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Paulo Afonso - sexta-feira, 10 de setembro de 2010 | 14:21
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Folha Sertaneja - Paulo Afonso - BA
10/04/2010 - 00:51
Antônio Galdino
Milhares de nordestinos viveram toda a sua vida batendo no peito o orgulho de ser chesfiano. Muitos deles optaram em permanecer como funcionários da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco e estão aí, no batente, há mais de 45 anos.
Outros, há anos aposentados, declaram um amor eterno por esta empresa que ajudaram a construir a duras penas.
Quantos não morreram no trabalho árduo da construção de suas barragens, na escavação de túneis imensos, abrindo caminho nas rochas de granito até a mais de 100 metros de profundidade para ali instalar as máquinas geradoras de energia que sai dali para iluminar e dar vida a todo Nordeste onde moram mais de 55 milhões de brasileiros, um quatro da população do Brasil...
E a Chesf, pela garra desses nordestinos rudes, se fez grande, mudou a cara do Nordeste. Fez surgir indústrias, reduzir o analfabetismo, cair a taxa de mortalidade infantil, aumentar muito a expectativa de vida dos nordestinos.
Há um bom tempo o coração da Chesf – Paulo Afonso – vem sentindo na pele o esvaziamento das ações da hidrelétrica na região. Fecharam as suas escolas, os clubes sociais, a cooperativa. Depois todo o acampamento ficou ao “deus dará”. O apoio ao turismo vem definhando (os lagos estão irreconhecíveis, o teleférico, quebrado há um ano). Agora é o hospital que deve passar para o Estado da Bahia...
A centralização do poder estava, há um bom tempo e a diretoria da empresa, ou parte dela, tem aparecido por aqui, vez perdida no tempo, especialmente no período de eleições.
Ora, se a expectativa de se ter a Chesf como parceira de Paulo Afonso e da região vem se esvaziando há alguns anos, agora “a coisa danou-se de vez”, como diria um sertanejo quase octogenário, chesfiano pioneiro, que aqui chegou antes da Chesf para ajudar a construir esta história.
Ele se refere à incorporação da Chesf pela Eletrobrás, o que ocorre ainda nos ecos do “parabéns pra você” da hidrelétrica do São Francisco.
Embora esta transferência tenha sido tratada sempre “à boca pequena”, longe da imprensa, os efeitos a curto prazo não são nada agradáveis a quem se acostumou a acompanhar, entre eufórico e orgulhoso, a história de desenvolvimento da empresa, e sua importância para o crescimento da região, especialmente nos seus primeiros 50 anos de vida.
Hoje, a incorporação da Chesf pela Eletrobrás, se apresenta como um cenário nebuloso no que se refere ao seu crescimento. É o que assegura a jornalista Ângelo Belfort, em matéria publicada no caderno de Economia do Jornal do Commercio de 26 de março de 2010, quando diz: “Mudança que fortalece a Eletrobrás condena a maior empresa do Nordeste a não mais crescer. Todos os empreendimentos tocados pela estatal regional são incorporados aos ativos de sua controladora”.
E acrescenta a jornalista: “Somente este ano, a previsão é que a companhia realize um investimento de R$1,07 bilhão dos quais R$872 milhões são destinados aos novos empreendimentos. Desse modo, a Chesf continuará sendo a responsável pela implantação do empreendimento, mas o lucro e o ativo ficarão com a Eletrobrás”.
“Outro passo da centralização é a implantação de um contrato único de trabalho para todas as subsidiárias da Eletrobrás, carimbado na sua sede, no Rio de Janeiro”, diz Belfort. Sobre essa centralização, a jornalista apresenta fala atribuída a José Barbosa, Presidente do Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco que teria dito: “continuando desta forma, todas as contratações da Eletrobrás serão feitas pelo Rio de Janeiro e o Nordeste não vai indicar mais qualquer diretor do Chesf”.
Barbosa teria ainda acrescentado que “o governo federal está se articulando para desmobilizar os protestos e audiências públicas que iam ser marcados para discutir o esvaziamento da Chesf na Câmara dos Deputados”
As mudanças que ocorrem alcançaram também a marca da empresa, reconhecida e aplaudida pela sua história e pela eficiência dos seus serviços. Desde 22 de março a Chesf passou a chamar oficialmente de Eletrobrás-Chesf.
A Chesf nasceu em 1948. A Eletrobrás, em 1961. Quase 85% de todo esse patrimônio chesfiano, dos 10, 7 mil MW, e de toda a receita que agora é gerida diretamente pela Eletrobrás sai das usinas hidrelétricas do Complexo de Paulo Afonso (Paulo Afonso, Itaparica e Xingó).
O mais incrível dessa história toda é que ninguém sabe de nada. Os que gerenciam as instâncias regionais, como Paulo Afonso, apenas informam que “há grupos de trabalho nas várias áreas da Chesf, como RH, Infraestrutura e outras trabalhando o assunto na sede da empresa em Recife, onde estão seus órgãos normativos ou junto à Eletrobrás”.
Pelo relato da jornalista Ângela Belfort o Governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), a quem coube a indicação do Presidente da Chesf, Dilton da Conti que está no cargo desde 2003, sobre o esvasiamento da Chesf teria dito que ia se “inteirar do projeto”.
Entre os chesfianos há muita inquietação e muitas dúvidas e perguntas que não querem calar. Como ficam os planos da Fachesf? E, o que ganha esta região e o Nordeste com esta mudança que esvazia a Chesf e fortalece a Eletrobrás?