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08.01.2018 | 00:45

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Morte de Carlos Heitor Cony consterna escritores e leitores brasileiros

Ele morreu no Rio de Janeiro, dia 05 de Janeiro 2018

Antônio Galdino, com informações de G1

Morte de Carlos Heitor Cony consterna escritores e leitores brasileiros

da net
Carlos Heitor Cony

Carlos Heitor Cony

 A notícia da morte do jornalista e escritor imortal da Academia Brasileira de Letras, Carlos Heitor Cony, foi levada ao mundo pelos sites como o G1 e nos informativos da televisão brasileira e gerou, em todos os lugares a consternação de escritores e de leitores que o amavam desde os tempos em que escrevia na extinta Revista Manchete.

Carlos Heitor Cony nasceu no Rio de Janeiro em 14 de Março de 1926 e faleceu em 5 de Janeiro de 2018, prestes a completar 92 anos de vida intensa.
Sobre a sua morte, assim se expressaram os escritores da Academia de Letras de Paulo Afonso:

“Morreu Carlos Heitor Cony, um dos meus escritores brasileiros preferidos. É certo que poucos lerão isto até o fim. Entendo, num país que continua dando as costas para a leitura e para o conhecimento, é até previsível. Talvez por isso vivamos esse momento, moral e político, tão apodrecido. E pior, temos informação, temos acesso ao conhecimento como nunca tivemos. Um dia, esse escritor, que acabou de nos deixar, escreveu: “O mercado da informação, que formaria o poder no mundo moderno, em breve estará tão poluído [corrompido] que dificilmente saberemos o que ainda não sabemos: o que é mentira e o que é verdade"'. Vá em paz, se possível, bom e velho Cony”. (Gecildo Queiroz - Imortal da ALPA)

“Lamentavel a morte de Carlos Heitor Cony. Também sou leitor dele. Aprendi muito com seus textos.”(Ivus Leal – Imortal da ALPA)

“Além do grande jornalista desde o tempo da Revista Manchete, que fez a cobertura da construção de Brasília, e nos jornais por onde passou, e os quase 20 livros que fez, ele deixou o registro de muitos anos da história do Brasil e, lamentavelmente, muitos nem sabem quem foi Carlos Heitor Cony e sua importância para o jornalismo e a literatura brasileira”.(Antônio Galdino - Imortal da ALPA)

O Portal G1, da Rede Globo assim noticiou a morte de Cony:

(Foto: Antônio Gaudério/Folhapress/Arquivo)
Carlos Heitor Cony - Foto de maio de 2000

Carlos Heitor Cony - Foto de maio de 2000

O jornalista e escritor Carlos Heitor Cony morreu, por volta das 23h desta sexta-feira (5), aos 91 anos. Ele estava internado desde 26 de dezembro no Hospital Samaritano, no Rio. Em 1º de janeiro, foi submetido a uma cirurgia no intestino e teve complicações. A causa da morte foi falência de órgãos.
Com uma longa carreira de jornalista, iniciada ainda nos anos 1950, e atuação nos principais jornais e revistas do país ao longo das últimas décadas, Cony era considerado um dos maiores escritores brasileiros vivos. Ganhou diversos prêmios e, desde 2000, era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).

É autor de 17 romances, como "O ventre" (1958), "A verdade de cada dia", "Tijolo de segurança" e "Pilatos" (1973), uma de suas obras-primas. Depois deste último, passou mais de 20 anos sem publicar nenhum outro romance, quando lançou "Quase memória" (1995). A obra, que vendeu mais 400 mil exemplares, rendeu o Prêmio Jabuti.

