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Professor Nery

Chorando com Paulo Diniz

Publicada em 31/12/21 às 21:56h - 375 visualizações

por Francisco Nery Júnior


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Chorando com Paulo Diniz
 (Foto: da Net)

O meu amor chorou 

                                                                      Paulo Diniz

 

O meu amor chorou
Não sei por que razão
O meu amor chorou
Não sei por que razão 

Também pudera
Eu não estava acostumado
À vida de casado
Faço força pra ficar
Em casa sossegado
Mas amor é tão difícil
A gente se conter 

Antigamente a minha vida
Era de bar em bar
Pelas ruas da cidade
A lua quando sai
Saudade vem, a gente vai
E fica pela rua até o amanhecer 

Mas te prometo um dia, meu amor
Mudar de vida pra te consolar
E pra fazer seu gosto
Embora morra de desgosto
Trocarei tudo o que tenho
Pr'ocê não chorar 

 

O autor está profundamente preocupado com o choro da sua amada. Paradoxalmente, está placidamente tranquilo: “não sei por que razão”. Vamos considerar que a sua estrutura ainda era a estrutura de um solteiro. Certas metamorfoses requerem um certo tempo. Ele é, sem dúvida alguma, sincero e “esforçado” para “ficar em casa sossegado”. 


E entra no processo a miserável condição humana: “Mas amor, é tão difícil a gente se conter”. Paciência, que ela demonstra no choro, é fundamental. Roma não foi feita em um dia. 


A lua sai, luar divino e contagiante, convidativo, irresistível, bate a saudade, vem a recaída e “a gente fica pela rua até o amanhecer”. Não era ainda o tempo das drogas e dos assaltos. Os tempos eram provincianos. A rua, no poema, significa liberdade (inerente ao ser humano) e sociabilidade. 


Mas, temos um mas no poema, ele promete mudar de vida! O compromisso com o seu amor está acima dos seus valores de “antigamente”! Observe o leitor “mudar de vida pra te consolar”. Não apenas para se remir, fazer uma conversão de rumo (fundamental), mas para (simplesmente) consolar a amada. Renúncia em favor de um amor maior, supremo. 


O autor sobe um grau na escala da renúncia: “E pra fazer seu gosto...” Anulado, morto o gosto dele (todos os seus valores anteriores), para fazer o gosto da amada. 


E a profundidade do amor: “Embora [todavia, porém, mas, não obstante, contudo] morra de desgosto”. Ele vai da adversidade à concessão. 


“Trocarei tudo que tenho.” Ele tinha “tudo” com “gosto”, era feliz. 


Mas a felicidade de viver um grande amor e a responsabilidade sublime de não fazê-la chorar ficaram acima de todas as coisas. 

 

Francisco Nery Júnior 



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1 comentário


Leitor

01/01/2022 - 09:41:25

O autor acertou na mosca. Não sei se intencionalmente. A essência do Cristianismo: renúncia que vale a pena por um bem ou recompensa que vale infinitamente mais.


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