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LUCIANO JÚNIOR

A Sombra Que Não Vai Ter

Publicada em 17/07/25 às 13:18h - 192 visualizações

Luciano Júnior


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A Sombra Que Não Vai Ter
 (Foto: Imagens da Net)

A Sombra Que Não Vai Ter

Luciano Júnior

 

Hoje é 17 de julho. (Dia Mundial de Proteção às Florestas)

Levantei com o cheiro do café no vizinho… e das florestas em chamas, no mundo.

Não há como dissociar uma coisa da outra quando se vive com o ouvido encostado no tronco da terra.

Minha memória afetiva é verde. Minhas raízes indígenas também; e nas minhas formações também sou turismólogo:  — essa interseção rara que, vez ou outra, ainda causa olhares tortos do tipo:

— “Mas turismo não é só viagem?”

Respondo sempre com carinho e leve acidez:

— É, e o meio ambiente não é só uma árvore, é tudo aquilo que você não vê quando abre uma selfie com filtro.

Tenho vivido dias gratificantes. Me envolvi com o Conselho de Meio Ambiente e isso mudou o modo como respiro.

Ali, ao redor da mesa, sentam-se especialistas de todas as raízes — agrônomos, biólogos, engenheiros florestais e civis, gestores ambientais e eu: alguém com a cabeça em TI e energia, que também estudou as conexões invisíveis entre gente, paisagem e permanência. Porque o turismo, quando bem feito, não é consumo de natureza — é reconexão com ela.

E é nessas reuniões que aprendi a ouvir, com alguns outros membros, o silêncio das árvores caídas.

Elas não gritam — mas gritam.

Tombam árvores, morrem índios.

Queimam matas, ninguém vê.

Ou fingem não ver.

Hoje, no grupo de um outro conselho, de tecnologia, que também faço parte, alguém lembrou a data e compartilhou aquele poema simples e poderoso — uma espécie de sussurro profético:

Que o futuro está pedindo

Uma sombra... e não vai ter.

Essas palavras me acertaram como flecha indígena: silenciosa, direta, de meus ancestrais.

Me dei conta de que cada uma das nossas falas no conselho de meio ambiente — mesmo as mais técnicas — é uma tentativa desesperada de impedir o que parece inevitável: a extinção da sombra.

E que ironia cruel — viver num planeta que gira sob o Sol, mas não garantir sombra pras próximas gerações.

Me veio a lembrança de uma trilha que visitei anos atrás. O local era mágico: riacho de águas frias, dossel de árvores centenárias, sons de pássaros que mais pareciam flautas.

Voltei lá recentemente.

Estava seca.

Calada.

Quase um cenário de pós-guerra.

Faltou sombra. Faltou gestão. Faltou alguém que dissesse "não" antes do trator dizer "sim".

E aí entra o peso e o privilégio da minha formação. Turismo não é só levar gente, é saber quando não levar. É sinalizar, mediar, criar rotas sustentáveis e, sobretudo, plantar consciência.

Turismo é ferramenta. Ou arma. Depende de quem segura.

Por isso, quando me perguntam o que faço no Conselho de Meio Ambiente, eu respondo:

— Traduzo a floresta para quem ainda só fala “check-in”.

Hoje, mais do que nunca, entendo que minha formação me preparou não só para desenhar trilhas, mas para impedir abismos.

A natureza não precisa de visita, precisa de parceria. E talvez o conselho seja o último banco de praça onde ainda se pode discutir o futuro com alguma sombra.

Que não seja só mais um 17 de julho na agenda.

Que seja um recomeço. Um protesto verde. Um lembrete urgente:

A floresta não é cenário. É personagem.

E está pedindo socorro.





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