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Paulo Afonso - sexta-feira, 10 de setembro de 2010 | 15:27
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Folha Sertaneja - Paulo Afonso - BA
25/10/2009 - 13:05
Antônio Galdino
Parte da comissão organizadora:(da esq) - Janynne Barbosa, Marina Gatto, Lúcia Regueira, Meraldo Rocha, Glória Velasquez e Jairo Oliveira. Ao fundo, Usina Angiquinho, ao lado da Cachoeira de P. Afonso
BREVE HISTÓRICO DA VIAGEM DO IMPERADOR HÁ 150 ANOS -
O Imperador D. Pedro II teve os seus olhares e suas ações voltadas para o Rio São Francisco e as chamadas “províncias do Norte do Brasil", durante quase trinta anos.
Ainda nos idos do ano de 1850, designou o engenheiro civil Henrique Guilherme Fernando Halfeld para realizar um minucioso estudo do Rio São Francisco, o que foi feito entre os anos de 1852 e 1854 e denominado “Atlas e Relatório concernente a exploração do rio São Francisco, desde a Cachoeira de Pirapora até o Oceano Atlântico”. Este estudo foi publicado “na litografia imperial de Eduardo Rensburg, no Rio de Janeiro, em 1860”.
Antes de sua publicação, em 1859, o Imperador D. Pedro II, empolgado com os relatos do engenheiro Halfeld, decidiu visitar a Cachoeira de Paulo Afonso.
Outro feito marcante da preocupação do Imperador com a região foi a sua decisão de se construir entre o porto de Piranhas, em Alagoas e Jatobá (antiga Petrolândia), em Pernambuco a Estrada de Ferro Paulo Afonso, construção autorizada pelo Decreto 6.941, de 19 de junho de 1878. O objetivo: facilitar o transporte na região, o que não podia acontecer pelo rio em função da existência da Cachoeira de Paulo Afonso e grandes corredeiras e promover o desenvolvimento regional.
A estrada de ferro, com 115 quilômetros de extensão, funcionou de 1882 a 1964, segundo relata o escritor Luiz Ruben, de Paulo Afonso, em seu livro “Estrada de Ferro Paulo Afonso – Sua origem, publicado em 2007.(contato - Graf Tech - (75)3281-5080)
A viagem do imperador e comitiva imperial à Cachoeira de Paulo Afonso foi relatada pelo próprio D. Pedro II no livro “Viagem às províncias do Norte do Brasil”. Sua majestade imperial começou a sua viagem no dia 1º de outubro daquele ano, saindo do porto do Rio de Janeiro com destino a Salvador a bordo do navio APA e seguido por vários navios de guerra, todos recebidos com grande pompa na Baía de Todos os Santos.
No dia 12 de outubro, o Imperador seguiu, ainda no navio APA para a foz do rio São Francisco e ali a comitiva imperial mudou-se para o navio Pirajá porque a profundidade do rio não permitia a navegação segura do navio APA, de grande calado.
Dia 13 de outubro foi avistada a foz do rio São Francisco. Após passar, descansar e pernoitar em Piaçabuçu/AL Penedo/AL, Própria/SE, Porto Real do Colégio/AL, Traipu/AL, Pão de Açúcar/AL e Piranhas/AL, a comitiva imperial seguiu a cavalo para a Cachoeira de Paulo Afonso, onde chegou no dia 20 de outubro de 1859.
Esta viagem fantástica, recheada de relatos anotados a próprio punho pelo Imperador, que também fez vários desenhos por onde passou, motivou os turismólogos Jairo Luiz Oliveira, Ana Rogatto e Lúcia Regueira a refazer esta Rota do Imperador como um novo produto turístico para a região do baixo e sub-médio São Francisco.
Jairo tem defendido o nome "Rota do Imperador" e, em vários pronunciamentos, tem falado das dificuldades para que esse projeto, “gestado e trabalhado há três anos” encontrasse o apoio necessário para sair do papel, apoio agora encontrado no governador Tetônio Vilela Filho, no Desembagador Washington Luiz e nos prefeitos dos municípios desse roteiro, nessa viagem - Expedição D. Pedro II, que apresenta o projeto.
Os criadores da Expedição D. Pedro II – a Rota do Imperador - rebatizada pelo governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho como Caminhos do Imperador, encontrou no Desembargador Washington Luiz o parceiro que o grupo precisava. Conta Jairo que “foi o desembargador Washington Luiz que abriu portas, levou o projeto ao governador, conversou com prefeitos das cidades envolvidas e acompanhou todo o percurso dessa viagem fantástica pelas águas do rio São Francisco, até Piranhas e depois, de carro, até Jatobá, Angiquinho e Paulo Afonso, onde ela foi encerrada”, disse o turismólogo.
