Há pessoas que parecem nascer com o dom de transformar o cotidiano em espetáculo — e Murilo Brito é uma delas.
Nordestino de alma e coração, veio ao mundo em Mimoso, distrito de Pesqueira, Pernambuco, mas foi em Paulo Afonso que fincou suas raízes e escreveu o roteiro de uma vida intensa, múltipla e cheia de arte.
Chegou ainda menino, acompanhando os pais e irmãos, quando a cidade ainda atendia pelo nome de Forquilha. O pai, eletricista da CHESF, era um dos tantos heróis anônimos que ajudaram a erguer as barragens e dar luz ao Nordeste.
Murilo cresceu entre os acampamentos da CHESF, morando na Tipo O e depois na Rua E — cenários que se tornaram o pano de fundo de sua infância inventiva e barulhenta.
Desde cedo, já demonstrava que era um menino diferente. Enquanto outros sonhavam em ser engenheiros ou jogadores de futebol, ele sonhava em viver de arte. Gostava de pintar, tocar, cantar, encenar. Era o tipo que transformava o quintal em palco, os amigos em elenco, e a vida em um grande filme rodado à base de imaginação.
Na juventude, Murilo foi um verdadeiro agitador cultural. Apresentava programas de calouros, montava peças, escrevia roteiros, formava clubes de futebol e organizava brincadeiras que animavam o acampamento. Era aquele tipo de rapaz que fazia a cidade pulsar, um visionário que não esperava a arte acontecer — ele a provocava.
Mas como a vida nem sempre segue o roteiro que desejamos, Murilo teve que vestir outros figurinos. Trabalhou na CHESF, Mendes Júnior, CESP, IBGE e, por fim, no Banco do Brasil, onde construiu uma sólida carreira até a aposentadoria. Contudo, mesmo nos intervalos entre o expediente e a vida familiar, o artista nunca abandonou o palco.
Hoje, o Capitão Murilo — como é carinhosamente conhecido — é presença certa nas resenhas e nos babas da cidade, onde distribui boas histórias e gargalhadas.
Escritor de mão cheia, membro da Academia de Letras de Paulo Afonso (ALPA), ele também se revela nas telas e nos versos, pintando quadros cheios de cor e compondo músicas cheias de alma.
Murilo é ator, pintor, músico, escritor, contador de causos… mas, acima de tudo, é um bom sujeito. Um homem simples, talentoso e amado por todos. Um daqueles que fazem da vida uma cena bonita de se assistir.
E se a vida é mesmo um grande palco, podemos dizer sem medo: Murilo Brito é um dos protagonistas mais cativantes que Paulo Afonso já teve — o ator da vida, o bem-amado da cidade.
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