Em memória viva de Euclides Ribeiro e Antônio Galdino
Em homenagem a Nery, Ivus Leal e Marcos Vinícius Pirambu
I
Quando o sertão parece adormecido,
e o chão se veste em tons de solidão,
surge a caraibeira — sol florido —
a reacender clarões no coração.
II
Amarela, és promessa e aurora pura,
mas tens irmãs em tons de rosa e neve;
teu canto é reza, é cor, é formosura,
que a alma toca e o tempo enleva e eleve.
III
Vem Galdino, com câmera e ternura,
a te buscar nas tardes sertanejas;
nas lentes dele, tua flor perdura —
eterna em luz, memória e beleza.
IV
Nery, o semeador de primaveras,
plantou-te em ruas, praças e colinas;
cada raiz sua é fé que não espera,
cada sombra tua é paz que germina.
V
E Ivus, com sua amada companheira,
no motorhome — arca de sementes —,
rodou o Brasil: missão jardineira,
florindo o chão, tocando corações ardentes.
VI
Veio o mestre Euclides, após a CHESF,
com enxada e sonho nas mãos sagradas;
fez da cidade — outrora em ferro e gesto —
um jardim de árvores iluminadas.
VII
Cada rua que o vento hoje perfuma
guarda o seu nome, em pétalas e ramos;
pois quem planta árvores cria uma suma
de eternidade no solo onde amamos.
VIII
E surge Pirambu — Marcos Vinícius —,
engenheiro de troncos e raízes;
com régua e alma, cumpre os ofícios
de continuar os sonhos e as matrizes.
IX
Entre cálculos, flores e altitudes,
faz da paisagem um templo de harmonia;
seu plano é verde, é fé, é juventude —
é a engenharia convertida em poesia.
X
E assim, de mestre em mestre, a flor renasce:
do chão, da mão, da câmara, da prece;
e o sertão, que era pó, hoje enlaça
a cor da vida que jamais esmorece.
XI
Oh, caraibeiras! flamas da esperança,
arcanas filhas do sol e da secura;
em vós o homem reencontra a bonança,
em vós a terra aprende a ser ternura.
XII
E o poeta, ajoelhado sob a tua sombra,
agradece a esses semeadores de luz;
pois cada flor, que o tempo não assombra,
é verbo vivo de amor que reluz.
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