Laço de Luto
in memoriam
Professor Antônio Galdino

noticias Seja bem vindo ao nosso site Jornal Folha Sertaneja Online!

Professor Galdino

Do cangaço e outras conversas

Publicada em 16/07/25 às 01:38h - 350 visualizações

Antônio Galdino


Compartilhe
Compartilhar a noticia Do cangaço e outras conversas  Compartilhar a noticia Do cangaço e outras conversas  Compartilhar a noticia Do cangaço e outras conversas

Link da Notícia:

Do cangaço e outras conversas
 (Foto: Divulgação Luiz Rubem e João de Sousa Lima, Net e Arq. Jornal Folha Sertaneja)

Do cangaço e outras conversas

Antônio Galdino

Mês de julho, passado o pipocar dos fogos juninos, começa o tiroteio das lembranças do cangaço por todos os rincões sertanejos.

Encontros de estudos, lançamentos de livros, celebrações de missas, um ritual que se repete todo ano, o ano todo, mas especialmente em julho que é o mês da morte de Lampião, Maria Bonita e 9 cangaceiros na Grota do Angico, em Poço Redondo/SE, mas cuja trilha de melhor acesso é saindo de Piranhas/AL pelo Rio São Francisco.

O município de Paulo Afonso/BA, tem muitas histórias sobre o cangaço porque Lampião, um dia decidiu, vir para o Estado da Bahia e se arranchou por estas terras pauloafonsinas que, na época, pertenciam ao município baiano de Glória e passaram a ser território de Paulo Afonso quando da sua emancipação política, em 28 de julho de 1958, exatos 20 anos depois do massacre de Angicos que foi em 28 de julho de 1938.

Lampião e seu bando viveram por uns 10 anos nas terras do Raso da Catarina, pois entraram em terras da Bahia em 1928 e foi no Povoado Malhada da Caiçara, que passou a ser do município de Paulo Afonso na sua emancipação política, onde nasceu Maria Gomes da Conceição que viria a ser a Maria Bonita, a Maria do Capitão Virgulino Ferreira, o Lampião.

As lembranças dos cangaceiros por essa região sempre foram evocadas, mesmo que de brincadeira, ainda antes da cidade de Paulo Afonso nascer, quando o escafandrista da Chesf, Guilherme Luiz dos Santos criou o Grupo Cangaceiros de Paulo Afonso, no dia 02 de fevereiro de 1956, onde ele passou a ser o Lampião e seus amigos ganharam os respectivos apelidos oriundos dos seguidores reais de Lampião: Zé Vieira passou a ser o “Corisco”, Francisco Joaquim era o “Salamanta”. Uma homenagem ao cangaço e suas tradições, com apresentações para convidados e turistas na região. O grupo folclórico continua ativo e já se prepara para no próximo ano comemorar redondos 70 anos.

Este ano, na nova gestão municipal, no final do mês de março, Paulo Afonso viveu uma semana inteira dedicada a eventos associados ao tema. A prefeitura organizou o que chamou de Oxente Cangaço, promoveu atividades associadas ao tema que teve como culminância o que se chamou de “Baile Perfumado”, “nome de um filme brasileiro de 1996, do gênero drama, com direção conjunta de Lírio Ferreira e Paulo Caldas. É considerado um marco da retomada do Cinema Pernambucano. Em novembro de 2015 esse filme entrou na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos”. (Wikipédia)

O ponto alto da Semana foi a presença do Cariri Cangaço reunindo mais de uma centena de escritores, pesquisadores, estudiosos em reuniões de estudos e debates sobre tema cangaço, realizados na Escola Municipal Vereador João Bosco Ribeiro e com visitas a trilhas e marcos do cangaço na região pauloafonsina como o Museu Casa de Maria Bonita, na Malhada da Caiçara e em outros povoados, todos acompanhados por João de Sousa Lima que conhece toda essa região.

