Laço de Luto
in memoriam
Professor Antônio Galdino

noticias Seja bem vindo ao nosso site Jornal Folha Sertaneja Online!

LUCIANO JÚNIOR

Paulo Afonso - de Pouso de Boiadas à Redenção do Nordeste

Publicada em 28/07/25 às 12:17h - 631 visualizações

Luciano Júnior


Compartilhe
Compartilhar a noticia Paulo Afonso - de Pouso de Boiadas à Redenção do Nordeste  Compartilhar a noticia Paulo Afonso - de Pouso de Boiadas à Redenção do Nordeste  Compartilhar a noticia Paulo Afonso - de Pouso de Boiadas à Redenção do Nordeste

Link da Notícia:

Paulo Afonso - de Pouso de Boiadas à Redenção do Nordeste
Alunos da rede municipal no desfile de 28 de julho de 2024.  (Foto: Arq. do jornal Folha Sertaneja )

Paulo Afonso - de Pouso de Boiadas à Redenção do Nordeste

Luciano Júnior

Hoje, o sol nasceu diferente em Paulo Afonso.

Pintou o céu com tons de festa, arrastou as nuvens com um sopro quente do São Francisco e despertou a cidade com cheiro de memória. É 28 de julho. E mais do que um dia comum, é o marco de sua Emancipação Política — um daqueles instantes em que a cidade ergue a cabeça, enche o peito de vento sertanejo e celebra: "sou minha, sou livre, sou história".

Paulo Afonso nasceu da pedra e da água.

Foi primeiro um nome gritado pelas cachoeiras. Ali, onde o Velho Chico se rasga em abismos e espuma, onde a natureza canta com força e beleza. E foi isso que seduziu, há 300 anos, os primeiros olhos brancos e pés desbravadores a fincar estacas por aqui. Mas antes deles, os povos indígenas já conheciam o segredo das águas — o pulsar ancestral da vida que brota da terra rachada de sol.

Chesf: a mãe elétrica que acendeu o Sertão

Foi no coração dessas quedas que o Brasil enxergou futuro.

Na década de 1940, o presidente Getúlio Vargas sonhava com um Nordeste produtivo, forte e autossuficiente. E foi nesse sonho que nasceu a CHESF – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco. Ela não foi apenas uma obra. Foi uma epifania. Um acampamento que virou vila, uma vila que virou cidade. Um sertão iluminado pela esperança de uma hidrelétrica que, por décadas, geraria não só energia, mas emprego, dignidade, escolas, hospitais — um milagre laico no meio da caatinga.

E assim, a Chesf pariu Paulo Afonso, como quem semeia um oásis no solo seco.

E, como diria um dos antigos operários: “Não foi só cimento, foi suor, foi coração”.

 

Abel Barbosa e os homens da liberdade

Mas faltava ainda um passo: a liberdade política.

Por muitos anos, Paulo Afonso esteve atrelada a Glória. Não era dona de si, nem de seu destino. E então, um nome se levantou com coragem: Abel Barbosa. Um visionário, vereador da época, que olhou o povo e viu ali uma cidade pronta para decidir por si, para escrever sua própria Constituição emocional. Foi ele quem encabeçou o movimento pela emancipação, junto a outros heróis — muitos, cujos nomes dormem nas placas das ruas e nas esquinas da lembrança.

Em 1958, o grito de liberdade foi oficial.

Paulo Afonso, enfim, assinava sua própria certidão de nascimento político. E cada 28 de julho desde então é mais do que uma data: é uma oferenda à coragem.

Hoje: 300 anos de um centenário simbólico

Este ano, fala-se nos “300 anos do centenário”.

É curioso: como um centenário pode ter 300 anos?

Mas o antigo nome era "Tapera de Paulo Afonso" ou Tapera. E o prefeito Abel não gostava e resolveu mudar para "Centenário". Então, não é literal. É poético. É simbólico. É a junção da história dos 300 anos de presença humana significativa, com o ciclo atual de memória, renascimento e revalorização cultural.

Estamos num tempo em que as cidades precisam mais do que luz elétrica — precisam de luz interna.

Precisam de resgate. Precisam de sentido.

E aqui em Paulo Afonso, cada pedra fala. Cada correnteza canta. Cada parede da CHESF carrega o eco de um homem que deixou seu estado para tentar a sorte, para trazer comida aos filhos. Cada árvore plantada pelo saudoso Euclides Ribeiro na Avenida Apolônio Sales e  entrada da cidade conhece o silêncio das manhãs e o grito das vitórias.

Hoje, celebrar a emancipação é lembrar que toda liberdade é um ato de escolha.

Porque a cidade não é feita só do que foi…

É feita do que escolhemos fazer com o que ela é.

Que hoje, ao caminhar pelas margens do Balneário, ou entre as usinas históricas, você se permita agradecer. E se inspirar.

Porque Abel Barbosa não lutou sozinho.

Lutou por você. Por essa liberdade de hoje.

E como diria Paulo Vieira, “tem poder quem age”.

E mais ainda quem celebra com gratidão e consciência.

Luciano Júnior

PS: O título, percebi agora que clonei do livro do imortal Antônio Galdino e Sávio Mascarenhas...

Mas não teria título melhor....





ATENÇÃO:Os comentários postados abaixo representam a opinião do leitor e não necessariamente do nosso site. Toda responsabilidade das mensagens é do autor da postagem.

1 comentário


Professor Galdino

28/07/2025 - 13:50:33

Caro Luciano. Abraço e agradeço a você, primeiro pelos belos textos que tem feito para este site, em especial este que resume, de forma brilhante e poética, reflexiva, a história da nosso querido município de Paulo Afonso, que me acolheu há 70 anos, em 20/11/954. O livro De Pouso de Boiadas a Redenção do Nordeste, fiz, com Sávio Mascarenhas, há 30 anos, em 1995 e estamos aguardando apoio para reeditarmos para conhecimento das novas gerações. Foi o primeiro livro sobre este município. Obrigado!!!


Deixe seu comentário!

Nome
Email
Comentário
0 / 500 caracteres


Insira os caracteres no campo abaixo:








Nosso Whatsapp

 (75)99234-1740

Copyright (c) 2026 - Jornal Folha Sertaneja Online - Até aqui nos ajudou o Senhor. 1 Samuel 7:12
Converse conosco pelo Whatsapp!