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Paulo Afonso - terça-feira, 16 de março de 2010 | 16:17


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Folha Sertaneja - Paulo Afonso - BA
03/03/2010 - 23:10

A dura luta de fazer jornal...

Antônio Galdino

Não pensem ser fácil escrever sobre a própria criatura. A gente sempre corre o risco de encobrir defeitos ou exaltar coisas que podem ter pouco valor na visão de outros...

Ainda assim, convém que leitores ocupados com a correria do dia-a-dia e absorvidos pela leitura fácil dos textos virtuais, e que, apesar de tudo, encontram afago na leitura desse mensário, que teima em resistir às agressões do tempo e das pessoas, se acheguem mais aos fatos do nosso caminhar de seis anos.

Desde a edição Nº 01, começamos cheios de promessas de apoio e fugas de compromissos. A matéria da capa da primeira edição nos afastou dessas promessas de apoio. Foi primeira tentativa de nos calar.

Seis anos depois, os apoios financeiros continuam poucos... Caminhada difícil, tentativas de interferir na linha editorial foram muitas, sempre rechaçadas. E o critério de fidelidade à informação, o respeito com o trato da notícia, a reação imediata contra os que tentaram manipular têm norteado o nosso trabalho nesses anos.

Temos resistido às pressões de estampar um noticiário focado pura e simplesmente nas notícias de sangue, morte e destruição de vidas, como outros órgãos da imprensa local faziam.

Há tanta coisa para noticiar. Resolvemos ajudar a registrar a história menos dantesca.

Pelo nosso compromisso temos agradado a uns e desagradado a outros. Assim como na vida.

Apenas como um exemplo dessa caminhada, recebemos elogios da justiça eleitoral pelas coberturas das eleições nesses seis anos de vida. Em 2004, tivemos o cuidado de oferecer a todos os candidatos espaços exatamente iguais de textos e fotos, quando estavam em acirrada campanha nas ruas.

Em 2008, igualmente oferecemos, sem nenhum custo para eles, uma página inteira de entrevista onde textos e fotos ocuparam o mesmo tamanho sem nenhum privilégio para qualquer dos candidatos.

Na recente matéria sobre a reunião promovida pela Chesf e Governo do Estado da Bahia sobre a estadualização do HNAS a imparcialidade do texto e das fotos na edição on-line (reproduzida nesta edição impressa) mereceu elogios de eleitores conscientes e chegou a ser reproduzida por outros sites.

Alguns, sei, preferem a difamação, a mentira, como instrumentos de sua comunicação. Outros preferem tentar “colocar na nossa boca” o que gostaria de ver publicado.

Alguns, de forma sutil, nos tiram os anúncios publicitários, o que é, no fundo, uma forma de querer nos calar... Ousamos não aceitar a mesmice, a mentira como verdade. E optamos, enquanto for possível, continuar a caminhada e ser o que somos. Quando não for, a gente pára.

Aos trancos e barrancos, buscando parceiros que acreditam na nossa proposta de trabalho, estamos seguindo. Vencemos, e só Deus sabe como, 72 meses de estrada na constante incerteza que já se apresentou na tentativa de boicote do primeiro número de não saber, com absoluta segurança, se teremos a próxima edição.

Estamos felizes por ter chegado até aqui e continuamos acalentando o difícil sonho de ir mais adiante.

A luta continua, muito desigual, quase só. O amanhã? Deus proverá!

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1 Comentário

Achel Tinoco comentou:
Na política baiana de hoje, evidencia-se a não divisão de grupos, ainda que os caciques continuem a inflar seus peitos coronelistas e a destilar suas teorias anacrônicas, com discursos apaixonados e fidedignos, qual fossem jogadores de futebol beijando as alianças para homenagear a amada desconhecida ou uma que ainda não têm. As alianças que se enfiam agora nos dedos secos da Bahia, mais parecem com aquelas fornicadas da casa da mãe-zefinha: rápidas e mal pagas.
Quem imaginaria, noutros tempos bicudos, que o “senador da Bahia”, César Borges, se agarrasse a uma ponta da estrela de Jaques Wagner? E Otto Alencar, hein...? Até tu, Fernando de Fabinho!... Mas quem é Fernando de Fabinho mesmo? Parece que os filhos bastardos do carlismo, aqueles que andavam a perambular pelas ruas sem eira, foram adotados pelo wagnismo, e mais tarde, quem sabe, pelo gedeismo, e assim sucessivamente, até que se forme um novo “ismo”.
Comprova-se que, na política, não há inimigos históricos nem ideológicos. Há, sim, arestas aparadas; acordos tecidos, para, no final das contas, todos os aliados serem contemplados..., como num bingo coletivo. Enquanto isso, o tempo passa, os ventos mudam, a maré baixa, e o povo continua sentado na balaustrada assistindo tudo sem entender nada. Batem palmas por um dever cívico, se indigna por uma barriga vazia, mas não se atenta nunca para o pano de fundo do espetáculo. E a cada manobra, esses políticos ganham mais respaldo e proteção, mais visibilidade e prestígio. Menos coerência.
A Bahia continua, como há décadas, no tempo da fartura, no tempo da penúria, com seus altos índices de analfabetismo, os mais altos índices de violência, os mais altos índices de embromação. Mas não enxergamos o óbvio por causa da propaganda sistemática e engabeladora que nos tapa a visão e o entendimento. Toda crítica é rechaçada em nome de um desenvolvimento aparente que não vemos no dia a dia, mas com certeza está lá nas entrelinhas políticas, para nos servir de base a um novo aprendizado mundial, uma espécie de "quarta onda" futurista que vai nos despejar na praia...
Amanhã, seremos outra vez o projeto inútil de um estado de coisas aliançadas.
Comentário publicado dia 08/03/2010 às 18:59
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