Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
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7 de Setembro: “Fulguras, ó Brasil, florão da América”, “qual cisne branco em noite de lua”!!!

- VEJA O VÍDEO NO FINAL DA MATÉRIA - TRÊS VÍDEOS EM UM -

Publicada em 07/09/20 às 13:12h - 424 visualizações

por Antônio Galdino


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 (Foto: Acervo de Antônio Galdino)


Hoje, 7 de Setembro de 2020 é o aniversário do Brasil. Ele começou a ter vida livre, em 7 de Setembro de 1822. Hoje, o Brasil comemora 198 anos de sua independência.

Nos tempos de estudante aprendemos nas salas de aulas que nesse dia, às margens do Riacho Ipiranga, cansado de tanta cobrança do governo de Portugal à sua colônia, o Brasil, D. Pedro I ergueu a sua espada e gritou a necessidade de liberdade de um povo: “Independência ou morte!”

O seu grito contagiou os soldados brasileiros da sua guarda e os que estavam por perto e, com rastilho de pólvora, foi incendiando o Brasil.

Em alguns lugares, como na Bahia, onde aportaram os primeiros portugueses e, nos temos de Tomé de Souza foi a primeira capital do Brasil, resistiu mais um pouco mas também se juntou, um pouco à frente aos demais brasileiros...

Lembro que, menino, a professora nos levava para o pátio da escola e ali, sérios, compenetrados, em formação, acompanhávamos o hasteamento da bandeira do Brasil, todos os dias, antes de começar a primeira aula. E foi assim, sempre, todo o tempo. E disso sempre me lembro com alegria e orgulho!

Lembro que certa vez, no Ginásio Paulo Afonso, o GPA, que depois se transformou no doce gigante COLEPA, o professor de Educação Física atrasou um pouco e como as atividades sempre eram iniciadas com o hasteamento da bandeira e o canto do Hino Nacional, na ansiedade de jogar bola os colegas Jarbas e Francisco tiveram a brilhante ideia de praticar este ato cívico. Um se postou reverentemente, de pé, em frente ao mastro da bandeira e começou a cantar o Hino Nacional Brasileiro enquanto o outro hasteava a bandeira, solenemente...

Bem no final, chegou o professor Ivan Vicente. A bronca foi feia e fizemos tudo de novo, agora todos os alunos juntos...


O desfile do Ginásio Paulo Afonso no dia 7 de setembro, todos os anos, era alguma coisa de especial. O diretor Enoch Pimentel Tourinho trouxe a Canção do Marinheiro, o Cisne Branco, de suas vivências na Marinha Brasileira, para o Ginásio e ele foi adotado como o nosso hino.

Quando o cantávamos, o velho marinheiro se emocionava e até chorava. E, todos os anos, bem cedo, no dia 7 de setembro, já se ouvia o som da Banda Marcial, que ensaiara todos os dias para fazer sempre bonito, que se preparava para levar os estudantes para a principal avenida da cidade onde eram sempre esperados por uma multidão e frenéticos aplausos...

Um certo dia o professor Ivan Vicente combinou com todo mundo e pediu segredo absoluto para todos os alunos fazerem uma farda especial e se fazer uma grande surpresa ao querido diretor Enoch Pimentel no desfile do dia 7 de Setembro e decidiu que, no ensaio da véspera, os alunos da banda levariam os seus instrumentos para casa e, na manhã seguinte, a concentração seria no lugar conhecido como Lagoa dos Patos, onde hoje está o Clube dos Velhinhos.

O tempo passando e o Professor Pimentel agoniado, em seu impecável terno branco, andando pra cima e prá baixo na rua em frente do GPA e nada dos alunos aparecerem. Ia até a esquina e olhava a Rua das Caraibeiras e nem uma viva alma dos alunos do GPA.

De repente, ele ouve distante o som da Banda do Ginásio Paulo Afonso. E assim, num de repente, aparecemos todos, garbosos, vestidos com uma blusa de mangas compridas do tecido conhecido como “volta ao mundo”, que esquentava que era uma beleza, chegava a colar no corpo...

A banda à frente e todos nós, “peito pra fora, barriga pra dentro”, marchando e cantando a plenos pulmões, com garbo e emoção, o Cisne Branco. À frente da banda a eternamente jovem baliza Fátima Moraes...

“Qual cisne branco, que em noite de lua...”

Que emoção!!! Do Sr. Pimentel e de todos nós. E haja choro. De tudo que era lado...

Depois, nos recompomos e descemos a Rua das Caraibeiras rumo à Avenida Getúlio Vargas onde era o desfile antes e uma multidão entusiasmada já nos esperava.

As escolas da Chesf, desde antes do GPA, também já faziam sucesso nos desfiles cívicos, assim como nos Jogos Estudantis que eram chamadas de Olimpíadas que, no GPA, começaram com a disputa entre as séries ginasiais.

