Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2021
Opinião

Professora Lindinalva Cabral, chefe das Bandeirantes – 25 anos de saudades

Lindinalva: como é grande o meu amor por você

Publicada em 04/08/20 às 23:36h - 853 visualizações

por Antônio Galdino e Edson Mendes


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 (Foto: Acervo de Antônio Galdino)


Quando tudo em Paulo Afonso era só o começo e uma tonelada de sonhos, chegou por aqui o Sr. Severino Alves dos Santos, o Dentista, que logo viu a sua atividade associada ao nome e ficou conhecido, muito conhecido como Severino Dentista.

Protético de gente importante da Chesf, do comércio, do Exército, dos políticos, juntou a sua experiência e passou a abrir as portas de sua casa para esse povo todo. Políticos da Bahia e do Brasil chegavam por aqui e logo estavam conversando com Severino Dentista e sua esposa, D. Auta. Das conversas, quase sempre, participavam os filhos do casal, todos com o nome começando com a letra L: Lócio, Lizette e Lindinalva, as duas filhas formadas como professoras.

O grande prestígio do pai, num universo machista de alto grau por aqueles tempos, foi grande o suficiente para fazer de uma das filhas, a Professor Lisette, vereadora da primeira legislatura da Câmara Municipal de Paulo Afonso. E, como professora, ajudou muito ao primeiro prefeito, Otaviano Leandro de Morais a dar os primeiros passos na organização da educação municipal.

A outra filha, Lindinalva, preferiu as salas de aula. Foi professora renomada de crianças carentes, nas Escolas Reunidas da Chesf. Eu fui seu aluno no primeiro ano primário, na Escola Murilo Braga e dela ganhei o meu primeiro livro – As Viagens de Gulliver, incentivo grande para viver mergulhado nos livros até hoje.

Foi também destacada e muito querida Chefe das Bandeirantes e construiu outra história paralela de vida intensa...

De uma história linda de amor pela cidade que a acolheu, vinda de Carnaíba, terra de Zé Dantas, Linda, como era chamada, cativou as pessoas, os ligados à Igreja, o Padre/Bispo D. Mário Zanetta... Até que um dia, aos 58 anos, a sua vivacidade, sem entusiasmo, seu brilho terreno foi para as alturas e ela virou um estrela.

Um câncer, na época ainda quase sem cura, o levou do nosso convívio.

Era o dia 1º de agosto de 1995. Há 25 anos.

No dia 02 de agosto, a multidão que a amava acompanhou o seu amigo padre, agora bispo D. Mário Zanetta celebrar a sua despedida na Catedral N. Senhora de Fátima, na sua Paulo Afonso que tanto amava.

Em sua homenagem, o Centro de Cultura de Paulo Afonso leva o seu nome.

Nos 25 anos da morte da Professora Lindinalva Cabral, pedi a um dos seus afilhados, o poeta e escritor Edson Mendes, membro da Academia de Letras de Paulo Afonso, filho do Sr. Pedro Mendes e de D. Rita, que dissesse alguma coisa sobre essa pessoa Linda, até no nome. E ele nos mandou esse texto que nos encheu de viva emoção e de saudade...

Antônio Galdino da Silva

– ex-aluno de Lindinalva Cabral dos Santos)

75-99234-1740

Professor.gal@gmail.com 

Lindinalva: como é grande o meu amor por você

Para Lacinha e Lisette 

A cidade de Carnaíba, em Pernambuco, tem uma ligação perene com Paulo Afonso. Lá nasceram Zé Dantas, em 27/2/1921, e Lindinalva Cabral, em 18/3/1937.

Zé Dantas, filho do prefeito José, estudou no Recife, formou-se em medicina pela UFPE, depois foi embora para o Rio de Janeiro. Em 1954, com o velho Lua, Luiz Gonzaga, compôs nosso famoso baião Paulo Afonso.

Lindinalva, filha do protético Severino, também estudou no Recife, fez o curso pedagógico na Academia Santa Gertrudes e em 1954 foi trabalhar em Paulo Afonso, como professora das Escolas Reunidas da CHESF.

Professora, educadora, chefe bandeirante, líder social, adjuvante, coadjuvante, protagonista sempre, dedicou sua vida a seus alunos, afilhados, amigos, sem medir esforços na missão que se atribuiu de servir. À comunidade, à coletividade, à sociedade, à humanidade. Foi comadre de alguns, madrinha de muitos, conselheira de todos. Seu nome está definitivamente marcado na história de Paulo Afonso. 

