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Professor Galdino

Semana do Meio Ambiente –Os gritos de socorro do Rio São Francisco

Publicada em 03/06/21 às 12:57h - 939 visualizações

por Antônio Galdino


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Semana do Meio Ambiente –Os gritos de socorro do Rio São Francisco
Início do cânion do rio São Francisco em Paulo Afonso. Ao fundo, o Grande Hotel de Paulo Afonso e, mais ao fundo a Usina Hidrelétrica Paulo Afonso 4  (Foto: Fotos de João Tavares)

Nos meses de junho de cada ano, no começo da semana, - SEMANA DO MEIO AMBIENTE - sempre aparecem matérias nos jornais e sites, grandes reportagens nos telejornais, tudo falando da necessidade do homem, dos governos, das nações protegerem o meio ambiente que, na verdade, é o ambiente todo.

Por estas regiões sertanejas, repetem-se os gritos de alerta para salvar a vida, sempre cada dia mais ameaçada do rio São Francisco que é a razão da vida e do desenvolvimento em todo o seu trajeto de quase 3 mil quilômetros, desde a Serra da Canastra em São Roque de Minas, Minas Gerais até o seu abraço fatal com o Oceano Atlântico, entre os estados de Sergipe e Alagoas.

As ações do homem ao longo desse rio que já foi considerado “rio da unidade nacional”, “caminho da civilização”, o Velho Chico dos mais íntimos e o Opará (rio mar) dos indígenas, vêm matando, aos poucos esse rio de tanta grandeza e importância.

As grandes barragens destruíram suas belas cachoeiras, como os saltos de Sobradinho e de Itaparica, as corredeiras do Rio do Sal, em Paulo Afonso, e a grande e majestosa Cachoeira de Paulo Afonso que mereceu versos igualmente grandiosos de Castro Alves e até a visita do Imperador D. Pedro II que, para os estudiosos do turismo, se transformou no primeiro turista de aventura por estas terras sertanejas.

O milenar rio São Francisco, embora só descoberto há 520 anos na manhã de 4 de outubro de 1501, uma expedição exploradora comandada por Américo Vespúcio e Gonçalo Coelho – outros falam em André Gonçalves-, chega a foz de um grande rio, em território brasileiro, que os índios chamavam de Opará, em tupi, rio-mar e, por tradição portuguesa, lhe deram o nome de São Francisco, o santo do dia.

O poeta, de saudosa memória, Diogo Andrade Brito, diz em seu poema que virou música...

“As águas da Cachoeira

Rolam, rolam, sem parar...”

A grande Cachoeira de Paulo Afonso, como já dizia o poeta e historiador José Carlos Feitosa, de saudosa memória, em 1980, é “apenas um retrato na parede”.

Mas, desde o começo, apesar das muitas promessas, muitas vezes repetidas, por muitos governos – tudo muito – ainda estão devendo, de forma intensa e permanente, a revitalização desse manancial que é a razão da vida de muitos milhões de brasileiros...

A cada hora se diz que o rio agoniza... Mas todos parecem cegos, surdos e mudos a esses gritos...

Sem o rio São Francisco, não existiria a Chesf e suas muitas usinas hidrelétricas, nem Paulo Afonso e outras muitas cidades às suas margens.

Mas, o homem, dele tira apenas o que lhe interessa... os peixes, as águas para produzir energia elétrica, e desmatam suas margens, provocam assoreamento, empestam os rios de esgotos e de produtos tóxicos e hoje, enfraquecido o rio nem consegue chegar mais pra dentro do mar... começa a morrer bem antes desse abraço fatal...

O pauloafonsino Luiz Tenório fez uma bela música onde fala:

“Ele veio lá da Serra da Canastra

Se arrastando que nem cobra pelo chão

De Pipapora passou em Pilão Arcado

Em Petrolina irrigou a região.

Desceu direto chegando em Paulo Afonso

Abraçou a cachoeira, fez aquela alegria

E no impacto da queda da cachoeira

Hoje vemos suas águas transformarem em energia.

Rio São Francisco vem descendo devagar

Sai da Serra da Canastra e vai bater no meio do mar.”

Meu caro poeta Luiz Tenório, infelizmente esse nosso rio amado não mais abraça a cachoeira que não mais existe. Também falta ao rio a força para “bater no meio do mar”... Fraquinho, é o mar que vai bater no meio do rio, quilômetros antes...

Os moradores mais próximos da foz do rio precisam ir, rio acima, em busca de água doce. O povoado Cabeço há muitos anos foi engolido pelo mar como declarou uma moradora do local ao repórter José Raimundo para um programa Globo Repórter: “O rio tá fraco... o mar tá engolindo o rio”.

Grande verdade de quem teve sua casa destruída pelas águas do mar que avançam rio acima... Do povoado só resta o farol, perdido e sem valia, no meio das águas do mar...

Todos os anos, na Semana do Meio Ambiente, repetem-se as muitas reportagens e os apelos por clemência. Não deixem o rio morrer.... O rio São Francisco está morrendo... O rio precisa urgente de sua revitalização... O que será que está acontecendo com o rio que o seu leito está infestado das plantas baronesas?

Em Outubro de 2020, mês do aniversário do rio São Francisco, a Academia de Letras de Paulo Afonso produziu um livro chamado Rio São Francisco em Prosa e Versos, com artigos, textos e poesias de autores pauloafonsinos sobre esse nosso Velho Chico...

Boa parte dos exemplares foi entregue à Secretaria de Educação de Paulo Afonso para ser enviado às escolas que vivem as restrições impostas pela pandemia do coronavírus. O livro foi também entregue a outras bibliotecas, instituições e o seu conteúdo precisa ser lido e trabalhado, vivenciado.

