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Professor Nery

Réquiem para o Nair Alves de Souza

Publicada em 09/01/21 às 22:39h - 640 visualizações

por Francisco Nery Júnior


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Réquiem para o Nair Alves de Souza
 (Foto: Arq. do jornal Folha Sertaneja)


Requiescat in pace, costumamos ver em sepulturas. Dentro descansa corpo e alma. Apenas corpo para alguns. Que descanse em paz, em requiem aeternam, o nosso Nair Alves de Souza. A novela que nos cansava acabou – como acabou para os clubes e para o sistema de ensino do antigo Acampamento Chesf. A Chesf se livrou do hospital. Em capitalismo liberal, a meta é o lucro e pronto acabou. 


Não acabou, porém, a oportunidade de algumas considerações. Pensemos, se temos um cérebro para pensar. Esquecer, ou descansar, requiescere em latim, não impede que consideremos o destino do nosso prezado hospital, provedor há décadas do único socorro em termos de saúde para toda uma região. Os grandes aportes de capital para o hospital pela Chesf não foram em vão. Atendimento, remédios, intervenções ou mesmo mingau não foram em vão. Muitos sertanejos fortes assim permaneceram por causa do nosso Nair Alves de Souza. 


Mas o hospital, agora solto e largado – assim a situação se nos apresenta -, que fim terá? Por quem será gerido? Todo o seu legado será, pura e simplesmente, jogado no lixo? Onde a alma de quem poderia tê-la? Ainda que fosse um hospital veterinário, ainda assim não mereceria o descarte que nos parece cruel. No caso, vidas foram, têm sido e deverão ser salvas por um hospital de gente! Vidas salvas e sofrimento atenuado. Para que lucro sem vida, saúde e bem-estar? 


Não poderia um consórcio ser estabelecido como o destino mais lógico para o hospital considerando que o atendimento é oferecido a toda uma região? Temos uma escola de formação de médicos no Vale do São Francisco. Não precisaria ela de um hospital-escola? [Isso] não salta aos olhos? 


Se a assistência do HNAS tem sido para toda uma região do país, a coordenação não deveria ser feita pelo Governo Federal? A pressão não caberia aos nossos representantes no Congresso Nacional? 


À Chesf, agora livre e solta, que poderíamos dizer; apenas lembrar? Eles são passarão. Nós, passarinho. Como uma gota d´água carregada no bico, ousaríamos deixar cair no reservatório formidável da companhia: “Se a vossa justiça não exceder à [justiça] dos escribas e fariseus, vós não sois dignos do Reino dos Céus”. 

Francisco Nery Júnior 




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6 comentários


Socorro Mendonça

10/01/2021 - 14:59:39

Parabéns Imortal Nery!Você representou todos os chesfianos, que deram o melhor de si, para construir, dá vida e lucros à empresa CHESF, e hoje, estão aderiva... (assistência quando internados). Médicos particulares em preços absurdo!E agora, o município obrigado a assumir ( em meio de uma PANDEMIA), um Hospital que atende a um raio enorme de pacientes dos Estados citados.Chegou a hora do:SENHOR, TENDE PIEDADE DE NÓS!


Carmem

10/01/2021 - 10:35:03

Concordo com Edigar, infelizmente é lamentável certas atitudes. Esperamos que a mão do Senhor esteja sobre essa ação.n


F. Nery Jr.

10/01/2021 - 09:53:51

Este nosso adendo se baseia na convicção que a Chesf é parceira. Não a vemos como algum ogro perverso nos tirando a nossa riqueza. Ela tem sido parceira. Até agora tem sido. A partir de 1º de janeiro, ela deixou o hospital em petição de miséria? Está o HNAS na rua da amargura? Ou a Chesf continuará parceira ao ceder as instalações, ao fornecer energia sem custo e coisas semelhantes? Uma boa oportunidade se apresenta para a companhia - se ainda nos considera ex-empregados, parceiros e amigos - nos comunicar se há a intenção - ou a sensibilidade - para tal. Na Meca do capitalismo, Estados Unidos, as grandes empresas, a classe média americana, os milionários excedem a cartilha do capitalismo liberal e da lei e "jump in". Eles "pulam dentro" e participam. Eles não são tolos. Sabem ser perigoso a caldeira explodir. Tenho dito.


ISAC DE OLIVEIRA

10/01/2021 - 07:43:54

Sua crônica professor Nery, expressa o meu sentimento, acredito que dê muitos, faço minhas as suas palavras.


Edigar

10/01/2021 - 00:25:15

Belo o artigo, belo o comentário. Somos realmente passarinhos com a certeza de que todos “passarão”. Fica a saudade dos belos tempos do Nair de vento em popa.


professor Galdino

09/01/2021 - 22:54:09

Esse teu artigo sobre o Nair reflete, com certeza, a dúvida de muitos sobre como será o amanhã, no que se refere à saúde pública.Acompanhei por dezenas de anos as muitas idas e voltas dos processos de negociação para a transferência deste Hospital.Vi, enquanto chesfiano e atuando na área que acompanhada a vida do hospital, tanto os custos que a Chesf tinha a cada ano como o desrespeito de prefeituras da região que tinham esse hospital como o único em um grande raio de distância. Ele atendeu, por dezenas de anos, pacientes de mais de 25 municípios de 4 Estados: Bahia, Alagoas, Sergipe e Pernambuco. Na maioria dos casos as ambulâncias chegavam com os pacientes e assim que os maqueiros levavam para o pronto socorro, os motoristas levavam as ambulâncias embora e quando havia necessidade, e foram muitas, de levar esse paciente para outros lugares era a Chesf que bancada tudo. E eu me pergunto: vai mudar alguma coisa? A prefeitura de Paulo Afonso tem condições de arcar com esses custos? O SUS está organizado no HNAS para receber toda essa carga regional? De fato, o momento é delicado. A Chesf, por exigência federal desde o governo de Fernando Henrique, só pode cuidar de gerar, transmitir e comercializar energia hidrelétrica. E os milhares de heróis anônimos e os seus descendentes que construíram esse patrimônio chamado Chesf, agora são descartáveis.


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