A Expedição D. Pedro II – Caminhos do Imperador – foi realizada no período de 16 a 19 de outubro de 2009, no mesmo roteiro feito pelo monarca há 150 anos e acompanhada pelo seu tri-neto, o príncipe D. João Henrique de Orleans e Bragança.
À semelhança do que aconteceu com a viagem do Imperador há 150 anos, o príncipe, acompanhado do governador de Alagoas, Tetônio Vilela, do Desembargador Washington Luiz, historiadores, prefeitos e os membros desta nova comitiva, nessa viagem de apresentação do projeto, foram recebidos com muita euforia, fogos, bandas de música, apresentações culturais em cada uma das cidades por onde passou a comitiva, emocionando os seus idealizadores e participantes.
Em Piaçabuçu começou a Expedição D. Pedro II - Caminhos do Imperador
Foi assim em Piaçabuçu, onde todos foram recepcionados pelo Prefeito Dalmo Santana, com a presença do governador do Estado de Alagoas, Teotônio Vilela Filho, do Desembargador Washington Luiz, incansável defensor do projeto em todos os seus discursos, nas cidades por onde passou, o historiador Inácio Loiola e príncipe D. João de Orleans de Bragança, além de prefeitos das cidades ribeirinhas do São Francisco.
Nos discursos, todos foram unânimes sobre “a importância da visita do Imperador D. Pedro II para o desenvolvimento regional e da importância desse projeto turístico, para ampliar as possibilidades desse desenvolvimento, gerando emprego e renda para os moradores das cidades envolvidas”, como disse o governador Teotônio Vilela e outros oradores.
A festa do início da expedição, além dos discursos, foi animada pela Filarmônia Euterpe São Benedito, daquela cidade que executou muitos dobrados dando o tom festivo a esse encontro às margens do rio São Francisco. Após o descerramento do totem que marca a passagem da Expedição D. Pedro II e lauto almoço oferecido pela Prefeitura, embarcamos no Indiana, Majestosa, Cangaceiro, Tupigy, em lanchas rápidas e capitaneados por barcos da Marinha do Brasil e do Corpo de Bombeiros, deixamos o Porto de Piaçabuçu, rumo a Penedo, nosso próximo destino, três horas rio acima.
Em todo o trajeto, até Piranhas, de vez em quando, quando o vento permitia, uma canoa de tolda, abria suas velas gerando uma bela imagem no leito do Velho Chico.
A paisagem bucólica dos barcos ancorados na margem do rio, as lavadeiras batendo roupa nas escadarias à beira d´água em Piaçabuçu hoje, nos transporta para a visão do Imperador que disse: “Piassabuçu, que ainda há pouco foi criada freguesia, tem bastante casas (...). Os habitantes da povoação andam por 2.000 e vivem da pesca”.
Em Penedo, outra recepção calorosa
Penedo repetiu para o príncipe D. João, o governador Teotônio e todos os membros da Expedição, na chegada ao cais, às cinco horas da tarde, a mesma euforia narrada pelo Imperador em seu diário de bordo: “Desembarquei em Penedo à 1 e 7’ havendo muito entusiasmo estando dois desembarques com os respectivos arcos, um a custa do comércio e outro dos artistas”.
A beleza do povo e do casario do Penedo velha, assim como encantou o Imperador também encheu os olhos de todos os da Expedição de outubro de 2009. Igrejas seculares, de altares reluzentes de ouro, de propriedade de famílias tradicionais, as ladeiras, o Paço Imperial. Uma animada fanfarra agitou o momento da chegada da comitiva e todos foram tocados pela magia do Coral em frente ao Paço Imperial. Dentre os discursos um destaque para as palavras do historiador Dr. Francisco Salles, da Fundação Cass do Penedo exaltando o riquíssimo patrimônio histórico-cultural de sua cidade.
Marcante também foi a atenção do Prefeito Alexandre Toledo que ofereceu aos quase duzentos expedicionários um jantar com comidas regionais, em sua casa. Uma seresta, que invadiu a madrugada, envolveu a todos que quase não dormiram.
O nascer do sol nas águas penedenses do rio São Francisco já encontrou muitos dos expedicionários no meio do rio com destino a Própria, no Estado de Sergipe. Os organizadores da Expedição ofereceram com opção a viagem de Penedo a Propriá de ônibus para maior conforto dos participantes que não precisariam estar nos barcos às 4 horas da manhã.