Nos últimos anos, alunos saídos das Escolas da Chesf, do GPA, do COLEPA resolveram promover um reencontro de ex-alunos. No primeiro encontro, quase mil deles trocaram abraços e lágrimas. Nos anos seguintes, outros momentos para se abrir o báu de memórias e agora, para lembrar dos namoricos de outrora e falar dos filhos formados, dos netos amados.

E os ex-alunos do COLEPA e também alguns ex-professores, que também participam do desfile cívico de 28 de julho, aniversário de Paulo Afonso, foram para a Avenida, agora Apolônio Sales e sentiram novamente aquele aperto no coração quando a banda de estudantes do colégio Carlina Barbosa de Deus, seu irmão novinho do COLEPA, sob a batuta do maestro Alexandre, tocou o Cisne Branco.

Pronto. Foi-se a maquiagem tão bem cuidada das muitas vovós que desfilavam na Avenida sob a narração de um locutor igualmente emocionado e a multidão indo ao delírio...

Que emoção tremenda!

Depois do desfile, para ser tudo como antigamente, uma esticada para a Manhã de Sol no COPA.

Era assim nos tempos do GPA.

Hoje o dia 7 de Setembro está estranhamento silencioso. Não há palanque enfeitado na rua, nem uma multidão ao longo de mais de um quilômetro na Avenida Apolônio Sales, atrás da corda de isolamento. Os soldados da 1ª Cia de Infantaria, que chegaram a Paulo Afonso desde 1954 também não estão ansiosamente esperados por todos desfilando altivos, destacando respeitosamente o pavilhão nacional e mostrando as muitas cores das bandeiras históricas.

Ali não apareceram as muitas escolas da cidade, públicas e privadas, e suas alegorias, suas bandas marciais e musicais inventando coreografias.

E os jovens, todos com mais de 50, 60 e até com 80 anos, estudantes, funcionários, professores, diretores das Escolas Reunidas da Chesf, do Ginásio Paulo Afonso, do Colégio Paulo Afonso também não vieram de muitos lugares do Brasil e até de Portugal para abraçar, simbolicamente, esta cidade que foi o berço da sua formação acadêmica desde os idos de 1949.

Um vírus maldoso e mortal vindo de outras terras, impediu esse abraço carinhoso dos que desfilam todos os anos nas avenidas de Paulo Afonso, entoando o Cisne Branco a plenos pulmões numa eterna homenagem ao COLEPA e a seus diretores, especialmente ao velho marinheiro Enoch Pimentel Tourinho e saudando a Pátria Amada.

Em nossos corações continuamos dizendo em forma de canção, de hino, de amor intenso:

“Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!”
(Veja mais fotos históricas no Facebook Antonio Silva Galdino)




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8 comentários


Geralda Soares de Araújo

08/09/2020 - 13:50:40

É sempre uma alegria, um prazer muito grande falar do COLEPA, que sempre se destacou pela organização, e qualidade de ensino. Era destaque em nossa região.


Xeleleu

08/09/2020 - 07:44:39

Tempo das coisas sérias. Garanto que esse pessoal está todo mundo colocado e trabalhando ou aposentados. eles iam para a escola estudar e não para esculhambar.Mas quem veio depois dessa fase veio par desconstruir a educação. temos sérias evidências que eram agentes do poder ilegítimo que não queria que as coisas mudassem.


Manuel B. Reis

07/09/2020 - 18:32:06

Bela homenagem professor Galdino, com certeza o senhor não deixaria passar essa data em branco, sabemos que hoje é uma data muito especial para nós brasileiros e não poderia deixar de ser mais especial para os ex alunos do COLEPA, data que procuramos nos reunir em comemoração e também rever os amigos que moram em vários lugares que aproveitam para viver esse momento único. Infelizmente esse ano foi diferente.Manuel ReisPresidente da Associação dos Ex Alunos do Colegio Paulo Afonso.


Manoel Rozendo Filho

07/09/2020 - 16:47:12

Parabéns competente Professor Galdino.Sou grato ao amigo como ex aluno do Colepa.Estudei a noite porque precisava trabalhar.Mais já pensou se não existisse Galdino e não tivesse o Dom de jornalista e não. Fundasse o Folha Sertaneja hj o dia 7 impedida pela pandemia ia ficar no esquecimento mais o folha sertaneja fez este registro histórico da memória do nosso Colega e desta data da independência.Da minha parte Professor Galdino.Obrigado.h


Paulo Lopis

07/09/2020 - 16:30:38

Fui aluno ďo Ginásio Paulo Afonso e desfile várias vezes no 7 de setembro nos anos 1954 a 1958. Minha esposa também foi aluna do ginásio Paulo Afonso e meus quatro filhos foram alunos d colepa.


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