Aos 58 anos, vencida pelo câncer, despediu-se Lindinalva do nosso convívio. No velório, a multidão inconsolável. No cemitério, o jovem Edemir Rodrigues, seu afilhado, busca forças e lhe dedica, em nome de todos, uma canção de Roberto:

Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você

E não há nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor por você

Nem mesmo o céu nem as estrelas
Nem mesmo o mar e o infinito
Nada é maior que o meu amor

Nem mais bonito

Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar
Como é grande o meu amor por você

Nunca se esqueça, nem um segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor por você

Foi um momento, penso, extraordinário, tocante, emocionante, inesquecível.

Imagino que, no mesmo instante, o velho Lua talvez lhe tenha dito: “olha pro céu, meu amor!”. E Zé Dantas, lá de cima, esperando por ela: “ai que saudades que eu sinto...”.

E eu, que lá não estive, e no céu infelizmente nunca estarei, me consolo hoje relembrando minha mãe Eva Rita. Acho que, preocupada com o meu futuro, resolveu me confiar a três padrinhos (João, Luiz Inocêncio e Edson Porto) e três madrinhas: uma de batismo, sua irmã Maria Rita, Madrinha Tia; uma de consideração, Madrinha Será (de Serafina); e uma de crisma – Madrinha Lindinalva...

Todos cuidaram de mim muito bem, se não acertei na vida não foi por culpa deles – ao contrário, não fossem seus conselhos talvez sequer estivesse hoje aqui conversando com vocês, e relendo a Enciclopédia Jackson, que Lindinalva me deu lá pelos anos 1960. São 18 volumes, mas só tem 17...

Além dos livros e presentes e beijos, e também admoestações, Lindinalva me deu mais: disse que uma criança só vai ser uma pessoa de bem se tiver bons modos, estudar e se comportar corretamente, honrando o pai e a mãe. Precisava dizer mais?

Hoje, 28 de julho, aniversário de Paulo Afonso, enquanto escrevo, aqui no Poço da Panela, ouço a usina, feliz mensageira, dizendo na força da cachoeira: o Brasil vai, o Brasil vai...

E eu, que lá não estive, naquela quarta-feira, 2 de agosto de 1995, quando “apagaro o candeeiro e derramaro o gai”, ciente de que todos se foram – meu pai, minha mãe, meus padrinhos, minhas madrinhas, Luiz Gonzaga e Zé Dantas, sinto no peito uma saudade enorme, assim meio amarga, qui nem jiló, como diria Humberto Teixeira.

Zé Dantas e Lindinalva Cabral viveram muito, mas duraram pouco: ele morreu com 41 anos, em 11/3/1962, ela com 58, em 1/8/1995.

Ainda me restam a lembrança e a saudade – mas até quando?

- O meu remédio é cantar... 

Edson Mendes

 (81) 98105-1952

edsonma@uol.com.br

28/7/2020

Algumas fotos. VEJA mais fotos no Facebook: Antonio Silva Galdino.




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4 comentários


Mario Teles

12/08/2020 - 16:25:05

Lo com atenção e senti que há matéria psra um grande romance


Angelo José Montenegro Girão

11/08/2020 - 22:20:35

Excelente reportagem.


Sugestão

09/08/2020 - 18:53:26

Sugestão, reunir essas meninas, agora senhoras, para uma foto. Talvez a prefitura ou a SEC pudesse fazer isso, mantendo a distância entre as pessoas em época de epidemia.


F. Nery Jr.

09/08/2020 - 18:47:39

Li toda a matéria com gosto, nobres acadêmicos Edson e Galdino. Precisa e construtiva. Não vi exageros.Pra que exageros para falar sobre a professora Lindinalva Cabral? Se vocês não tivessem escrito, com precisão, repito, a matéria, eu me convenceria da importância da colega professora para Paulo Afonso apenas ao contemplar a fisionomia das garotinhas bandeirantes da foto. Elas, reparem bem, atestam, sem palavras, o amor e a eficiência do trabalho realizado pela mestra. Professora de Galdino, louvada por Edemir, madrinha de Edson e na foto com o engenheiro, chefe e amigo Frederico, Fred, nada mais a declarar.


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