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Professor Galdino

TURISMO - Turismo no Cânion do rio São Francisco: recomendações do Serviço Geológico do Brasil – SGB

Publicada em 26/04/22 às 16:23h - 292 visualizações

por Antônio Galdino com informações do UOL


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TURISMO - Turismo no Cânion do rio São Francisco: recomendações do Serviço Geológico do Brasil – SGB
Parte inicial do cânion do rio São Francisco em Paulo Afonso/Bahia  (Foto: Fotos: Antônio Galdino)

Acabo de ler no site UOL, importantíssima reportagem do Colunista Carlos Medeiro, publicada hoje, 26/04/2022 às 04h00 (de que disponibilizamos o link no final deste texto) onde ele fala da vistoria que o Serviço Geológico do Brasil – SGB – realizou ao longo do cânion do rio São Francisco entre os Estados da Bahia, Alagoas e Sergipe, a pedido dos governos de Alagoas e de Sergipe, vistoria realizada entre os dias 14 e 23 de fevereiro de 2022, tendo em vista a tragédia que aconteceu recentemente nos paredões do cânion de Capitólio, em Minas Gerais.

A visita foi feita em 19 locais deste cânion que tem 65 quilômetros de extensão e é o grande reservatório da Usina Hidrelétrica de Xingó, acumulando 3,2 bilhões de metros cúbicos de água nesse trecho do rio São Francisco, que se inicia na Ponte D; Pedro II, em Paulo Afonso, na divisa dos estados da Bahia e Alagoas e tem, em alguns lugares a profundidade de 180 metros.

Em incontáveis passeios de lancha, de catamarã, tanto na região de Xingó como na região do Rio do Sal e Xingozinho, em Paulo Afonso e ao longo de todo o cânion, de Paulo Afonso a Xingó como quando acompanhamos o repórter Francisco José da Rede Globo para a produção de uma matéria para o Globo Repórter – Natureza, sempre fizemos esses passeios com o olhar de contemplação da imensidão de sua beleza. 

Agora, com as importantes observações feitas pelos técnicos do SGB e fruto dessa reportagem de Carlos Madeiro para o UOL, buscamos em nosso acervo as fotos do cânion e vimos o que o olhar técnico mostrou e que gerou suas recomendações muito oportunas.

Há anos a exploração do turismo tendo os paredões do cânion como atrativo tem acontecido e, não se sabe se há algum controle de carga, de quantidade de pessoas que têm acesso, ao mesmo tempo a estas áreas.

A excepcional importância desta vistoria pode sim evitar tragédias como a que se viu em Capitólio.

Essa vistoria chamou a atenção deste escriba especialmente para dois momentos. O primeiro foi que os técnicos encontraram “13 pontos classificados como de "perigo alto" de acidentes” sendo que “os principais riscos identificados foram os da chamada movimentação gravitacional de massa (deslizamentos, queda e rolamento de blocos, desplacamentos e tombamentos), além de um possível destacamento de rochas”.

Diz o colunista do UOL que “O relatório traz recomendações que, segundo a Defesa Civil dos estados, foram aceitas”.

E acrescenta Madeiro que “imagens feitas pelos técnicos destacam várias rochas em condições parecidas com as do lago de Furnas, em Capitólio (MG), onde no início do ano o tombamento de uma rocha causou a morte de dez pessoas”.

No cânion do rio São Francisco, entre Paulo Afonso e Xingó, as áreas foram classificadas desta forma:

13 como de perigo alto;

3 de perigo moderado;

3 de perigo baixo”.

"O presente relatório, de caráter emergencial, conclui que a região dos cânions do lago Xingó apresenta, em sua maior parte, condições potenciais para a ocorrência de movimentos gravitacionais de massa, ao longo de seus paredões e taludes naturais", concluíram os técnicos....

Para os técnicos, o padrão e a frequência das fraturas das rochas torna a região "suscetível a instabilidades".

Além de sua vulnerabilidade natural, foi constatado em alguns dos pontos visitados, a existência de infraestruturas permanentes e móveis, onde ocorre a permanência de turistas e moradores da região, de forma frequente.

A segunda afirmação da matéria do UOL que chamou a atenção desse escriba foi a seguinte:

“A vistoria passou por cânions dos municípios de Canindé do São Francisco (SE), Piranhas, Delmiro Gouveia, Olho D'Água do Casado (AL). Também foram vistoriados cânions em Paulo Afonso (BA), mas no município não acontecem passeios turísticos”. (grifo nosso).

A informação mostra o pouco valor que se dá a esse atrativo turístico pelo município e empresários de Paulo Afonso, se levarmos em conta que o trecho do cânion do rio São Francisco no município de Paulo Afonso tem 17 quilômetros e é o de paredões mais altos chegando a quase cem metros de altura. 

