Quarta-feira, 15 de Julho de 2020
Regional

A morte do poeta Valdir Teles deixa triste os amantes da poesia

Publicada em 24/03/20 às 13:25h - 481 visualizações

por Antônio Galdino e site: www.agorapb.com.br


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 (Foto: Créditos das fotos e ilustrações: www.agorapb.com.br)

Era domingo, 22 de Março de 2020. A maioria das pessoas, em todo o mundo, assustadas com as notícias das mortes provocadas pelo Coronavírus estavam recolhidas às suas casas, sem muitas opções de lazer porque até os campeonatos de futebol estão suspensos pelo mundo a fora.

Zapeando pelas redes sociais, na internet, no Whatsapp, no Facebook, ali está a notícia da viagem prematura, sem despedidas, sem versos e canções de um dos maiores poetas nordestinos e brasileiros, o paraibano Valdir Teles.

Nas terras de Paulo Afonso, por onde Valdir Teles andou trabalhando por uns tempos, os amantes da poesia, admiradores dos poetas e repentistas ainda choravam a morte do poeta João Soares, nas terras de Santa Brígida, Bahia, quando chega a notícia que um infarto fulminante também nos privou da companhia do consagrado compositor, poeta, repentista Valdir Teles que, embora tenha nascido em Livramento, no Cariri paraibano, chegou ainda recém nascido no Sítio Serrinha, zona Rural de São José do Egito, no Sertão pernambucano onde viveu toda a sua vida.

A notícia, que entristeceu a todos, foi noticiada ao mundo por sua filha, a advogada Mariana Teles, em seu perfil no Facebook.

Valdir Teles, que por um tempo trabalhou em Paulo Afonso-BA, estava com 64 anos e faleceu no seu Sítio Serrinha.

O poeta tinha quarenta anos de estrada na poesia e quando ele completou 60 anos e 36 anos de poesia, o site www.agorapb.com.br, publicou uma matéria chamada De Repente trinta e seis: Poeta Valdir Teles comemora 60 anos de idade e 36 anos de viola.

O texto de Chico Lobo, consegue sintetizar a história de uma vida marcada por muito sucesso, tendo produzido de mais 50 Cds e Dvds e acumulado mais de 500 troféus de primeiro e segundo lugares em suas participações em festivais e a oportunidade de viajar pelo mundo levando sua arte e encantando a todos com a riqueza dessa cultura tão enraizada nas terras nordestinas.

Apresentamos, na íntegra essa matéria do site www.agorapb.com.br como uma homenagem a este grande poeta. As ilustrações também são desta matéria do site.

De Repente trinta e seis: Poeta Valdir Teles comemora 60 anos de idade e 36 anos de viola

A Chácara do Poeta no Sítio Serrinha, localizado na zona rural de São José do Egito(PE), ficou pequena no último domingo (19), para receber uma constelação de estrelas do universo da cantoria e da poesia popular e comemorar os 60 anos de idade e 36 anos de carreira do Poeta, Compositor e Cantor  paraibano Valdir Teles.  

Valdir Teles é poeta repentista dos mais consagrados da poesia popular nordestina. Nasceu em Livramento, Cariri paraibano mas foi levado ainda recém nascido para São José do Egito, sertão do Pajeú pernambucano, onde recebeu forte influência da cultura local e teve o primeiro contato com a cantoria de viola. 

Valdir Teles ficou órfão de pai aos 11 anos e como filho mais velho, desde cedo assumiu a responsabilidade de sustentar a mãe e os 4 irmãos, trabalhando como agricultor até os 19 anos, quando resolveu sair do sertão pra tentar a profissão de "operário de firma" na Bahia, chegando ainda a trabalhar em Sobradinho, Itaparica e Paulo Afonso e fazendo bico como retratista nas horas vagas, durante o período que morou na Bahia. Anos mais tarde, o poeta traduziu em versos parte da infância.

Pai vinha de São José

Com uma bolsa na mão

Minha mãe abria a bolsa

Me dava a banda de um pão

Porque se desse o pão todo

Faltava pro meu irmão 

Valdir Teles

Em 1979 regressou ao sertão pernambucano quando em uma cantoria da dupla Sebastião da Silva e Moacir Laurentino no Sítio Grossos em São José do Egito,  foi apresentado aos poetas pelo Mestre das Artes e Poeta Zé de Cazuza, onde teve a oportunidade de mostrar seus dotes poéticos sendo de imediato convidado para apresentar um programa de viola numa rádio da cidade de Patos.

A partir de 1979, quando fixa residência em Patos, inicia a trajetória poética que já se anunciava de grande dimensão para a cultura popular nordestina. Os anos vindouros marcaram a gravação do seu primeiro LP com o poeta Lúcio da Silva pela gravadora Chantecler, a popularização dos maiores programas do gênero, em emissoras como a Rádio Panati e a Rádio Espinharas de Patos, a participação nos grandes eventos da cantoria e o destaque nos congressos e festivais. 

Em 1993 Valdir Teles muda-se para Tuparetama, cidade vizinha a São José do Egito e também situada no alto sertão do Pajéu, região internacionalmente conhecida como a Grécia dos cantadores e o reino imortal da poesia. 

É Tuparetama destino de todo regresso de Valdir. Apaixonado pelas raízes do pé de serra e fã incondicional de Luiz Gonzaga e Lampião, Valdir trouxe para sua atividade artística reflexos do forró, gravando cinco cds do gênero e se destacando no vaneirão improvisado, que por hobbie divide os estúdios e os pés de parede das comemorações familiares com o grande amigo e irmão Delmiro Barros, celebrado cantor pernambucano. 

Com admirável acesso no meio artístico, Valdir traz em seu rol de confrades, artistas como Maciel Melo, Alcymar Monteiro, Chiquinho de Belém, Santana, Flávio José, Flávio Leandro, Galego Aboiador, Nico Batista, Amazam, Bia Marinho, Val Patriota e Raimundo Fagner. 

Seja nos palcos ou sentado num tamborete nas cantorias de pé de parede, Valdir  já cantou em dupla com os maiores nomes do universo da poesia popular a exemplo de Louro Branco, Ivanildo Vila Nova, Sebastião Dias, Sebastião da Silva, Zé Viola, Geraldo Amâncio e Zé Cardoso.

Com mais de 500 troféus de primeiros e segundos lugares, uma turnê pela Europa com Ivanildo Vila Nova, outra pelo norte do país até a Bolívia, Valdir é reconhecido e mencionado em tudo que envolva os grandes nomes da viola. Com mais de 50 cds e dvds no mercado chega aos 60 anos de idade em 2015 comemorando uma trajetória de sucesso e luta pela sobrevivência de uma das mais autênticas expressões da cultura nordestina: A Poesia popular.

Eu não posso negar que sou feliz

Carregando a viola em minha mão

A viola levou-me até Milão,

Antuérpia, Bruxelas e Paris.

Fiz primeiro uma base em meu País

Pra depois pelo mundo viajar

Meu estoque de glórias não tem par

Meu sucesso rompeu Brasil a fora

"Do começo da arte até agora

Tenho muitas estórias pra contar" 

Valdir Teles




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