Muitos, no entanto, preferiram seguir nas embarcações e foram premiados, no meio do rio, com o espetáculo do nascer do sol no dia 17 de outubro. Ao longo desse trajeto pudemos observar o rio assoreado em vários trechos, desmatado em outros. Nas suas margens casas humildes dos pescadores, lavadeiras batendo roupa, uma capela no alto do morro como que abençoando os que singram pelas águas do Velho Chico.
Em Propriá, banda de música, palavras do Prefeito e visita a Igreja com o Bispo D. Mário
Na chegada a Propriá a visão da ponte que liga os estados de Alagoas e Sergipe, com seu arco gigantesco por onde passam as embarcações e suas colunas enormes emoldurando a cidade onde se destaca a Igreja matriz, catedral diocesana. Ali, a recepção foi simples mas igualmente acolhedora. A Banda musical da cidade estava lá a postos.
O prefeito Paulo Ayres de Brito recebeu a comitiva e foi descerrada uma placa alusiva à passagem da Expedição pela cidade, em um obelisco na praça da Igreja para onde todos seguiram, acompanhados do Bispo D. Mário que falou da alegria de receber Sua Alteza Imperial o Príncipe D. João de Orleans e Bragaça na sede da Diocese que tem apenas 50 anos de fundação. O príncipe recebeu lembranças e peças do artesanato local, o que aconteceu em todos os lugares onde parou a expedição.
Em Porto Real do Colégio, no lado alagoano do rio, outra recepção calorosa à comitiva foi organizada pela Prefeita Maria Rita Bonfim e mais um totem foi inaugurado na principal praça da cidade.
O próximo destino da Expedição D. Pedro II esperava os cerca de duzentos expedicionáros: Traipu. Ali, a recepção ao príncipe foi ainda mais estusiasmada. Até uma linda princesa, vestida a caráter, estava esperando o príncipe D. João.
Grupos folclóricos, com suas roupas coloridas se destacavam no meio de grande multidão que se espremia nas margens do rio. Ali foi inaugurada uma praça com o nome do Desembargador Washington Luiz e o Prefeito Marcos Santos ofereceu um “banquete dos deuses”, com direito a queijos e vinhos importados e outras iguarias que impressionaram a todos.
No final da tarde, às 17:30, os barcos seguiram para fazer o trecho mais longo da Expedição. De Traipu a Pão de Açúcar foram mais de 6 horas de viagem no meio da noite.
Noite aberta, sem nuvens, a formação de estrelas trouxe a um jovem estudioso a observação que estas estrelas eram a forma de orientação dos antigos navegadores. Mais de meia noite os barcos atracaram e o Prefeito Jasson Gonçalves, que fez todo o trajeto no barco Indiana, levou o príncipe D. João para conhecer o casarão onde se hospedou o Imperador, há 150 anos e ofereceu um jantar, no meio da madrugada, na AABB da cidade. Na manhã do dia 18/10 o governador Teotônio Vilela assinou documento autorizando a restauração do casarão que será transformado em museu.
Expedição D. Pedro II chega a Piranhas, último porto do Imperador antes de seguir a cavalo para a Cachoeira de Paulo Afonso
A Expedição seguiu para Piranhas, ali chegando às 16 horas, onde outra grande recepção, preparada pela Prefeita Mellina Torres Freitas aguardava a todos. Entre os presentes, o governador Teotônio Vilela, o Senador Renan Calheiros e políticos da região. Mais um totem marcando a passagem da expedição foi inaugurado, ao lado do Museu do Sertão, antiga estação inicial da Estrada de Ferro Paulo Afonso.
Os discursos foram seguidos de uma feijoada de canoa, oferecida pela prefeitura aos expedicionários e segui-se uma programação cultural como a inauguração do Conservatório de Música “Cacilda Damasceno Freitas” e show musical com o piranhese Egildo Vieira e seu grupo, considerado um dos maiores flautistas do Brasil.
No dia 19 aconteceram as últimas etapas, agora por terra, da expedição, de Piranhas a Paulo Afonso, passando por Delmiro Gouveia, Angiquinho e Jatobá(Volta do Moxotó).
O trajeto Piranhas a Paulo Afonso foi originalmente feito pelo Imperador a cavalo, o que foi lembrado em Delmiro Gouveia quando vários cavaleiros, liderados por Manoel Bigodão, estavam presente no Museu Regional Delmiro Gouveia, onde a comitiva da Expedição D. Pedro II foi recepcionada pelo Prefeito Luiz Carlos Costa e pela Vice-Prefeita Ziane Costa.
