
25 de Julho, Dia do Escritor. Parabéns a todos os “Profissionais da Solidão!”
São os votos do Jornal Folha Sertaneja e do site www.folhasertaneja.com.br
Por Antônio Galdino
O dia 25 de julho é comemorado no Brasil como Dia do Escritor. “A data teve origem em 1960 com a realização do Primeiro Festival do Escritor Brasileiro, organizado pela União Brasileira dos Escritores sob a presidência de João Peregrino Júnior e Jorge Amado.
O objetivo da data é ressaltar a importância do trabalho desses profissionais, que através da escrita têm o poder de transmitir conhecimento, cultura, contar histórias, criar personagens marcantes e transformar não só as pessoas, mas também o mundo”.
Escrevi uma vez que o escritor é o companheiro da solidão. É mesmo no isolamento, em momentos de busca de respostas ou de questionamentos sobre situações, coisas e pessoas que é onde nascem os poemas, as crônicas, contos, romances, as novelas da televisão, os filmes que nos empolgam, onde se ressalta o ambiente real ou imaginário que dá vida a histórias que, por outro lado, têm o poder de adoçar a vida de outros, instigar sua própria imaginação...

Há mais de quatro anos atrás, recebi do amigo Edson Mendes, confrade da ALPA, o livro de Cecília Prada, escritora e jornalista muitas vezes premiada, chamado Profissionais da Solidão (SENAC/São Paulo-SP-2013) que fala justamente dessa interação entre o escritor e a solidão, analisando vários escritores.
Nesse livro se afirma que “a solidão não anda sozinha. Junto a ela podem estar as vozes da inquietação, da dúvida, do questionamento, da alegria ou da tristeza. Não é fácil entender as ideias que pairam na solidão; mesmo assim, diversos autores conseguiram compreender estas palavras, interpretar a densidade de um pensamento ou momento e registrar tudo isso em uma folha de papel. São eles os verdadeiros profissionais da solidão, aqueles que, de fato, encontraram na solidão a força para abranger a complexidade do mundo.”
Um dos grandes educadores e escritores contemporâneos, Rubem Azevedo Alves, psicanalista, educador, teólogo, escritor e pastor presbiteriano brasileiro, foi autor de livros religiosos, educacionais, existenciais e infantis, tendo escrito 160 obras. Ele viveu 80 anos e nos deixou há 11 anos, em 19 de julho de 2014.

Dele colhemos uma das mais preciosas definições do que é ser escritor. Ele disse: “Escrever é meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores! Torço para que sejam ipês amarelos.”
A Academia de Letras de Paulo Afonso, fundada em 5 de novembro de 2005, reúne no seu quadro 40 membros. Nem todos são escritores, no sentido de terem livros editados, mas todos têm em comum o gosto pela leitura e pela escrita que se apresenta de várias formas, seja na criação de crônicas, publicadas regularmente em jornais, sites, blogs, ou na elaboração caprichosa de monografias, teses de mestrados, doutorados e pós-doutorados, sendo destacados pesquisadores, professores universitários, educadores de jovens e adolescentes.

E, em pesquisa que realizamos quando na presidência da ALPA, lá pelos anos de 2020, descobriu-se que em Paulo Afonso, desde os seus primeiros tempos de vida já nasceram mais de 100 escritores, sendo o primeiro deles, quando Paulo Afonso ainda era Distrito do município de Glória, o primeiro presidente da Chesf, Antônio José Alves de Souza que resolveu apresentar um relatório da empresa no formato de livro chamado Paulo Afonso, no ano de 1954, publicado pela Editora Progresso do Rio de Janeiro, onde era a sede da hidrelétrica.
De lá para cá, muitos outros pauloafonsinos têm escrito e publicado livros, de poesias ou de relatos sobre pessoas e instituições de Paulo Afonso e região.

