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PONTO DE CORTE - Válter Sales

“QUE FERIDAS SÃO ESSAS?”

Publicada em 27/03/24 às 21:45h - 383 visualizações

Válter Sales


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“QUE FERIDAS SÃO ESSAS?”
 (Foto: imagem ilustrativa)

O Profeta Zacarias, que viveu no período pós-exílico babilônico, escreveu sua profecia entre 520 e 518 a.C. Dirige-se ao povo, agora liberto, encorajando-o a reconstruir o templo destroçado por Nabucodonosor, no ano 586 a.C.

Ferido o pastor de Deus e, para ativar a memória do povo, dirige-lhe essas comoventes palavras, em forma de interrogação: “Se alguém lhe disser: Que feridas são essas nas tuas mãos?, responderá ele: São as feridas com que fui ferido na casa dos meus amigos” (Zacarias, 13.6). A evocação do testemunho do próprio Cordeiro, torna-o de pleno autorizado. O próprio Jesus diria aos atemorizados discípulos: “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo...” (Lucas, 24.39). Não há questionar um profeta de Deus.

A cristandade celebra nesta semana a via crucis do Filho de Deus (lá estive, há poucos anos, percorrendo todas as suas estações). As placas indicam os momentos cruciais da via dolorosa. Contudo, a área é hoje ocupada pelo comércio, distanciando-se dos fatos históricos e espirituais que nela aconteceram.

É a Páscoa uma “festa cristã da ressurreição de Cristo”, assinalam os dicionários. Festa de calendário. Todavia, os dicionários não esgotam o tema. Ressurreição é a consumação de tudo! Morto e sepultado, lá Ele não ficou porque o túmulo não era o seu lugar, senão o nosso. Veja-se o profeta messiânico Isaías, capítulo 53, e projeções no Novo Testamento com a mesma precisão e detalhes de Zacarias.

Páscoa de lautos banquetes não é a Páscoa das mãos perfuradas, do sangue gotejante, da dor lancinante, da agonia no Calvário. Também não é a Páscoa da tristeza ensaiada, da piedade teatral programada.

A Páscoa bíblica tem um sentido mais amplo e permanente. Ela foi instituída por Deus como sinal de livramento do seu povo (Êxodo, capítulo 12). Em cada família seria sacrificado um cabrito (cordeiro); o seu sangue tingiria as ombreiras e a verga das suas portas (7). Deus mesmo passaria, naquela noite, e feriria todos os primogênitos na terra do Egito. Seria juízo divino sobre homens, animais e seus deuses. Não haveria praga destruidora sobre os filhos de Deus (versos 12, 13). Diz mais o Senhor: “Este dia vos será por memorial...” (verso 14).

A explicação do sentido de tudo isso encontra-se nos versos 26 e 27. O povo de Deus seria poupado; em linguagem atualizada, seria salvo.

Claro está que a cena apontava para o drama do Calvário, cuja figura central era o Filho de Deus. Ele, sim, cumpriu a Páscoa, realizando-a em seu corpo mutilado em redenção dos que creem. É em razão disso que o Apóstolo São Paulo declara que “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado” (1ª Epístola aos Coríntios, 5.7). Cristo é a nossa Páscoa!

Há um significado profundo nesta declaração paulina, que vai muito além de nossas celebrações formais e ocasionais. Na medida em que a experiência com Deus seja episódica, muito de sua essência se perde.

As mãos feridas de Jesus falam-nos muito e alto. Têm sentido hodierno e permanente. Falam de amor, de misericórdia, da excelsa graça de Deus. Falam de solidariedade, de compaixão, de tolerância, de perdão, de acolhimento, porque feridas “na casa dos meus amigos”. Feridas lá porque lá estavam. Em tudo e em toda parte são mãos que nos acenam, sem distinção de qualquer natureza. “Deus não faz acepção de pessoas”, disse um Pedro, agora, apóstolo; mas até então seletivo e preconceituoso. O banquete da Páscoa do Senhor é para todos!

Não devemos esquecer que Páscoa significa, acima de tudo, que Jesus Cristo se deu por nós, na cruz, por amor. O Calvário é o supremo exemplo do amor. Bendito irmão primeiro! Não deveríamos nós, nesta “festa”, a um tempo, igualmente pensar no sofrimento vicário de Jesus e lembrar-nos dos que sofrem ante os nossos olhos? 


Do Recife, Válter Sales



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