Também nesse trecho do cânion do rio São Francisco no território de Paulo Afonso estão lugares de grandes profundidades mas há áreas de remansos muito apropriadas para o banho e o lazer. No final trecho do cânion no município de Paulo Afonso está a pequena ilha como marco natural da divisa dos Estados da Bahia, Alagoas e Sergipe, ilha chamada pelos guias de turismo de “Ilha de Ninguém” ou “Ilha de todo mundo” exatamente por estar na divisa desses três Estados nordestinos.

Voltando ao conteúdo da matéria do UOL, transcrevemos o texto com as conclusões do relatório do SGB e depoimentos de autoridades sobre o assunto dos Estados de Alagoas e Sergipe e, convidando a todos para acessarem toda a matéria pelo link, no final do texto.

Relatório SGB

Diante do cenário, o SGB afirma que há possibilidade de acidentes, mas que é possível manter a atividade turística na região desde que as normas de segurança sejam seguidas. "O lago e seus braços possuem largura suficiente para que as embarcações possam se manter a uma distância maior que uma vez a altura dos paredões", diz o relatório. O documento ainda faz uma série recomendações aos governos de Sergipe e Alagoas, como:

Avaliar a remoção ou contenção de blocos soltos e instáveis de áreas onde é comum a presença humana;

Utilizar boias flutuantes na demarcação de perímetros de interesse;

Dar preferência a locais onde a face do paredão se afasta da margem do lago;

Manter o tráfego de embarcações a uma distância mínima de uma vez a altura do paredão;

Evitar visitas e passeios em dias com elevadas previsões de precipitação;

Criar um plano de contingência, para ser usado na eventualidade da ocorrência de acidentes;

Fiscalizar e proibir a construção ou visitação em áreas protegidas pela legislação;

Instalar sistema de alerta para as áreas suscetíveis.

Estados prometem cumprir orientações

Segundo o tenente-coronel Luciano Santo Queiroz, diretor do Departamento Estadual de Proteção e Defesa Civil de Sergipe, todas as sugestões do SGB foram acatadas, e as mudanças já estão em curso.

"95% das informações de riscos se devem à proximidade do paredão, e já está se mantendo uma distância segura.

A gente vai colocar boias que vão ajudar a balizar o limite em que as embarcações podem chegar porque há rochas que podem se desprender", explica. As boias ficarão a uma distância da metade da altura do paredão....

Segundo Queiroz, as situações que envolvem entes privados, como condutores e empresários que exploram os passeios na área, também já estão sendo resolvidas.

"Nosso trecho de navegabilidade é bastante largo, o que favorece o distanciamento em relação aos paredões.

Como foram 13 áreas citadas, a gente tem uma atividade com uma margem de segurança alta hoje", garante.

O coordenador estadual da Defesa Civil de Alagoas, tenente-coronel Moisés Pereira de Melo, afirma que as medidas adotadas pelo estado serão as mesmas de Sergipe, com alguns acréscimos....

"Vamos fazer o redimensionamento das formas quadradas das áreas de banho para retangulares, para tornarem a ação mais segura. Todos os marinheiros irão realizar curso também, nessa parceria com o SGB", diz....

Outra medida é o monitoramento da área por um geólogo contratado em uma parceria público-privada com as empresas que operam o turismo no local.

Além disso, a escada que dava acesso à única gruta da região que recebia visitas será retirada. "Ela só poderá ser vista da dentro da embarcação", diz Melo.

Teremos com isso um risco controlado. Com essas medidas, os cânions do São Francisco passarão a ser os mais seguros do país. (Moisés Pereira de Melo, Defesa Civil de Alagoas)

O coordenador do Laboratório de Progeologia da UFS (Universidade Federal de Sergipe), Antônio Jorge Garcia, explica que a região dos cânions se constitui como uma unidade de conservação, o chamado "Monumento Natural do Rio São Francisco".

"Ela foi criada com o intuito de proteger e preservar toda a beleza cênica envolvida pela diversidade geológica presente na área, com todas as suas nuances", explica.

Para ele, as medidas sugeridas pelo SGB, se seguidas pelos estados, podem dar segurança, sem a necessidade de intervenções nas rochas. "Não faz sentido você macular a beleza paisagística de muitos desses pontos se podemos isolar os perigos destacados apenas fazendo com que os turistas mantenham uma distância segura", diz.

Segundo ele, a simples medida de manter um distanciamento seguro em relação a paredões rochosos seria suficiente para evitar tragédias como a de Capitólio. "Não teríamos nem mesmos feridos se isso fosse respeitado", completa....

Veja toda a matéria acessando este link:

https://noticias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/2022/04/26/relatorio-aponta-13-pontos-de-alto-perigo-em-canions-do-rio-sao-francisco.htm




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