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Professor Nery

Nos tempos do doutor Amaury

Publicada em 28/02/22 às 21:57h - 348 visualizações

por Francisco Nery Júnior


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Nos tempos do doutor Amaury
 (Foto: Arq. Jornal Folha Sertaneja)

Ele já era conhecido dos trailers dos cinemas em Salvador. Botas altas e peito pra fora, criou o oásis que nos fornece ar puro e um ambiente propício para a exploração turística. Do nada, deu vida à Cidade-Acampamento. 


Em 1974, data da chegada deste autor em Paulo Afonso, o nome do doutor Amaury Menezes era pronunciado como o nome de um deus grego. Todos o respeitavam. Longe no Rio de Janeiro, deve ter saboreado o bom gosto do dever cumprido. Como alguns heróis, usou o poder que tinha para o benefício da humanidade. Até que um ataque cardíaco, numa viagem de trem urbano, o levou para outra dimensão. 


A visão que inspira esta matéria vem da observação das suas obras e do [bom] ouvir dizer dos seus admiradores. Botas longas e impositivo, era admirado. Como o general americano George Patton, era do front. Partia para a luta e se expunha. A simples visão do comandante na frente de batalha galvanizava o moral da tropa. 


Contam os antigos que centenas de caçambas de aterro foram despejadas na área do Cemitério Municipal para satisfazer o capricho do poderoso Diretor Técnico da Chesf. Se o nível tinha que ser levantado, que assim fosse feito. E o cemitério está lá. Um dos caprichos deste autor, se poder tivesse, seria entabular negociações com a família do doutor Amaury com o objetivo de trazer os seus restos mortais para o nosso cemitério. Eles seriam depositados em um imponente mausoléu. 


Por sua vez, Manoel José fez a festa apoiado no poder do diretor. Centenas e milhares de árvores foram plantadas no Acampamento. Em cada espaço vazio, uma árvore. Em cada canto, outra árvore. E mais árvores e árvores a mãos cheias como carece ser [feito]. Como deveria sempre ser. Traçados de ruas foram modificados para evitar o corte de uma árvore. 

Os seus subordinados o respeitavam. Talvez temiam. Os prudentes procuravam entendê-lo. 


Foi o caso do engenheiro João Soares do SPOM. “Às vezes o doutor Amaury queria uma coisa impossível de ser feita. Eu concordava e dizia muito bem. Eu não ia bater de frente com ele mesmo porque ele poderia pensar que era má vontade de minha parte. Como não dava mesmo para fazer o que ele queria, com o tempo ele se esquecia”. Este foi mais ou menos o testemunho ouvido do doutor Soares. 


E ele tornava jardineiros os nordestinos vindos para Paulo Afonso em busca de emprego. Segundo uma fonte, havia cerca de mil jardineiros no Acampamento Chesf em determinada época. A chiadeira dos aspersores de água vão permanecer nos ouvidos dos pioneiros para sempre. A lembrança e o perfume das flores da mesma forma. 


Botas altas e uma espécie de bastão de comando na mão, tornou-se ele mesmo um dos jardineiros, pelo menos nos poucos momentos de folga que podia se conceder. Foi morar em uma espécie de ilha de Robson Crusoé perto do barulho da cachoeira, para ele canto mavioso, em dueto com o canto dos pássaros do Nordeste do Brasil. 


A visão de ecologia e preservação do doutor Amaury foi fundamental para a concepção do sistema de lagos artificiais do Acampamento. Salvo engano, doze lagos de um sistema de refrigeração natural do ambiente.  


Os inimigos do bem comum sempre estão a postos. Não raras vezes os burros ativos, expressão cunhada por Oscar Niemayer. Segundo eles, talvez para estragar o prazer dos sonhadores, o doutor Amaury Menezes teria vindo para a região do complexo hidrelétrico de Paulo Afonso, com o objetivo de gastar as reservas provenientes da venda da energia produzida nos geradores para obrigar a manutenção dos preços da energia produzida no sul do país. Por isso construções e obras para os detratores faraônicas como a torre ao lado da Usina III, a ponte pênsil, o bondinho sobre o canyon entre a Bahia e Alagoas e um jardim zoológico com jacarés, cobras e leão. 


Ninguém é insubstituível, mas alguns fazem diferença. É o que nos parece o caso do doutor Amaury Alves de Menezes. 

 

Francisco Nery Júnior 


P.S. Um dos presentes que recebi na vida foi morar no Bairro Amaury Menezes, BNH. O título de posse definitiva dos terrenos, prometida pelo doutor Luiz de Deus, ainda não foi concedido. Uns quatro ou cinco vizinhos fizeram a aquisição (pagaram). Paguei quase a metade em prestações de R$500,00. Interrompi o pagamento por força da promessa do prefeito.




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2 comentários


Francisco Nery da Silva Júnior

05/03/2022 - 09:04:11

Caro Isac, você sempre a demonstrar a sua nobreza. O mérito é seu que tem ouvidos para ouvir e olhos para ver. Em tempo, o pessoal de Paulo Afonso merece o melhor de nós... e dos nossos políticos.


Isac de Oliveira

04/03/2022 - 19:32:36

Caro confrade Nery, adoro ler seus textos de narrativa poética, com esse aprendi a conhecer um pouco desse grande homem (Amaury Alves de Menezes), de fato, fez toda diferença para nossa história. Obrigado por me favorecer com saborosa leitura!


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