Terça-feira, 14 de Julho de 2020
Opinião

2. O que, realmente, importa. E por que.

Publicada em 25/07/19 às 23:06h - 681 visualizações

por Edson Mendes (81) 98105-1952 edsonmal@uol.com.br


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Imagem ilustrativa da 2ª Carta ao Príncipe (de uma série)  (Foto: imagem ilustrativa)

Desde sempre o homem se indaga sobre a finalidade da vida, e sem uma certeza sobre o seu significado procura respostas na religião, na filosofia, na ciência, e também nas seitas, na astrologia, no sobrenatural. Para explicar o inexplicável, criamos os mitos, e é na mitologia que explicamos, sob Hesíodo, na Teogonia, a origem do mundo – como do caos primordial surgiram deuses e seres metafísicos como o dia, a noite, o amor, o céu e a terra.

Seguindo Hesíodo, em Os Trabalhos e os dias encontramos um primeiro relato sobre a vida prática, e já aí se esboça, de modo didático, um quase tratado sobre os homens, e como estes se organizam para a necessária subsistência através da economia e do trabalho. E em Platão e Aristóteles, depois em Roma, agora no campo da filosofia e da ciência, vemos a base da res pública, o governo da pólis, ou da civita, a qualidade dos políticos, a responsabilidade dos cidadãos, o voto representativo, e por fim o objetivo final da aventura humana: a busca da felicidade como bem supremo - o sumo bem.

Tem-se, neste ponto, a inflexão subjetiva: o que é, e como encontrar a felicidade?

Sendo a política uma ciência prática, que visa o bem estar e a felicidade dos homens, sua meta é encontrar a maneira de viver que nos leve à felicidade, e depois a forma de governo e as instituições sociais capazes de assegurar o desiderato. Apoiar-se-á o homem, desse modo, na Ética, que define o que é a felicidade, e na Política, que nos ensina como obtê-la.

Ninguém deseja a infelicidade. Todos queremos ser felizes – depois da vida, na outra vida, o seremos, segundo o preceito, mas também, e primeiro, nesta. A ética então nos orienta: aquilo que favorece esta busca deve ser perseguido, e o que desfavorece não deve ser feito.

E aí está o valor da política como saber prático: balizar as condutas e assegurar o encontro.

E por viver em comunhão todos se obrigam, por si e pelos demais, a contribuir para o bem comum, com direitos e deveres estabelecidos em um contrato social. Àqueles que se abstém da parcela contributiva chamou-os Atenas idiotas porque, egoístas, abdicam de um direito que é de fato uma obrigação. A eles resta, assim, ser governados pelos que participam...

Escolher, então, quem preside, quem governa, quem dirige, com esses pressupostos, valores e princípios, já não é uma tarefa divina, e sim um atributo dos homens, não mais uma predestinação mas um direito e um dever que nos impomos. Em Roma, cerca de 300, sob Diocleciano, Bento de Múrcia organiza o mosteiro e estabelece a Regra basilar: “O Abade não é apenas aquele que manda, mas o encarregado, pelos próprios monges, de ajudá-los a caminhar para a felicidade, através do estudo, da convivência, da criatividade, do conhecimento e do trabalho”.

A palavra Abade, substantiva, pode ser substituída por outras. Chefe, Líder, Gerente, Presidente, Governador, Prefeito. O que prevalece é o predicado, posto que sempre será um de nós, escolhido por nós, dirigido por nós, segundo nossos valores e princípios, e a quem nos delegamos voluntariamente. Demissível ad nutum, mas caso extremo, porque o erro é moeda corrente, frisando-se que, no caso, será erro do outorgante, que escolheu mal, e não do outorgado – e agora a práxis nos socorre: é o erro elemento da aprendizagem...

Aprendemos, assim julgamos porque nos ensinaram, o que realmente importa, e nos declaramos aptos ao mister cívico, entretanto sabemos o que seja, de fato, a felicidade? O sufrágio? A práxis? O direito? A ética? O dever? Dizemos que sim, o suficiente, e então decidimos, como se sabe, a partir dos nossos valores, os quais dirigem nossos comportamentos.

Mas não se esqueça que há também os princípios, e é por estes que se controlam as consequências...

Edson Mendes - (81) 98105-1952 - edsonmal@uol.com.br




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1 comentários


Jacinto Terto

09/08/2019 - 17:05:52

Caro Edson Mendes, como sempre, os textos que você com maestria elabora são espetaculares, mas esse foi por demais filosófico e sábios, toca-nos o espírito... e desemboca na gruta da reflexão empírica dos que os ler!


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