Agora. em Julho, nos dias 25 a 28, o Cariri Cangaço vai se arranchar ali pertinho, pras bandas de Piranhas/Alagoas e novo ciclo de estudos e visitas já estão programadas sobre o tema que já rendeu centenas de livros, teses de mestrado e doutorado, documentários, séries e novelas da televisão e justo agora, nesse tempo do estudos mais efervescentes, a Rede Globo lança a novela, como uma minissérie de apenas 45 capítulos com o mesmo nome do livro de Frederico Pernambucano de Melo – Guerreiros do Sol, numa adaptação livre, inclusive misturando a luta pelo voto feminino, briga de irmãos e amor de lésbicas, no meio da caatinga e nos anos de 1930 o que já está assanhando os debatedores do tema nesse Cariri Cangaço de Piranhas, nos próximos dias...

Em Paulo Afonso vários escritores têm dedicado algum ou muito tempo nesses estudos e na produção de livros e documentários. Além de Voldi Ribeiro (in memoriam), Edson Barreto, Rubinho Lima, Gilmar Teixeira escreveu Piranhas no tempo do Cangaço e ainda outros grandes pesquisadores, como Luiz Rubem Alcântara Bonfim e João de Souza Lima, os cinco últimos, membros da Academia de Letras de Paulo Afonso, têm se destacado com muitos livros sobre esse tema, embora Luiz Rubem e João de Sousa tenham estilos bem diferentes.

Luiz Rubem se aplica em respeitada pesquisa bibliográfica, de publicações sobre o cangaço na imprensa no auge dos movimentos de cangaceiros e policiais pelos sertões nordestinos e já escreveu cerca de 20 livros sobre o tema e estará lançando a sua mais recente produção, Lampião seus perseguidores e o jornalismo desvirtuado – 1935. Segundo o autor, o lançamento oficial será no Cariri Cangaço que será realizado nos dias 25 a 28 de julho de 2025, em Piranhas/AL.

João de Sousa Lima optou em investigar, pesquisar lugares e pessoas que têm direta ligação com os cangaceiros. Com esse propósito, percorreu trilhas e estradas vicinais de Paulo Afonso e municípios vizinhos, por dezenas de vezes, somando alguns milhares de quilômetros fazendo descobertas inéditas de cangaceiros, coiteiros e lugares percorridos pelo bando de Lampião nas terras do Raso da Catarina e no seu entorno, que, nos tempos de Lampião, como dissemos, pertenciam ao município de Glória e a partir de 28 de julho de 1958, fazem parte do território de Paulo Afonso/BA.

João também carrega o mérito de ter reencontrado a cangaceira Aristéia que morava no Povoado, hoje Distrito de Jardim Cordeiro, que pertence ao município de Delmiro Gouveia, do lado alagoano da Ponte D. Pedro II, que separa Delmiro Gouveia do município de Paulo Afonso.

João também reencontrou a cangaceira Dulce e promoveu emocionante encontro dela com a família, encontros importantes, mas, nesses muitos anos de pesquisa e de viagens, o encontro com os cangaceiros Moreno e Durvinha contribuiu para ampliar o seu reconhecimento no meio dos que estudam esse tema.

Esse encontro rendeu uma longa história, um livro e o filme/documentário “Os Últimos Cangaceiros” uma produção de Enrique Hernández e enredo e direção do cinegrafista Wolney Oliveira. O filme tem 1h 19min, teve o seu lançamento mundial em junho de 2011. Veja mais sobre ele em www.primevideo.com.

João de Sousa Lima já escreveu dez livros sobre esse tema, cangaço, sendo que os livros Lampião em Paulo Afonso e Maria Bonita, a Rainha do Cangaço, estão saindo em sua terceira edição e também serão lançados nesta edição do Cariri Cangaço em Piranhas, ali realizado no final do mês de Julho de 2025, em parceria com a Academia Piranhense de Letras e Artes.

Mais informações sobre estes dois escritores e outros no ESTANTE DA FOLHA, brevemente.




ATENÇÃO:Os comentários postados abaixo representam a opinião do leitor e não necessariamente do nosso site. Toda responsabilidade das mensagens é do autor da postagem.

Deixe seu comentário!

Nome
Email
Comentário
0 / 500 caracteres


Insira os caracteres no campo abaixo:








Nosso Whatsapp

 (75)99234-1740

Copyright (c) 2026 - Jornal Folha Sertaneja Online - Até aqui nos ajudou o Senhor. 1 Samuel 7:12
Converse conosco pelo Whatsapp!