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Professor Nery

A Escola Antiga e o mestre

O professor de Machado de Assis

Publicada em 14/05/24 às 22:43h - 204 visualizações

Francisco Nery Júnior


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A Escola Antiga e o mestre
Foto Machado de Assis - Da net  (Foto: Machado de Assis)

E ainda assim... Em Salvador, em um apartamento relendo Memórias Póstumas de Brás Cubas para matar o tempo, em já havia separado o texto encantador de Machado de Assis, mestre do sarcasmo e do realismo, para repartir com os leitores, principalmente para os que querem passar no teste de português dos nossos concursos. 


Senão quando (construção de Machado, me lembra Machado, também sua construção), encontro Aldson Miná e Alberto, Nino, este meu ex-aluno, ambos ex-alunos do Colepa, da safra dos bons (breve voltaremos a eles), no patamar de embarque da Estação Rodoviária a lembrar os tempos áureos do colégio e a frisar as conquistas e colocações dos alunos de antão (olha Machado!) na nossa sociedade e na nossa nação. Sem mais bolodórios nossos e de Machado - ele os tinha além da genialidade - passemos à delícia pungente e verdadeira: 


Unamos agora os pés e demos um salto por cima da escola, a enfadonha escola, onde aprendi a ler, escrever, contar, dar cacholetas, apanhá-las, e ir fazer diabruras, ora nos morros, ora nas praias, onde quer que fosse propício a ociosos.


Tinha amarguras esse tempo; tinha os ralhos, os castigos, as lições árduas e longas, e pouco mais, mui pouco e mui leve. Só era pesada a palmatória, e ainda assim... Ó palmatória, terror dos meus dias pueris, tu que foste o compelle intrare [obriga todos a entrar] com que um velho mestre, ossudo e calvo, me incutiu no cérebro o alfabeto, a prosódia, a sintaxe, e o mais que ele sabia, benta palmatória, tão praguejada dos modernos, quem me dera ter ficado sob o teu jugo, com a minha alma imberbe, as minhas ignorâncias, e o meu espadim, aquele espadim de 1814, tão superior à espada de Napoleão! 


Que querias tu, afinal, meu querido mestre de primeiras letras? Lição de cor e compostura na aula, nada mais, nada menos do que quer a vida, que é das últimas letras; com a diferença que tu, se me metias medo, nunca me meteste zanga. Vejo-te ainda agora entrar na sala, com as tuas chinelas de couro branco, capote, lenço na mão, calva à mostra, barba rapada; vejo-te sentar, bufar, grunhir, absorver uma pitada inicial, e chamar-nos depois à lição. E fizeste isto durante vinte e três anos, calado, obscuro, pontual, metido numa casinha da rua do Piolho, sem enfadar o mundo com a tua mediocridade, até que um dia deste o grande mergulho nas trevas, e ninguém te chorou, salvo um preto velho, - ninguém, nem eu, que te devo os rudimentos da escrita."


E ainda assim... 


Francisco Nery Júnior




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