Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019
Opinião

A igreja aberta - o Vaticano

Publicada em 03/10/19 às 00:23h - 168 visualizações

por Francisco Nery Júnior de Roma, para o jornal Folha Sertaneja


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Basílica de São Pedro  (Foto: Ângela Nery e Francisco Nery Júnior)

Ontem, cruzei a fronteira entre a França e a Itália. Hoje, saí da Itália e entrei no Vaticano. Indiscutivelmente o clima é outro. Pessoas como um formigueiro, muitas delas cheias do que ensinam os evangelhos, o clima é outro. No Vaticano, território soberano com chefe de estado, a história da Igreja Católica está ao nosso alcance. É como se ela entrasse no visitante, se apossasse dele se o leitor preferir, no momento justo da entrada. O esplendor do lugar se faz sentir. Impossível descrever o Vaticano com toda sua simbologia.


Não há cobrança de pedágio. Entra-se e sai da Basílica de São Pedro sem se pagar um tostão. A minha leitura é que a entrada na igreja deve ser gratuita como gratuita é a salvação. Creio ser esta a mensagem. Eu, como um, pagaria com satisfação considerando que há despesas de manutenção. A satisfação aumentaria se a arrecadação fosse destinada aos mais necessitados.



Antes do Vaticano, as primeiras visões da Roma dos imperadores: igrejas, monumentos, arcos e muralhas; e o Coliseu! Se a visão do Vaticano encanta, a do Coliseu eleva. Séculos de história, testemunho e fé se revelam. Com testemunho queremos dizer persistência e renúncia. Olhando bem para dentro do Coliseu, dá para ver o sangue dos mártires do cristianismo. A gente imagina a sua chegada em carroças e o seu descarrego nos grandes portões da arena como peças de um espetáculo que só poderia agradar aos néscios. Ouvem-se bem claramente os urros dos leões e o rasgar das carnes dos inocentes. Morreram como cordeiros mudos levados ao matadouro. Morreram a morte do Mestre que bem sabiam o Redentor. Não nos importam os espetáculos de arte e esplendor. Eles sempre existiram em qualquer teatro de qualquer lugar. O que está gravado nas pedras do Coliseu é o martírio dos cristãos primitivos. Sem eles, não teríamos recebido as boas novas.



Não posso deixar de confessar a minha surpresa com a recepção que descrevemos nos primeiros parágrafos. Paga-se tudo na Europa. Pagamento de taxas e impostos não é privilégio dos brasileiros. Por que, então, a Igreja não cobra taxa de entrada na Basílica de São Pedro? O que teria influenciado a decisão de não cobrar? De onde teria vindo a orientação? Quem teria decidido a não cobrança?



O Papa Francisco não nos autoriza duvidar do seu caráter. As obras testificam a fé. A bíblia assim o diz.  A sua pregação em favor dos mais humildes é constante e renitente. Algumas das suas ações têm sido originais. Outras marcantes e surpreendentes. Ele parece querer olhar e ver a sepultura dos seus antecessores bem ao seu alcance. Parece considerar que a glória do mundo é passageira. Parece desprezá-la como bom imitador do Cristo (Francisco rejeitou os aposentos papais tradicionais e mora em um pequeno apartamento de 40 metros quadrados). O Vaticano que acabo de visitar é o Papa Francisco?



A pergunta fica no ar. O que poderíamos considerar, para encerramento de conversa, é a proximidade do Coliseu em relação ao Vaticano. Possivelmente o papa tenha bem presente na sua cabeça o que sucintamente descrevemos no terceiro parágrafo.

Francisco Nery Júnior de Roma, para o jornal Folha Sertaneja

 




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