Há pouco, reencontrei na minha modesta biblioteca, alguns livros de autores pauloafonsinos, muitos in memoriam, que me fizeram reencontrar personagens da vida de Paulo Afonso dos seus primeiros tempos.
Reli dois livros de Filadelfo Pereira de Sousa, O Cubano Vermelho e Pena do Talião, onde ele fala do Mestre Brito, dos desajustados que toda cidade tem como Manoel da Perna Cortada, Maria Doida, Fedegoso, Penoso. Revi Manoel Barros de Freitas, autor de O Crime da Libanesa e Versos Di...Versos, como Filadelfo e como eu, nós três, em anos diferentes, ex-alunos do Ginásio Paulo Afonso, editores do Jornal A Voz dos Estudantes e, os três também presidentes do Grêmio do GPA. Que bom rever esses momentos...
No Dia do Escritor, quero trazer à memória a história de uma luta de décadas dos escritores de Paulo Afonso, que se ressentem do apoio da gestão municipal e de empresários para publicarem seus escritos, pois elevados são os preços das editoras para publicarem livros e revistas.
A ALPA, enquanto instituição cultural também tem buscado, desde a sua criação em 20 de novembro de 2005, o reconhecimento pela gestão pública e pelos empresários da importância da Literatura, considerada a mãe de todas as artes, pelo simples fato de que um filme, uma peça de teatro, uma novela da televisão, a poesia de uma canção, serem, textos, escritos, construções literárias, antes da representação de todas essas nobilíssimas artes – cinema, teatro, música.
Todos esses escritores se ressentem da falta de apoio dos órgãos públicos e de empresas no apoio à publicação de suas obras. Ainda assim, com investimentos próprios e pequeno apoio de um ou outro empresário, também amantes da leitura e da escrita, têm publicado seus livros.
Nos últimos anos, quando presidente da ALPA e como cidadão de Paulo Afonso, vivendo do salário de aposentado e com oito livros e sete revistas publicados e a manutenção há mais de 21 anos de um jornal – Jornal Folha Sertaneja e um site – www.folhasertaneja.com.br – com amplo espaço dedicado a estes escritores e seus livros e com o precioso resgate de memórias e a história Paulo Afonso, assim como outros também pesquisadores, poetas, sonhadores, escritores, sem nenhum apoio oficial do poder público.
Como cidadão de Paulo Afonso, bem antes de ser presidente da ALPA e depois desse cargo que muito me honrou, continuo nessa luta. Já fizemos ver a muitos dos prefeitos de Paulo Afonso que os orçamentos da Secretaria de Cultura e Esportes, sempre de milhões de reais, atualmente de cerca de 12 milhões, são destinados à cobertura de muitos grandes eventos e não existe uma rubrica, para onde se destine algum valor para apoiar os muitos escritores de Paulo Afonso ou, em outras palavras, não existe uma política municipal de apoio à produção de livros e disso também se ressentem os produtores de cinema e de teatro.
Nesse Dia Nacional do Escritor, renovamos a nossa esperança que esse desinteresse seja corrigido e se criem políticas para esta importante área cultural – a publicação de livros, revistas, jornais – para que histórias como a de Mestre Brito e memórias como as de Pedro Ferreira, da antiga Sacol, que nasceu na Roça, trabalhou muitos anos em Paulo Afonso e chegou à Assembleia Legislativa do seu Estado, Alagoas e deixou registrada a sua caminhada por essas terras no livro Da Enxada ao Parlamento, produzido em 1989.
Como estes há dezenas de outros exemplos como as minhas próprias produções e de outros poetas e escritores que não conseguem tirar os seus escritos das gavetas onde ficam amarelados pelo tempo.
Há a necessidade de se pensar em políticas públicas para esta área e com isso, fazer brotar talentos, jovens e até escritores idosos, como Cora Coralina (Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas), de Goiás Velho/GO que só lançou o seu primeiro livro aos 75 anos e é considerada uma das mais importantes poetisas e contistas brasileiras.
Ao abraçar a cada um desses colegas escritores, “profissionais da solidão”, no Dia do Escritor, como temos feito ao longo de todos esses anos, informamos que continuamos disponibilizando os espaços no site www.folhasertaneja.com.br, assim como no Jornal Folha Sertaneja, há anos online, por falta de apoio para continuar impresso, para divulgar, sem custo, as produções de todos os escritores pauloafonsinos e da região.
Parabéns a todos os escritores. E que, apesar das dificuldades, possamos continuar contando histórias de pessoas, das instituições, da vida, que permanecerão como legado e fonte de pesquisa para as gerações futuras.
Antônio Galdino da Silva
Escritor
Paulo Afonso/BA., 15/07/2025


Estimado Professor Galdino,Parabenizo-lhe pelo seu dia, NACIONAL DO ESCRITOR, por seu talento, persistência e coragem em manter esse Jornal - Folha Sertaneja - ainda que de maneira on-line, nos permitindo alcançar seus informes tão respeitosos e calorosos.Posto isso, vamos torcer e reivindicar aos órgãos competentes, voltados para cultura, que coloquem esse maravilhoso Jornal em seus orçamentos. Memórias nos importam!xtqAssim sendo, Professor, vai aqui meu fraterno abraço de admiração.
Parabéns aos Escritores pelas suas iluminadas viagens culturais.3