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Jornal Folha Sertaneja Online
Professor Nery

Nos bons tempos do Colepa

Publicada em 03/10/21 às 23:21h - 432 visualizações

por Francisco Nery Júnior


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Nos bons tempos do Colepa
Fotos do COLEPA feitas uma semana antes de ser o IFBA  (Foto: Antônio Galdino)

O ano era 1974 e os comentários têm um prazo de validade de uns poucos anos, quiçá meses. A motivação para o papo de hoje partiu do leitor Geraldo Carvalho, que inferimos amante da boa conversa, talvez da polêmica produtiva. Bom sabê-lo irmão do ex-ASV (administrador de Salvador), Lourival Carvalho, e da professora Lúcia Cordeiro de saudosa memória. Creio que podemos dedicar esta matéria a Geraldo e, com sua vênia, a todos os leitores saudosistas dos bons tempos. 


O seu comentário foi a propósito da matéria inspirada na descrição bíblica da cura dos dez leprosos onde apenas um voltou para agradecer a Jesus. E eu descrevia a minha visita de agradecimento ao ASV de então, doutor Paulo Moreira de Souza. 


Apenas uma semana antes de me formar em Letras na PUC de Salvador (onde tive o prazer de conhecer o professor Roberto Ricardo), fui admitido na Chesf, após processo de seleção, na função de auxiliar administrativo. A chance tinha surgido e eu não tinha nada a perder. Por força de alguns trabalhos de tradução e interpretação, o senhor ASV, sabedor que o Colepa precisava de professores de inglês, resolveu patrocinar a minha reclassificação e posterior transferência. 


Não havia o que ponderar. O meu salário triplicou e as benesses oferecidas pela Chesf não davam margem a dúvida alguma. Na ilha Acampamento, tudo nos era oferecido. A companhia nos tratava muito bem. Em pouco tempo, o meu carro estava pago e a minha mãe muito bem acomodada na capital da Bahia. 


Não obstante, pouca gente topava vir para cá. Como em todos os casos, havia um preço a pagar. Carecia deixar para trás as comodidades de uma capital. Vir para Paulo Afonso era sinônimo de abdicação de vida. Era um sacerdócio. 


As comunicações eram precárias. Até Ribeira do Pombal, estrada de barro. Raras vezes não tínhamos que descer do ônibus para empurrá-lo para fora de um lamaçal. Muitas vezes tínhamos que esperar a troca de um pneu furado de um ônibus surrado e com o prazo de validade vencido. Não havia internet e um telefonema nos custava uma noite perdida no posto da telefônica perto do Grande Hotel. 


Lampião ainda povoava a memória dos nordestinos. As histórias – e as atrocidades - do cangaço amedrontavam. A violência e as disputas na ponta do punhal apavoravam os de fora. Tiros e balaços eram comuns aqui e acolá. O serviço de inteligência nos aconselhava não sair do Acampamento desacompanhado, principalmente à noite. Um dia, na Getúlio Vargas, na Rua da Frente, zoada de fogos de São João. Eram, na verdade, tiros de vingança de um dono de “Kombi” no colega concorrente. Fui testemunha da lenta queda do desgraçado em direção ao chão.    


Nesse cenário e nesse tempo, o Colepa penava para conseguir profissionais da educação. A um tempo, necessitava de dois professores de inglês e quatro de português. Após quatro meses de anúncio no principal jornal do Recife, apareceu uma professora de inglês que aqui permaneceu por alguns anos. 


Então o nobre leitor não vai tomar como exagero, dengo ou cabotinismo nós nos incluirmos na legião dos pioneiros que fizeram Paulo Afonso, os que nos deixam a cada dia com o coração pejado de saudade. 

Francisco Nery Júnior




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2 comentários


F. Nery Jr

04/10/2021 - 07:59:46

Na última foto, à direita, Hugo Heitor, modelo do aluno Colepa, cheio de méritos herdados do DNA do doutor Hugo Heitor, seu pai, um dos membros da legião dos homens de bem que fizeram Paulo Afonso. Na sua frente, as Maria Quitérias, Joana Angélicas, Ana Neris, Joana D’Arcs, Anita Garibaldis, Golda Meirs, Angela Merkels; professoras Dirce Georgina, Noêmi, Vera Campelo, Ana Miná, Nazaré Feitosa, Helena, Terezinha, Socorro Magalhães, doutora Francisca – todas elas, de certa forma, “legado acerbo de um sonhar que é morto”. Verifiquem o garbo com que conduzem os estandartes! É preciso acreditar naquele Colepa de antão para assim proceder, representando os milhares de alunos outros que vieram depois.


Geliton Pereira da Silva

03/10/2021 - 23:58:05

Muito legal recordar tudo isso. Cheguei em 1972 e voltei para o Rio em 1984. Cheguei com esposa e duas filhas, uma com 3 anos e outra com seis meses. Em outubro de 1974 nasceu o meu filho no HNAS. Acreditamos na Chesf no sistema de saúde e educação. O COLEPA era como se fosse uma universidade em razão da capacidade da banca de professores em preparar os alunos para enfrentar as Faculdades em qualquer território brasileiro. Somos testemunhas dessa maravilhosa época em Paulo Afonso.


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