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Jornal Folha Sertaneja Online
Professor Nery

O Facebook fora do ar, encontramos o poema de Ascenso Ferreira

Publicada em 05/10/21 às 19:19h - 319 visualizações

por Francisco Nery Júnior


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O Facebook fora do ar, encontramos o poema de Ascenso Ferreira
 (Foto: Da net)

Tateando na escuridão – foi um apagão de quase sete horas – do Facebook, encontramos o poema de Ascenso Ferreira. Foi no brilho dessa escuridão que encontramos a pérola. 

Falamos do poeta nordestino, um dos expoentes do modernismo brasileiro. O poema é de 1939 e a França era o modelo. O chic era falar da França, empregar termos do francês e espreitar a moda exportada de Paris. Após o final da Segunda Guerra Mundial, passamos à influência americana, com Facebook e tudo.

Mas verifique o leitor a beleza da cultura nordestina, da tradição portuguesa e da influência africana e indígena magistralmente retratadas na poesia de Ascenso Ferreira. 

Temos resistido na medida das nossas forças. Ainda somos nordestinos brasileiros amantes da cultura portuguesa dos nossos avós com tempero indígena e africano. Vamos ao banquete:  
 
História Pátria 

Plantando mandioca, plantando feijão, 
colhendo café, borracha, cacau, 
comendo pamonha, canjica, mingau, 
rezando de tarde nossa ave-maria, 
           Negramente… 
                  Caboclamente… 
                         Portuguesamente… 
A gente vivia. 

De festas no ano só quatro é que havia: 
Entrudo e Natal, Quaresma e Sanjoão! 
Mas tudo emendava num só carrilhão! 
E a gente vadiava, dançava e comia… 
          Negramente… 
                 Caboclamente… 
                           Portuguesamente… 
Todo santo dia! 

O Rei, entretanto, não era da terra! 
E gente pra Europa mandou-se estudar… 
Gentinha idiota que trouxe a mania 
de nos transformar 
da noite pro dia…   
A gente que tão 
           Negramente… 
                 Caboclamente… 
                         Portuguesamente… 
Vivia! 

(E foi um dia a nossa civilização 
tão fácil de criar!) 
Passou-se a pensar, 
passou-se a cantar, 
passou-se a dançar, 
passou-se a comer, 
passou-se a vestir, 
passou-se a viver, 
passou-se a sentir, 

tal como Paris 
pensava, 
cantava, 
comia, 
sentia… 
A gente que tão 
                      Negramente… 
                              Caboclamente… 
                                     Portuguesamente… 
Vivia. 

Poema de Ascenso Ferreira, introdução de Francisco Nery Júnior




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1 comentário


ISAC DE OLIVEIRA

05/10/2021 - 19:52:52

Lindo, caro imortal.


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