
25 de Julho - Dia Nacional do Escritor
“Me ensina a escrever”- (Oswaldo Montenegro)
Luciano Júnior
Meu amor
Me ensina a escrever
Eu quero inventar dicionários
Palavras que possam tecer...
Escrever não é coragem.
É necessidade.
Tem quem sonhe em pilotar avião.
Tem quem deseje plantar roça.
Tem quem queira consertar o mundo com leis, bisturis ou martelos.
Mas tem aqueles — os danados de alma inquieta — que só se realizam escrevendo.
Hoje é dia de quem acorda com palavra na mente e na garganta e termina a tarde com histórias nas mãos.
De quem vê poesia na fila do banco, trama no tilintar da colher no copo de alumínio, drama na janela do ônibus.
De quem escreve porque precisa que o mundo saiba o que o coração grita.
Escritor não é o que publica.
É o que observa e relata.
É aquele que, em vez de responder “tudo bem”, anota o silêncio no olhar do outro.
É aquele que transforma “saudade” em três páginas e um final em aberto.
É o que cria redes — não de pescar gente, mas de deitar as almas cansadas.
...a rede em que você descansa
E os sonhos que você tiver...
O escritor é esse tecelão de invisíveis.
Torce sentimentos com palavras, borda realidade com enredo, costura lembranças com cheiro de café.
E, olha, quem escreve não pede permissão.
Escreve como quem respira.
Como quem vive.
E quando Oswaldo canta “me ensina a escrever”, ele não quer aula de gramática.
Quer aprender a tocar o outro.
Porque escrever, meu caro, é isso:
É fazer carinho e cócegas na alma alheia com letra cursiva.
Então, nesse 25 de julho, erga sua caneta como quem levanta um estandarte:
— Eu escrevo, sim!
Com amor, com raiva, com esperança, com desatino.
Escrevo porque é assim que eu existo por inteiro.
E se me permite a ousadia:
Que cada um de nós aprenda a escrever com o corpo, com a memória, com a ancestralidade que pulsa nos dedos.
Porque escrever, afinal…*também é amar com palavras.
Parabéns aos escritores da Capital da Energia, em especial aos que formam a Academia de Letras em seus 20 anos!
(VEJA O VÍDEO)