O governador Teotônio Vilela e o Príncipe D. João, seguiram também a cavalo, até a Fábrica da Pedra, naquele município. E dali o governador retornou a Maceió.
O restante da comitiva seguiu para a Volta do Moxotó, Distrito de Jatobá-PE, na divisa com o Estado de Alagoas, estados separados pelo Rio Moxotó, perenizado após a construção, pela Chesf, da Barragem de Moxotó. No povoados existe uma ponte e a Estação do Moxotó, da Estrada de Ferro Paulo Afonso.
Todos foram recepcionados pelo Prefeito João Gomes que também fez todo o trajeto da expedição, desde Piaçabuçu. Um Grupo de teatro encenou a história da Estrada de Ferro uma Banda Musical animou a todos com ritmos regionais. Mais uma vez, vários discursos e homenagens. O príncipe, recebeu, também ali, lembranças da região.
Todos seguiram para Angiquinho e do local conhecido como Limpo do Imperador, onde hoje existe um mirante, puderam ter a mesma visão do Imperador D. Pedro do local onde existiram as grandes cachoeiras que o levaram a fazer esta viagem ha 150 anos.
A expectativa de todos era que a Chesf abrisse um pouco das comportas da Barragem Delmiro Gouveia e houvesse pelo menos um pouco de água na única cachoeira programável do mundo – a Cachoeira de Paulo Afonso, mas isso não aconteceu.
Do Limpo do Imperador a comitiva seguiu para Paulo Afonso, encantando-se com os lagos, as grandes áreas verdes, e as caraibeiras floridas que enfeitavam o caminho.
Prefeito Anilton (dir) cumprimenta o Príncipe D. João, na Ilha do Urubu, ao lado da Cachoeira de Paulo Afonso
Na Ilha do Urubu, dentro da área da Chesf, às margens da Cachoeira, o príncipe D. João de Orleans e Bragança, o Desenbargador Washington Luiz, o historiador Inácio de Loyola, Prefeito Luiz Carlos da Rocha, Vice-Prefeita Ziane Costa, Prefeito João Gomes, e todos os participantes da Expedição D. Pedro II, dentre eles a Comissão Organizadora – Álvaro Otacílio, Meraldo Rocha, Jannyne Barbosa, Jairo Oliveira, Lúcia Regueira, Marina Gatto, Glória Velásquez – e cerca de 150 outros participantes, foram recepcionados pelo Prefeito Anilton Bastos Pereira, pelo vice-Prefeito, Jugurta Nepomuceno, o presidente da Câmara de Vereadores Antônio Alexandre e Secretários municipais com um almoço, no local.
Um grupo de teatro, ligado a Igreja Católica – Renovação Carismática – fez uma apresentação encenando a música Paulo Afonso, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas e o cantor Jorjão deleitou a todos com repertório de MPB, durante o almoço.
Antes, em seu discurso, Inácio de Loyola falou mais uma vez, da importância de D. Pedro II para a região, mote também do Prof. Antônio Galdino, diretor de Turismo e Assessor de Comunicação da Prefeitura de Paulo Afonso, representante do município junto à comissão organizadora do evento.
Anilton Bastos falou da alegria de receber o príncipe D. João e como esta Expedição era importante para o turismo da região, tema também defendido, desde Piaçabuçu pelo Desembargador Washington Luiz.
Jairo Oliveira, visivelmente emocionado, dizia da “alegria de ver concretizado, aceito pelo governo do Estado e prefeituras da região, um projeto que vem sendo gestado há três anos e, após essa viagem de apresentação do projeto, vamos, de fato, arrecagar a mangas e oferecer ao mundo todo esse roteiro turístico que une esses estados nordestinos”.
O príncipe D. João falou da satisfação de vir ver de perto a Cachoeira de Paulo Afonso. “Já estive em Penedo em outras ocasiões mas ainda não tinha vindo ver a cachoeira que motivou o meu avô a se deslocar do Rio de Janeiro para cá. Estou muito feliz por todo esse trajeto, pelo carinho com que fui recebido em cada lugar e pelas belezas que vi e que registrei em algumas fotos. Pretendo voltar outras vezes a este lugar lindo”, falou D. João.
* Esse texto é parte de projeto maior que inclui dvd, (em fase da busca de apoio) em produção pela GALCOM Comunicações -