Garrei a imaginar se no calendário haveria uma data para comemorar o dia de morrer, isso devido a quantidade de grandes amigos que já se foram e com eles sonhávamos sonhos que nunca realizamos, mas idealizamos, deixados para outros que não se foram.
Então lembrei da música de Osvaldo Montenegro "A Lista", cuja letra diz o seguinte:
"Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás?
Quantos você ainda vê todo dia?
Quantos você já não encontra mais?"
Pois é, acho que o dia de morrer é justamente o que está explicitado neste texto: aquele que, no velório de um amigo, a gente se vê no topo da Lista de Osvaldo Montenegro e seremos mais um, que conclui que o dia de morrer é todo dia, porque todos nós estamos na Lista... já não nos vemos com um sorriso de alegria.
Para que o dia de morrer seja um dia abençoado de felicidades, faça uma lista de gratidão aos grandes amigos, porque eles viveram ao nosso lado numa caminhada cheia de risos e sisos, tentando entender contrastes de um mistério ( ou uma sacanagem ) chamado vida e morte.
Onde andam vocês grandes amigos?
Sintam-se abraçados, vocês estão no meu coração com certeza de que na data de morrer vamos dançar forró, assar carne e contar boas piadas.
E, nas datas subsequentes desta comemoração, lá pelo ano de 2050, noutro dia de morrer, seremos mestre de cerimônia dos que forem chegando por onde estejamos vagando, em salões suntuosos de uma Inteligência Artificial ou de um Holograma em que alguém do futuro vai indagar como era possível viver sem tecnologia.
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