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Nossos autores, meus mestres Dia do escritor

Publicada em 27/07/25 às 12:51h - 336 visualizações

Francisco Nery Júnior


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Nossos autores, meus mestres                                   Dia do escritor
 (Foto: imagem ilustrativa)

Nossos autores, meus mestres

                                  Dia do escritor

Francisco Nery Júnior 

Li um pouco na minha juventude. Li os nossos mestres e alguns de fora. Aprendi mais duas línguas além do português e multipliquei a minha leitura. Valeu a pena beber na fonte dos sábios. A eles, autores de dentro e de fora, aos meus mestres de literatura brasileira e estrangeira, ao meu pai sempre a entrar em casa com um livro nas mãos, o meu agradecimento.

O que eu poderia fazer? O que deveria fazer no Dia do Escritor? Parece-me impositivo dedicar-lhes alguma coisa saída da minha lavra; da pena nas minhas mãos - algo que só foi possível pela convivência com aqueles monstros da literatura.

O texto que segue foi publicado em agosto de 2021 tendo sido lido por quase três mil pessoas só na Folha Sertaneja.

Se é um banquete, que seja degustado pelos nossos seguidores, vorazes leitores da nossa escrita.                                             .    .    .

O casal de idosos que me fez sentir pequeno

Um casal de idosos! Descendo do Juá, personagens perfeitos e prontos para um romance regional, em carroça de burro alcançaram o BNH. O burro atrelado em perfeito estado de trato. Em cima do estrado, a fiel cadela a simbolizar a fidelidade de quem é fiel sem obrigação; e sem pressão. Ela se sentia, entronizada na carruagem imaginária, a Cinderela dos Sertões. Pelo menos a mim me parecia.  Interessante que ela não se arrastava, cansada e empoeirada, ofegante, língua estirada para fora, atrás da carroça como costuma acontecer.  

Vinha bem acomodada, no alto e na melhor; acomodada pelos dois verdadeiros pais que a adotaram e ali estavam para amealhar o que quer que fosse para a sobrevivência dos três. 

Pararam em frente a uma casa e pediram café. Não tiveram sucesso. Prosseguiram para outra e, outra vez, por qualquer razão irrelevante que não vem ao caso, nada aconteceu. Foram em frente. E pararam na minha calçada. Era cedo de manhã e eu ainda estava com as roupas de dormir. Por alguns minutos, tinha estado observando a aproximação dos dois como no Bolero de Ravel. Simples, pobres e maltratados da sorte, transmitiam uma harmonia e uma cumplicidade real.  

Desta vez, comigo tentaram a sorte. E tiveram sucesso. Não por mérito meu, mas pela imposição do exemplo que a todos nós nos davam. Se só um prato do desjejum, do café da manhã, ou do breakfast para os internacionais; se só um prato existisse, entre nós três teria sido dividido. 

De repente, um novo convidado apareceu. Era a cadela enjeitada da nossa rua que, useira e vezeira, se imiscuía. Para minha surpresa, a idosa senhora se valeu da sacola ao lado, retirou um bom pedaço de salame que algum bom samaritano lhe tinha antecipado e começou a dispará-lo em pedaços menores subsequentes para a cadela. Imagino que ela, com a sua fé de pequenina, estava certa que, amanhã, o seu salame de cada dia estaria assegurado.  

Ainda os consultei se me ajudariam a me livrar de uma pequena lata de lixo por dez reais. A resposta foi positiva. Pechinchei por um desconto de cinquenta centavos numa tentativa sadia de quebrar o possível gelo da situação. O marido um pouco mais adiante, barriga abastecida e copo esvaziado, ela, desconfiada, mas já segura da situação, cabreiramente concordou. 

Com dez reais no bisaco – o pedido de desconto foi apenas um chiste –, café da manhã realizado, picada de fumo e baforada de cigarro de palha garantidas, tocaram a burra e dobraram a esquina. 

Pequeno já era e pequeno permaneci. Mais pequeno ainda do que sabia ser.

Francisco Nery Júnior  

P.S. As honras do dia, nós as estendemos ao nosso redator-chefe, escritor ad hoc do site.


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