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03.03.2013 | 15:01

 

UMA MULHER CHAMADA FANA

Forte, Altiva, Notável, Amorosa.

Ivus Leal

Foto: Antonio Francisco (Fev-2004)
Foto: Antonio Francisco (Fev-2004)

Professora Josefana, um ano de saudades!

Sua inventividade para qualquer situação fortalecia os que com ela conviviam; com suave firmeza nas decisões encantava aos que a ela se chegavam; com um sorriso franco tornava-se conhecida sem imposições e sempre com uma palavra de ânimo para todos fazia-se querida.

Era meu par na vida, meu copo de beber a paz da vida.

O silêncio da morte dela invadiu meu espaço de viver e o copo da vida se quebrou em vinte e três de fevereiro de dois mil e doze, vinte horas.

Foi como um copo de vidro caindo em câmera lenta e se triturando desmanchadamente em pedaços, numa tremenda balburdia de cacos espalhados.

Assim aconteceu: acordei espavorido com sentimentos espatifados, quebrados. De repente tudo era passado, poeira ao mar, o mesmo que havia visto um par jurar amar-se até que... fiquei sem meu par em Fortaleza, local do começo do sonho deste par, sonho agora quebrado. Deixei ela de onde tirei. De Fortaleza não tenho mais nada só minha alma abandonada. No entardecer da minha vida perdi meu par para as garras do anoitecer. A ausência de meu par está doendo diante do acordar todo quebrado. Uma dor sem fim que corrói, dói, dói, dói. Sem entender nem poder dizer sobre o que não mais posso ver, sucumbo a um dolorido choro pela ausência de meu par. Sucumbo ao acordar no futuro, tendo que conviver com o passado que era uma risada de vida, de energia, de alegria.

Acordei com o vazio da realidade imposta pela natureza das coisas, cuja essência é ter começo(presente em vida), meio(passado vivido), fim(futuro incerto). Inexorável o fim faz um rompimento. Tive que acordar gritando e tendo que aderir a este rompimento do viver. Romper com o passado é como romper com a placenta e iniciar um recomeço nos braços da indagação tão óbvia que desatina: o que fazer?

A resposta é também óbvia, tanto que desequilibra: recomeçar(viver o presente), remediar( aceitar o passado como tal), terminar com o que já foi(reviver). Isto percebido tratar como um sonho, um sonho querendo ter um acordar recuperado e desta forma refazer o par e sair para um novo sonho de querer bem a alguém.

Sonhar, mesmo em pedaços ao chão, sonhar recolhendo os destroços e remontando com eles o riso, a força, o bem estar. Sonhar dentro de novos sonos bem dormidos, pois viver é dormir em plenitude consciente. Sonhar porque temos que aceitar que “Nada é permanente neste mundo malvado, nem nossos problemas.” (Charles Chaplin)

Diante da crueza dos eventos é preciso continuar e construir novos argumentos para viver. Procurar ouvir a voz da vida novamente, por exemplo. Procurar entender aquilo que já foi dito: o homem não foi feito para viver só. Procurar completar os espaços vazios deixados por aquela luz que iluminou a vida.

Com estas visões de vida busco o engajamento com outra pessoa que venha preencher estes espaços comigo, reverenciando o sonho daquela que deixou em mim a força do bem viver.

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          Homenagem à grandeza da mulher Josefana Leal

          Paulo Afonso–Bahia - Fevereiro de 2013 

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