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Paulo Afonso - sexta-feira, 10 de setembro de 2010 | 14:20
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Folha Sertaneja - Paulo Afonso - BA
05/07/2010 - 08:37
Desde agosto do ano passado, o projeto é desenvolvido em diversas comunidades
Míriam Hermes
Promover o resgate e a preservação de manifestações culturais e a conscientização ambiental nas comunidades ribeirinhas do São Francisco.
São as principais metas do Barco-Escola São Salvador, com capacidade para 100 pessoas, mantido com parcerias pela Prefeitura de Ibotirama, a 630 km de Salvador, em funcionamento desde agosto do ano passado.
A embarcação, um dos últimos vapores que navegam pelo Rio São Francisco, estava ancorada em Pirapora (MG) em estado precário de conservação, pois desde a década de 1960 a navegação foi desestimulada no Brasil e os vapores caíram em desuso. Em 2004, foi adquirida e restaurada pelo projeto Navegar é Preciso, de acordo com a secretária municipal de Educação de Ibotirama, Rosane Yamaguchi,“ comopartedoprocesso de revitalização do rio”.
Com uma programação voltada para o público estudantil, segundo a coordenadora do Barco-Escola, Orlamara de Brito, o conteúdo das aulas aborda meio ambiente e cultura, “respeitando a diversidadee particularidadesdecada lugar”.
Nas localidades onde o barco ancora, os visitantes conhecem a história do vapor (construído em 1937 com o nomeoriginal de Alfredo Viana) e participam de oficinas decontoseeducaçãoambiental com plantio de mudas nativas nas margens.
Interação Orlamara destaca as apresentações culturais nas localidades ribeirinhas como momentos de interação, “onde eles (os ribeirinhos) são os atores principais”. As apresentações são registradas em material audiovisual para composição do acervo e mapeamento da cultura regional.
Um dos cinco monitores que fazem parte da equipe do barco-escola, Severino Gomes da Silva destaca ter descoberto “o dever de trabalhar mais por este rio”.
“É muito gratificante ver nos olhos deles o desejo de saber mais, de abrir os livros e revistas, o que para muitos é um universo completamente novo”, falou Severino.
“Por mim este barco poderia passar aqui todos os meses, porque além de educação ele promove horas de lazer”, salienta a estudante do povoado de Passagem, zona rural de Muquém do São Francisco.
Enquanto está atracado nas comunidades, além da programaçãodeoficinasepalestras, os moradores têm a chance de assistir filmes, a maioria deles dentro do contexto do Rio São Francisco, como Espelho D’Água e Narradores de Javé.
A restauração do vapor, que ganhou um motor movido a óleo, teve um custo aproximado de R$ 1,5 milhão.
Além da prefeitura local, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), ministérios da Integração Nacional e de Meio Ambiente, o governo da Bahia e a Coelba participaram como parceiros do projeto. A manutenção mensal custa entre R$ 10 mil a R$ 12 mil, conforme Anderson Lima, do departamento financeiro da Prefeitura de Ibotirama. O valor é rateado entre municípios onde o BarcoEscola realiza atividades.