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Professor Galdino

Paulo Afonso, berço da Chesf, redenção do Nordeste, há 66 anos

66 anos da luz de Paulo Afonso para mudar a história do Nordeste

Publicada em 16/01/21 às 23:24h - 1317 visualizações

por Antônio Galdino


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Paulo Afonso, berço da Chesf, redenção do Nordeste, há 66 anos
Presidente da República, João Café Filho, inaugura a Usina Paulo Afonso, em 15/01/1955  (Foto: Arq. do jornal Folha Sertaneja)


Durante séculos a região Nordeste viveu em grande atraso e era comparada, quase sempre, às regiões mais pobres do continente africano. A miséria era absoluta. Os índices que medem o desenvolvimento humano eram os mais baixos enquanto a taxa de mortalidade infantil era das mais altas do país.

A energia que movimentava o Nordeste e iluminava as residências nas cidades de maior porte nesta região vinham de geradores, tinha pouca qualidade e poucas horas depois do pôr-do-sol eram desligados deixando casas e ruas às escuras.

Não havia como desenvolver grandes projetos industriais. Não havia eletricidade, a luz elétrica que iluminava e promovia o progresso de outras regiões do país.

Um sertanejo nascido em Altinho-PE, Apolônio Jorge de Farias Sales, formou-se em Agronomia. Destacou-se na política como senador da República e foi Ministro da Agricultura do governo do Presidente Getúlio Vargas. Esse ministério tinha sobre si a responsabilidade de administrar as questões relacionadas às muitas águas do Brasil e os projetos a elas relacionados.

Apolônio Sales começou então a apresentar projetos de construção de pequenas hidrelétricas. Fez assim para a pequena Hidrelétrica de Itaparica, no rio São Francisco, na região de Petrolândia, em seu estado, Pernambuco, para atender às necessidades do polo agrícola de Barreiras, naquela região.

Anos depois, levou ao presidente Vargas o projeto para a construção da Usina Piloto, no povoado Forquilha, território do município de Glória. Essa obra, do lado baiano do rio São Francisco, na visão do sertanejo de Altinho, poderia fornecer energia hidroelétrica para as cidades centenárias de Glória e Jeremoabo, em território baiano e forneceria a energia necessária para a construção de uma usina de grande porte, a Usina Paulo Afonso, para que, a ideia e o sonho de Delmiro Gouveia pudessem acontecer: levar a energia da força das águas do rio São Francisco para todo o Nordeste, a partir de uma grande empresa estatal.

Em 3 de outubro de 1945, o Ministro Apolônio Sales, levou para a assinatura do presidente Getúlio Vargas os Decretos-Leis Nº 8.031 e 8.032 que criavam a CHESF – Companhia Hidroelétrica do São Francisco. Getúlio assinou os decretos mas, 26 dias depois, em 29 de outubro de 1945, foi deposto. O Brasil passou a ter como presidente o jurista José Linhares, presidente do STF.

Em 31 de janeiro de 1946, o General Eurico Gaspar Dutra, ex-ministro da Guerra do governo do presidente Getúlio é eleito, de forma indireta, e assume o cargo de presidente do Brasil. Os decretos de criação da Chesf ficaram adormecidos nos arquivos do palácio do governo, no Rio de Janeiro por um bom tempo.

Em julho de 1947, a Revista O CRUZEIRO acompanhou a visita do presidente Dutra à Cachoeira de Paulo Afonso e ele estava acompanhado de grande comitiva formada por ministros e por governadores de estados da região Nordeste.

A partir dessa visita, os decretos de criação da Chesf ganharam vida e os estudos sobre esta região foram retomados a nível de governo federal.

Em 15 de março de 1948, o presidente Dutra nomeou a primeira diretoria da Chesf, formada pelos engenheiros Adozindo Magalhães de Oliveira, Carlos Berenhauser Júnior e Octávio Marcondes Ferraz sob a presidência do também engenheiro Antônio José Alves de Souza.

A partir de 1949, o pequeno e inexpressivo povoado de Forquilha, pertencente ao território do município de Glória/BA, começou a receber técnicos, engenheiros e uma multidão sempre crescente de trabalhadores para construir a Barragem Delmiro Gouveia e a Usina Paulo Afonso, a primeira subterrânea da América Latina, com os seus geradores instalados a 80 metros de profundidade e também o Acampamento da Chesf, cerca de 2 mil edificações.

As obras da engenharia brasileira, tanto o difícil fechamento do rio São Francisco como a construção da Usina Paulo Afonso, subterrânea, assombraram o mundo.

Em outubro de 1954 o rio foi desviado e suas águas começaram a fazer girar as máquinas e a energia das águas do rio São Francisco, a luz de Paulo Afonso, começou a percorrer os milhares de quilômetros das linhas de transmissão para mudar a vida do povo sofrido do Nordeste e permitir à toda a região nordestina a condição de desenvolvimento que a coloca em nível de igualdade com as outras regiões do país.