Os interessados em conhecer esse conteúdo talvez ainda o encontrem na Suprave, vendido por apenas R$20 reais... Foi a forma que a ALPA encontrou, através de seus membros, de gritar por socorro pelo esse rio que só tem trazido progresso e desenvolvimento para todos...

Nunca esquecemos dos gritos de socorro do Velho do Rio, José Threodomiro, nascido em Petrolina, cidadão baiano, defensor do rio São Francisco em todo o tempo, até a sua morte, em 2003.

É dele esse depoimento emocionado:

“Está enfraquecido o Velho Chico, e agoniza, jurado de morte que foi pela ganância e inconsciência dos seus próprios filhos. E quando ele morrer, no lugar onde hoje é a cachoeira Casca d’Anta, nós, que o amamos, faremos fixar no paredão da serra o epitáfio: ‘Por aqui passou um rio que foi destruído por um povo que usou a inteligência para praticar a burrice’.”

De novo, nos juntamos aos que também pedem socorro para esse rio, mesmo que isso pareça ser apenas mais uma cantilena repetida sempre, na semana do Meio Ambiente.

E agora, quando se anuncia a possibilidade da terceirização ou privatização da Chesf, que tem 95 por cento das suas usinas hidrelétricas instaladas no rio São Francisco, nunca é demais perguntar: como será a administração das águas desse rio para múltiplos usos, se os compradores das usinas hidrelétricas têm nessas águas o combustível para a movimentação dessas usinas?

De nossa parte, como temos feito há anos, não vamos esperar apenas a Semana do Meio Ambiente para dizer que o nosso rio São Francisco precisa URGENTE de sua revitalização para continuar oferecendo vida e desenvolvimento para milhões de brasileiros, através da irrigação, do turismo, da navegação, do fornecimento de suas águas para consumo humano e animal... Ah... e também para a produção de energia hidrelétrica.

A Semana do Meio Ambiente deve ter a serventia de nos lembrar que a defesa do meio ambiente, nessa defesa incluída a preservação da Caatinga, dos demais biomas, do rio São Francisco, não deve ser apenas uma ação na qual nos devemos envolver intensamente uma vez por ano.

O meio ambiente, todo o ambiente, deve ser preservado a todo momento para que continue havendo vida, e vida em abundância!




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4 comentários


Anibal Alves Nunes

18/06/2021 - 02:54:57

PROMETE VIRAR CARRANCALindo poema de José Tenório (Zé do Ló. Muitos poetas, escritores, jornalistas e defensores do Rio São Francisco vem manifestando o seu repúdio contra a triste situação em que se encontra o nosso majestoso "Velho Chico" em toda a sua extensão de 2860 quilômetros. Da nascente até a foz, o rio vem dando sinais de falência e abandono. Está carente de cuidados extremos, de pronto socorro, de revitalização. O Rio São Francisco passa por cinco estados, 521 municípios mais de 2.000 povoados, dezenas de tribos indígenas e quilombolas. Num total de 13 milhões de habitantes em suas margens. Imagine o volume de lixo, dejetos e esgotos despejados em seu leito. Se pelo menos as pessoas conscientes lutarem contra esse despejo dentro do seu leito, teremos algum resultado positivo. Caso contrário, surgirá brevemente o segundo Tietê do Brasil.


José Tenório

03/06/2021 - 18:47:06

Baronesa inocente flutua No rio já virando esgoto E o cidadão tão escroto Vai jogando lixo na ruaA coleta rotineira continua Não seletiva, mas francaEle pisa na grama, arrancaInconsequente o ano inteiro No dia dedicado ao padroeiro PROMETE VIRAR CARRANCADefende a transposição Porque quer gole também Diz amar e querer bemAo flúmem da integração Recorda Luiz rei do baião Canta volta da Asa BrancaBebe água, molha a pelancaAgradece ao ex- presidenteMas ignora um ex- afluente PROMETE VIRAR CARRANCA Companhia e companheira São coisas bem diferentes Quem prende águas correntesCala além de cachoeiraDesvale a vida caatigueira E joga o jogo na retrancaQuando a comporta se trancaRibeirinho não come a frutaO segmento que só desfrutaPROMETE VIRAR CARRANCA Comitês e Conselhos Grande mar de opiniões Numa escassez de ações Enchendo o mesmo aparelhoCódigo florestal é pentelhoPra justiça cega e mancaPoder econômico espancaPelos campos e cidadesDesdenha da sustentabilidade PROMETE VIRAR CARRANCA Nas declarações de afetosTão comuns ao Velho Chico Tem muito imundo cínico No seu mundo de dejetosSe projetam em projetosQuando aparece quem bancaA poluição não estancaNem falta quem usufrua Depois cada um na sua PROMETE VIRAR CARRANCASei que o justo e o pecador Pagam o mesmo pecado Versando entrego o recadoSem querer ser acusador O exemplo é educadorO impostor não se mancaA carapuça ele arrancaÉ mais um objeto jogadoE não se sente culpado PROMETE VIRAR CARRANCA Zé de Ló


pauloafonsino

03/06/2021 - 17:46:07

Existe secretaria do meio ambiente em Paulo Afonso?


Virgílio Agra

03/06/2021 - 14:53:04

Eu sofro com o que vejo hoje acontecer com o Rio São Francisco, sofro porque lembro daquilo que eu vi quando eu era criança e sofro porque sei que nenhuma criança jamais verá aquilo que um dia eu vi.


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