E, Falando em Turismo...
Luciano Júnior
O turismo em Paulo Afonso, que já foi um dos segmentos bem organizados da cidade nos áureos tempos da Chesf, está em declínio acentuado devido à falta de apoio efetivo dos governos municipal e estadual. A cidade, que poderia explorar seu potencial em ecoturismo, história e técnico, vem perdendo espaço para municípios vizinhos como Piranhas e Canindé de São Francisco, que, mesmo com desafios, avançaram na estruturação turística.
Em Paulo Afonso, a ausência de investimentos consistentes em infraestrutura turística, promoção e preservação das atrações tornou-se evidente. Enquanto Piranhas e Canindé souberam captar apoio e incentivo para o turismo, a estagnação em Paulo Afonso expõe a falta de visão estratégica por parte das administrações locais que acham que turismo consiste, apenas, em fazer festa.
O Cânion do São Francisco, um dos atrativos mais espetaculares da região, é subaproveitado. A cidade não tem conseguido criar parcerias que dinamizem o setor, e o turismo sazonal, como o Moto Paulo Afonso (que talvez seja o único sustentável), não é suficiente para garantir fluxo turístico constante. Isso se agrava com a falta de apoio estadual para o desenvolvimento de um turismo sustentável e contínuo pois para o governo da Bahia Paulo Afonso deve ser uma cidade alagoana ou mesmo sergipana.
Os turismólogos vêm alertando para essa situação e apresentando soluções viáveis há mais de 15 anos, como o fortalecimento do ecoturismo e roteiros culturais, mas suas propostas não têm sido aproveitadas pelas esferas governamentais. Sem investimentos públicos e privados, e com a falta de promoção em larga escala, Paulo Afonso continuará sendo ofuscada pelas cidades vizinhas. Sendo apenas uma coadjuvante.
Para reverter essa situação, é necessário que a cidade receba o apoio que precisa, tanto do governo estadual quanto municipal, com políticas públicas claras e parcerias com a iniciativa privada, valorizando os profissionais qualificados e as potencialidades locais que estão sendo desperdiçadas.
Sem isso, o turismo em Paulo Afonso será apenas "só lembranças de um passado cada vez mais distante".
Luciano Júnior é Turismólogo