No dia 15 de janeiro de 1955, engenheiros e trabalhadores da Chesf em Paulo Afonso puderam acompanhar uma grande comitiva formada por governadores da região, ministros da República e outras autoridades regionais posicionados em frente da Usina Paulo Afonso, ao lado da Subestação Elevadora, e todos puderam ver o presidente da República, João Café Filho, nordestino do Rio Grande do Norte, inaugurar o funcionamento das primeiras máquinas desta Usina Paulo Afonso, que já levava a sonhada energia elétrica para Salvador e para Recife e, nos anos seguintes para oito dos nove estados do Nordeste.

Lembro de um depoimento do antigo engenheiro da Chesf, Antônio Feijó, em uma reportagem de jornal do Recife, dizendo de sua alegria quando a luz de Paulo Afonso chegou ao Recife e que sua primeira providência foi comprar um liquidificar para sua mãe e logo depois, geladeira e outros eletrodomésticos.

A chegada da energia das usinas da Chesf em Paulo Afonso aos mais distantes rincões do nordeste brasileiro foi de uma importância digna das maiores teses de doutorado em todo o mundo. A sua chegada mexeu muito com o orgulho dos sertanejos, desde os mais humildes moradores dos sertões aos governadores, prefeitos, vereadores, autoridades constituídas.

Até Luiz Gonzaga (nordestino de Exu/PE) e Zé Dantas, (nordestino de Carnaíba/PE) se empolgaram e criaram uma música contando essa história:

Paulo Afonso

Delmiro deu a ideia
Apolônio aproveitou
Getúlio fez o decreto
E Dutra realizou
O presidente Café
A usina inaugurô
E graças a esse feito
De homens que tem valô
Meu Paulo Afonso foi sonho
Que já se concretizô

Olhando pra Paulo Afonso
Eu louvo nosso engenheiro
Louvo o nosso cassaco
Caboclo bom verdadeiro
Oi! Vejo o Nordeste
Erguendo a bandeira
De ordem e progresso
A nação brasileira
Vejo a indústria gerando riqueza
Findando a seca
Salvando a pobreza

Ouco a usina feliz mensageira
Dizendo na força da cocheira
O Brasil vai, o Brasil vai
O Brasil vai, o Brasil vai
Vai, vai, vai, vai, vai, vai


Os que deixaram o registro da situação da vida dos moradores do Nordeste antes da energia hidroelétrica da Chesf e o comparam com a condição de vida e de desenvolvimento na região nos dias de hoje, são unânimes em afirmar que, de fato, a Chesf foi a grande redentora do Nordeste.

Tenho dito em escritos em livros e outras publicações e em palestras que desenvolvi ao longo dos últimos anos sobre esse tema que a história do Nordeste brasileiro tem dois grandes capítulos. Um, do Nordeste Antes da Chesf e outro do Nordeste Depois da Chesf.

Paulo Afonso foi o berço da Chesf. Nas profundezas dos grandes túneis abertos por trabalhadores nordestinos, no ventre dos paredões de granito, foram construídos os ninhos para agasalhar os enormes geradores da energia que mudou a história do Nordeste

Este 15 de janeiro de 2021, marca os 66 anos da inauguração desse processo.

O dia 15 de janeiro de cada ano precisa ser reverenciado, estar nos anais das Câmaras de Vereadores de Paulo Afonso e de todo o Nordeste como a data que marca a libertação de um povo, das garras da miséria e do infortúnio para vislumbrar a oportunidade de crescimento, desenvolvimento, de vida intensa.

Paulo Afonso, berço da Chesf, redenção do Nordeste. 66 anos da luz de Paulo Afonso para mudar a história do Nordeste.!!!




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4 comentários


Isac de Oliveira

18/01/2021 - 11:52:59

Caro Galdino, a minha cidade de nascimento, Altinho, onde também concebeu o grande Apolônio Sales, agradece a homenagem ao filho ilustre.


Manoel Fernandes Amaral

17/01/2021 - 23:44:04

Sinto-me agraciado por ter servido ao Exército em Paulo Afonso e ter contribuído com a segurança dessa obra gigantesca capitaneada pela nobre é importante Companhia Hidro Elétrica do São Francisco.


Geliton

17/01/2021 - 08:20:50

Gostei muito dessa matéria, embora já tenha conhecimento desses fatos, acompanhadoreportagens ao longo dos anos, nos encanta manter esses fatos sempre atualizados para asnovas gerações saberem a luta dos homens do passado fizeram para a grandeza da nação e do seu povo.


Cidadão

17/01/2021 - 08:14:08

Uma pequena sugestão: procurar saber se existe algum daqueles trabalhadores da foto no túnel vivo. Trazê-lo à tona para receber as nossas homenagens. Lady Gaga, Neymar, Anita... Roberto Carlos,Pelé, Caetano ou Ivete Sangalo... os nossos heróis são os nossos pioneiros. Tá faltando em PA a Praça dos Pioneiros!


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