteceu: faltaram os recursos para o seu comércio continuar funcionando”.

Lembrando daqueles tempos de dificuldade ela diz: “Otaviano não desanimou. Com 7 filhos para sustentar, abriu no mesmo prédio, uma sala de sinuca com quatro mesas. Ali, vendia água de coco. Só não queria jogo apostado. E se preocupava muito, porque tinha que pagar ao governo os impostos por ter fechado o Armazém.

Nesta época, os dois filhos mais velhos começaram a trabalhar na Chesf e o ajudaram a quitar a dívida”.

Esta situação também foi afirmada pelo ex-vereador Diogo Andrade Brito, colega de Lizette e Manoel Pereira na 1ª legislatura da Câmara (1959/1963), ao Professor Antônio Galdino e foi utilizada no livro De Forquilha a Paulo Afonso.

“O Prefeito Otaviano Leandro de Morais chegou a utilizar os produtos do seu comércio para cumprir compromissos financeiros”, o que também afirmou a ex-vereadora, professora Lizette Alves dos Santos. “Foi um tempo de muitas dificuldades para o primeiro prefeito. Não achei que a Chesf deu ao prefeito Otaviano o apoio que prometeu. Ele tinha muita vontade, era um dos grandes comerciantes de Paulo Afonso e acabou tudo que tinha com a política”.

A educação das crianças era um dos grandes problemas. Não havia escolas públicas. As escolas eram as da Chesf, cujas vagas eram destinadas aos filhos dos seus funcionários.

Na cidade de Paulo Afonso recém emancipada, só havia a Escola Evangélica Antônio Balbino, criada em abril de 1955, pela filantropia de Gilberto Gomes de Oliveira e do Pastor João Cartonilho, supria um pouco essa carência.

A educação foi uma das prioridades da gestão do prefeito Otaviano, como asseguram contemporâneos, a ex-vereadora Lizette, assim como o ex-prefeito e ex-vereador Manoel Pereira Neto.

Empossado em 7 de abril de 1959, no mesmo ano construiu a Escola Municipal Oliveira Brito que depois passou para a gestão do Estado da Bahia, com o mesmo nome e no ano seguinte, 1960, construiu a Escola Municipal do Povoado Juá que, no governo militar, recebeu o nome de General Argus Lima.

Diz a professora Lizette: “A minha preocupação maior como vereadora era a Educação e apoiei muito o prefeito Otaviano nesta área. A gente ia muito na área rural, principalmente no Povoado Juá. Otaviano era um prefeito muito bom, ele era uma pessoa calma. Investiu na educação na zona rural onde criou a Escola do Povoado Juá, hoje General Argus Lima. Eu sempre ia com o prefeito Otaviano, que era também meu compadre e também compadre de meu pai, Severino Dentista e de Lócio, meu irmão.

A gente levava o material escolar e sempre ia ajudar aquele pessoal, orientar, ajudar os alunos”.

Manoel Pereira Neto afirmou que “o meu primeiro Projeto de Lei, de Nº05, de 13 de Maio de 1959, foi criando o Magistério Primário no município de Paulo Afonso. O quadro de professoras era de 21 sendo 4 para a sede do município e 17 para a zona rural. O projeto foi aprovado e foi criado o Magistério Primário em Paulo Afonso, no governo do prefeito Otaviano”, disse em entrevista para o livro ‘De Pouso de Boiadas a Redenção do Nordeste’, publicado em 1995.

 Vereador Otaviano Leandro de Morais ao centro, ladeado pelos vereadores Manoel Pereira Neto (esq) e João Francisco de Brito, na Câmara Municipal de Paulo Afonso/BA.

Concluído o seu mandato, Otaviano Leandro de Morais continuou atuando na política. Foi eleito vereador da Câmara Municipal de Paulo Afonso na 4ª legislatura, de 1º de janeiro de 1971 a 31 de dezembro de 1972 e na 6ª legislatura, de 1º de fevereiro de 1977 a 31 de dezembro de 1982.

Antes disso, como relata sua filha Marlene, ele e a família viveram momentos de grande tensão quando Otaviano Leandro e seu filho mais velho e outros políticos e até militares da cidade foram presos pelo Exército.

“Por conta de uma denúncia anônima, um dia, os soldados do exército bateram em sua porta às 5 horas da manhã e levaram o Sr. Otaviano e Edson, seu filho homem mais velho. Os outros familiares ficaram sem poder sair de casa e sem entender o que estava acontecendo. Os soldados entraram no Armazém Sertânia, vasculharam tudo e deixaram a maior bagunça. 

