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Opinião/Reflexão/Crônica

A Jurema Preta Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir., planta sagrada e sua importância simbólica para o povo Pankararé

Publicada em 25/08/21 às 22:40h - 414visualizações

por Janaína Souza Silva e Manoela Carvalho da Silva


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Folhas da Jurema Preta (Mimosa Tenuiflora) Fonte: https://www.naturezabela.com.br/2011/05/jurema-mimosa-hostilis.html  (Foto: Divulgação)

Os indígenas Pankararé habitam o Norte da Estação Ecológica do Raso da Catarina, estando situada entre os municípios de Nova Glória e Paulo Afonso, no estado da Bahia, tendo seu território constituído pela Terra Indígena Pankararé e pela Terra Indígena Brejo do Burgo, ambas demarcadas e homologadas. A flora presente é do tipo caatinga arbórea e arbustiva, com predominância da arbustiva. No caso da espécie botânica aqui tratada, a mesma é popularmente conhecida por jurema preta Mimosa tenuiflora (Willd) Poir., pertencente à família Fabaceae, sendo encontrada no bioma Caatinga, considerada sagrada por muitas culturas que habitam o Nordeste brasileiro.

Na Bacia do rio São Francisco habitam cerca de 70 mil indígenas de etnias e cosmologias distintas, contudo, entre os quarenta povos que ali residem, em territórios distintos, a jurema preta é considerada sagrada, sendo utilizada para a realização de rituais.  Da raiz de sua árvore é produzido o vinho de anjucá para realização do ritual, e da madeira da árvore da jurema são produzidos cachimbos.

Quimicamente o vinho da jurema é um enteógeno, pois a jurema tem um alcalóide triptamínico da família dos alucinógenos indólicos. Nesse caso, a jurema proporciona visões e sonhos, contudo, tal fato não altera a consciência do indivíduo. Este ritual é composto por indígenas que se distribuem formando um círculo, onde o vinho do anjucá é colocado no centro sobre um tacho. Além do vinho de anjucá, o ritual conta com a presença de velas e uma esteira, evocando os encantados, espíritos que habitam as matas, através de toantes sagrados produzidos através do som do maracá, instrumento musical confeccionado com cabaça (Lagenaria sp. Seringe,1825) ou coco (Cocos nucifera, Linnaeus,1753), por exemplo. O maracá emite som de chocalho sendo usado para marcar o ritmo da dança nos rituais religiosos.

Ao decorrer do ritual os cachimbos produzidos com a madeira da jurema são entregues ao responsável pelo tacho, onde é mergulhado o cachimbo no vinho do anjucá, sendo retirado no dia seguinte.  Essa relação Etnobotânica, ou seja, essa troca de cunho ecológico, evolucionário e simbólico entre os Pankararé e a jurema preta é construída através de elementos simbólicos, devido à mesma ser considerada uma planta mestre, sendo capaz de ensinar rezas e usos medicinais que irão proporcionar a cura aos indígenas, possibilitando a conexão entre os esses e os encantados.

Devido à sua importância ritualística, o povo Pankararé busca preservar essa espécie, extraindo apenas uma parte de sua raiz lateral, a cada dois anos, manejo que só pode ocorrer após o ritual da jurema. O ritual da jurema também é compreendido como um elemento de distinção entre indígenas e brancos, devido a seu papel legitimador. Dentro da cosmovisão do povo Pankararé, a jurema ultrapassa seus elementos botânicos, sendo considerada um encantado.

Apesar de se compreender que os grupos indígenas utilizam o meio ambiente de forma distinta, cada um se fundamenta em suas necessidades e cosmovisões, existindo o consenso de que o uso sustentável do meio ambiente é necessário para presença do homem na Terra. O manejo do meio ambiente está intimamente ligado com a forma que cada indivíduo, grupo étnico ou social compreende este meio e estabelece relações com ele.




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6 comentários


Alef

26/08/2021 - 19:57:37

Excelente explanação, texto bastante didático. Parabéns 👏


Felipe Matheus

26/08/2021 - 13:38:27

Muito boa explanação,Sempre bom conhecer as riquezas culturais de nossa terra e região, uma análise bem interessante.Parabéns pela iniciativa, muito sucesso!


Filipe Spears

26/08/2021 - 06:56:19

Texto muito bom, parabéns meninas ❤️❤️💕💕😗😗


Gatão

26/08/2021 - 01:16:21

Só corrigindo além de Glória e Paulo Afonso, a maior área onde está localizada a reserva indígena Pankararé está localizada no município de Rodelas.


Cleisson

25/08/2021 - 23:35:14

Com excelente ponto de vista rico em detalhes


Janine souza

25/08/2021 - 23:25:46

Excelente texto! Parabéns as autoras 👏


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