Sábado, 14 de Dezembro de 2019
Opinião

O Hospital da Chesf: mais um capítulo da novela mexicana

1º de Dezembro 2019 - HNAS amanheceu sem médicos. Vai fechar de vez?

Publicada em 01/12/19 às 13:33h - 285 visualizações

por Antônio Galdino - Atualizada às 15h.17min;


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 (Foto: Arq. Jornal Folha Sertaneja)

O mês de dezembro entrou nas vidas dos pauloafonsinos com uma alarmante notícia invadindo as redes sociais e deixando todos muito apreensivos: o hospital da Chesf amanheceu sem médicos.

E, segundo se informa, por não haver acordo entre a Chesf e os profissionais médicos no que se refere à renovação dos seus contratos, o hospital da Chesf, criado e mantido pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco e referência como hospital de emergência regional atendendo pacientes de quatro estados nordestinos simplesmente amanheceu o domingo, dia 1º de Dezembro, sem esse atendimento a uma população estimada em mais de 500 mil habitantes, moradores desses quatro estados em um raio de mais de 120 quilômetros.

E a história do Hospital da Chesf é uma grande novela cujos capítulos também têm os seus altos e baixos e, estranhamente, teve o seu melhor funcionamento justamente nos anos primeiros quando a tecnologia dos dias de hoje e os avanços da ciência eram ainda inexistentes.

Alerta o Dr. Aristóteles, uma referência em cardiologia na região em um grupo das redes sociais, para a seriedade desta situação:

“Não se pode fechar nenhum serviço de emergência abruptamente. Isto tem  implicações jurídicas é legais. Nenhum paciente pode ser colocado em risco de morte. Se não há acordo, tem que haver comunicação prévia para a Chesf, o Ministério Público, secretaria de saúde dos municípios, secretaria de saúde do Estado... Tem que haver  planejamento de paralisia  para que o hospital municipal possa receber a demanda do Nair. É preciso sensatez pois vidas humanas estão em jogo. Não estou dando razão a quem quer seja o que não se pode é por em risco vida humanas.”

Em outro trecho das colocações do médico Aristóteles, conhecido como Dr. Ari, ele volta a enfatizar a seriedade desta situação.

“Precisamos saber a fundo o que aconteceu. Sei que houve uma licitação cuja ganhadora está com dificuldade de contratar médicos. Se a Chesf fez uma nova licitação para médicos é por que acredito que legalmente não poderia mais renovar com a atual que permaneceu por vários anos, daí um novo processo  licitatório. Nenhum pronto socorro pode ser fechado da noite pro dia pois existem responsabilidades com a vida humana, daí é preciso prudência sensatez e se buscar em realizar uma audiência pública convidando a direção do hospital, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia, a direção da Chesf, a empresa ganhadora para  se sentar à mesa e equacionar está celeuma. Em hipótese alguma a parte mais frágil desta relação, que é o paciente, o povo, pode ter seu direito a saúde negado ou, nem tão pouco pode o médico exercer sua profissão a preço vil”.

O que é de estranhar em tudo isso, é o pouco caso que o governo, em todas a instâncias, mas, de responsabilidade maior, o governo federal, desde a gestão do ex-presidente Collor de Mello, alagoano, cujo Estado também tem muitos municípios buscando a saúde dos seus moradores neste Hospital da Chesf, vem restringindo condições de funcionamento do Hospital da Chesf que já passou por dezenas de iniciativas para sair do controle da hidrelétrica para outros controles e isso vem se arrastando há mais de 30 anos, a ponto do atual governador da Bahia declarar decidir apoiar outras iniciativas e chamar estas enrolações sem fim em uma grande novela mexicana.

Só um exemplo: Em 2010 assisti a uma de muitas reuniões sobre o Hospital da Chesf, no Memorial Chesf de Paulo Afonso. Ali estavam os políticos mais influentes da época. Deputados federais, estaduais, secretários de saúde, prefeitos da região, vereadores. Até um futuro Ministro das Cidades... E ali, a "novela mexicana" já tinha produzido muitos capítulos em cerca de 20 anos e ainda, como se vê, teria muitos a produzir pelos anos à frente, como se vê...

Ainda no tempo do presidente Collor a Chesf foi obrigada por Decreto Federal a dedicar-se apenas “à sua atividade/fim”, ou seja “produzir, transmitir e comercializar energia hidro elétrica”.

Por isso, a Chesf acabou o seu Zoológico, que era uma excelente atrativo turístico, fechou todas as suas unidades escolares, desde as do ensino maternal e fundamental I até o Colégio Paulo Afonso, o Centro de Treinamento e todos os seus cursos de nível médio, repassou os clubes sociais para os seus associados, fechou o posto de puericultura que era também uma grande ação social que atendia à comunidade mais carente e se desfez de inúmeras outras atividades.

O Hospital da Chesf foi o de maior resistência. E não custa lembrar que o Nair, já teve mais de 200 leitos.

O que mais se estranha em todo esse processo é que os políticos mais importantes que todos os anos de eleições levam milhares de votos dos pauloafonsinos tenham deixado que se chegasse a esta situação.

Ultimamente, a novela mexicana tem apresentado capítulos cujo desfecho dos personagens é muito preocupante para todos. E pode ser que, se não acontecerem ações urgentes e de fato definitivas, haverá muito choro e ranger de dentes, um quadro realmente apocalíptico, porque milhares de pessoas não terão nem onde nascer porque não haverá maternidades, porque a do hospital do município foi fechada há anos, nem onde buscar um atento, um renovar de esperanças, antes de morrer à míngua porque não vão existir médicos, profissionais da saúde, medicamentos, equipamentos necessários e o hospital do município não atende à demanda municipal (já se chega a 130 mil habitantes) e regional (mais de 500 mil)...

Nem atendimento, nem leitos porque a vida humana, o sofrido ser humano nordestino, que não tem planos de saúde nem condições de se deslocar para grandes centros de saúde, vai ter que recorrer às parteiras, de antigamente, para trazer seus filhos à luz, ou recorrer a meizinhas e remédios do mato para suprir suas necessidades de cura.

Esse quadro dantesco que se anuncia é mesmo motivo de vergonha de todos os homens honestos, brasileiros, nordestinos, sofredores, cada dia mais humilhados.

Dr. Ari foi muito feliz em sua colocação. “É preciso sensatez”. Nem se pode levar pacientes à morte anunciada nem desvalorizar o salário do profissional médico.

Sobretudo, é uma vergonha que a concessão ao direito à saúde seja utilizada como moeda de negociação ou pretexto para o fechamento de um hospital que tem servido, dignamente, a uma população de mais de 500 mil pessoas em quatro estados da Federação brasileira.

Como é também inconcebível que assunto tão sério e delicado, a vida, ou a falta de condições dela ser mantida, seja utilizada como pretexto para a busca de votos nas eleições como tem acontecido nas últimas décadas.

Os nordestinos moradores da Bahia, de Alagoas, de Sergipe e de Pernambuco, que recorrem ao Hospital da Chesf para buscar minorar suas dores, querem RESPEITO!

Ah! E um aviso a todos os políticos que estão interessados nos votos de mais de 80 mil pauloafonsinos e em mais de duzentos mil eleitores desta região, especialmente aos famosos “candidatos copa do mundo”, que aparecem na região de quatro e quatro anos. Estejam certos que os eleitores de Paulo Afonso, conscientes das suas vidas nada promissoras para esta região, estão de olho em vocês...

OBS: A Chesf saiu com uma nota sobre este assunto; 

Veja neste site, no link: http://www.folhasertaneja.com.br/noticias/regional/415173/1





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