Depois de horas, a família ficou sabendo que estavam procurando armas, só que não encontraram nada. Porém, continuaram impedidos de sair de casa e de se comunicar com outras pessoas. Ao meio dia, os soldados foram embora. Logo soubemos que outras pessoas da cidade, Adauto Pereira, o Sr. Dionísio Pereira, os irmãos e o Sargento Abdias tinham sido levados da mesma maneira. Os filhos de todos foram soltos no mesmo dia, mas o Sr. Otaviano, Sr. Dionísio e o Sargento Abdias passaram ainda uma semana presos. Foi muito triste. Uma falta de respeito, perseguição política”, diz a filha Marlene Leandro.

Com o fim do governo militar, em 1985, foi eleito prefeito de Paulo Afonso o jovem José Ivaldo de Brito Ferreira que teve a gestão de apenas três anos para que se ajustasse o calendário eleitoral. Foi prefeito de 1986 a 1988 e, ao assumir, convidou o Sr. Otaviano Leandro de Morais para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do município que, dentro de suas atividades cabia cuidar das áreas rurais em um período de estiagem muito forte com muito sofrimento do povo, moradores dessa região.

O ex-prefeito Otaviano sofria junto com o povo.

Ele faleceu no exercício desse cargo, antes de completar 65 anos de idade, em 27 de Fevereiro de 1987.

Eu seu sepultamento, em seu discurso o ex-prefeito José Ivaldo disse, consternado que “entristecido, participava do ato de sepultamento de um homem íntegro e honesto, grande colaborador da nossa gestão municipal, deixando a todos nós de luto pela sua partida, ainda tão jovem, o Sr. Otaviano Leandro de Morais, o primeiro prefeito de Paulo Afonso”.

Sua família sempre foi agradecida ao ex-prefeito José Ivaldo pelo apoio que deu ao pioneiro Otaviano.

“Agradeço muito ao ex-prefeito José Ivaldo, que foi o único que deu apoio a ele, dando um cargo em sua gestão, onde ele pôde continuar ajudando as pessoas principalmente da área rural. Nesta época também teve oportunidade de comprar um terreno para construir a sua casa, pois ainda morava de aluguel. Infelizmente não teve nem o prazer de morar na sua própria casa porque veio a falecer antes de vê-la pronta”.

“Para meu pai, Otaviano Leandro de Morais, o mais importante era ajudar o próximo. Quando ele faleceu, a família encontrava pessoas que nos procuravam para dizer: ‘hoje estou aposentado porque seu pai me ajudou’.

“Outra pessoa falou que o pai teve que ir trabalhar fora e estava preocupado por que não tinha nada para deixar para os filhos comer. Então seu Otaviano autorizou que o que ele precisasse a esposa podia pegar no armazém e quando ele voltasse acertavam tudo. Então o pai viajou tranquilo. Foi muito gratificante escutar isso. A

família sofreu junto com ele pois foi uma pessoa que sempre fez muito pelo povo de Paulo Afonso e nunca foi reconhecido”, desabafa a filha do primeiro prefeito de Paulo Afonso e conclui:

“Agradecemos muito a Deus pelo pai honesto, trabalhador, que nos mostrou que devemos ajudar ao próximo, ter coragem de trabalhar, ser honesto. Esse foi o legado que ele nos deixou”.

Fontes:

Livros: Paulo Afonso: De Pouso de Boiadas a Redenção do Nordeste (1995) e De Forquilha a Paulo Afonso – Histórias e Memórias de Pioneiros (2014), de Antônio Galdino da Silva;

Revista: 50 anos da Câmara Municipal de Paulo Afonso (2009);

Depoimento de Marlene Leandro de Morais e Silva a Sebastião Leandro de Morais e de José Ivaldo de Brito Ferreira

 

Sebastião Leandro de Morais – Nasceu em Monteiro/PB, em 03 de Janeiro de 1942. Filho de José Leandro de Morais, conhecido como Zé Paizinho, e Dercília Cordeiro de Morais, é pioneiro de Paulo Afonso aonde chegou, ainda pequeno, acompanhando os pais, comerciantes dos primeiros tempos de Paulo Afonso.

Tem sido citado constantemente por escritores e produtores culturais como apoiador das artes, especialmente da literatura. Frequentemente tem aberto os Supermercados Suprave para o lançamento, exposição e venda de livros, revistas, em apoio a muitos escritores pauloafonsinos, vários deles membros da Academia de Letras de Paulo Afonso – ALPA, onde ele também foi recebido, em Dezembro de 2017, como Membro Honorário, imortal da ALPA, como homenagem e em reconhecimento pelo seu trabalho em benefício da cultura e a cultura literária em Paulo Afonso.

 




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1 comentário


sugestão

31/01/2021 - 19:37:58

Sugiro, talvez no próximo ano em que Otaviano estaria completando cem anos de idade, reunir os sobreviventes das crianças que aparecem nas fotos da matéria. A Sec da Cultura poderia fazer isso.


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