Muitos nomes de expressão nacional também lamentaram a morte de Carlos Heitor Cony e dentre tantos, destacamos: Artur Xexéu, Fernando Henrique Cardoso, Gerson Camaroti e Marcos Luchesi, presidente da Academia Brasileira de Letras:

Artur Xexéo, jornalista e escritor, em depoimento à GloboNews: "Durante 15 anos seguidos, a primeira pessoa para quem eu dava bom dia era o Cony. As pessoas confundiam as nossas vozes e eu ficava hornado. Ele era muito mais inteligente e culto que eu. [...] Durante 15 anos tive uma aula diária com ele. [...] Ele não queria que a morte dele fosse divulgada, não queria homenagens. Mas é impossível não homenagear Cony não só pelo jornalista que foi, mas principalmente pela figura humana. Era um grande camarada, um grande companheiro".

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente, em nota: "Cony foi um dos mais brilhantes jornalistas que o Brasil já teve. Não se calou ao defender a democracia na época em que isso era arriscado Critico pertinaz e inteligente, soube também ser generoso. Ademais era um cronista de qualidade, como poucos. Lamento sua morte e continuaremos a sentir sua ausência”.

Gerson Camarotti, colunista do G1: “Carlos Heitor Cony fará muita falta. Ele foi uma referência para várias gerações de jornalistas. Comecei a ler Cony na Manchete. Fez a cobertura histórica da visita do Papa em 1980, registrada no livro "Nos passos de João de Deus". Era uma delícia ouvir seus relatos na CBN. Porém, o mais importante: Cony era um jornalista e escritor extremamente generoso com os colegas da nova geração. Certa vez, chego em casa e recebo vários livros enviados por ele com um bilhete afetuoso, que só os mestres podem escrever. Fiquei emocionado! É difícil pensar no jornalismo brasileiro sem Cony! Sua partida deixa um vazio. Ainda mais... neste momento do país”.

Marco Lucchesi, presidente da ABL, em nota: "Fui seu leitor fervoroso e perdi a conta dos charutos compartilhados ao longo dos anos. Perdemos um nome certo para o Nobel. Carlos Heitor Cony integra a família dos grandes escritores do século XX. Criou um continente literário fascinante, sagaz, imprevisível. Homem de vasta cultura, jamais se desligou do presente, do Brasil e do mundo. 'Quase memória' é um de seus livros mais visitados e redesenha a figura do pai na literatura brasileira".

Confira algumas das principais obras de Carlos Heitor Cony:

"Quase memória": O livro, que lhe rendeu o prêmio Jabuti de Literatura como Melhor Romance e Livro do Ano, fala da relação do autor com seu pai morto, Ernesto Cony, em relatos que transitam entre a ficção e a memória. Marcou seu retorno aos romances após 22 anos.

"Pilatos": Originalmente publicado em 1973, uma de suas obras-primas, o livro fazia uma sátira da situação política e social do Brasil sob a ditadura. O protagonista de "Pilatos" é um mendigo que, após um acidente, tem o pênis decepado. O personagem vaga pelas ruas do Rio carregando o membro dentro de um pote de vidro.
Sobre "Pilatos", Cony certa vez declarou ser seu livro favorito e acrescentou: "É a minha visão do mundo, e acho que vou morrer com ela”.

"A Casa do Poeta Trágico": Outra obra do autor a ganhar o prêmio Jabuti de Literatura. Um publicitário embarca, a trabalho, num cruzeiro pelo Mediterrâneo. Ele tem desprezo pelo ambiente e as pessoas que o cercam ali. Sua atenção se volta para uma jovem, que o intriga. Assim tem início uma história de amor.

"O Ventre": Foi o primeiro romance escrito por Cony. A obra narra a trajetória do jovem Severo, que não consegue se encaixar no meio em que cresceu. Desprezado pelo pai, rejeitado por sua paixão, ele descobre após a morte da mãe que era bastardo e passa a viver na solidão. Foi escrito em 1955.

"Informação ao crucificado": Lançado em 1961, neste livro, Cony é o autor e o personagem principal, que narra sua vida como um jovem seminarista. O livro funciona como o diário do personagem com cada texto sendo marcado por uma data específica.

"Romance sem palavras": Ganhou o Prêmio Jabuti em 2000 por este romance. Através de três histórias diferentes, que se passam no final dos anos 60 e meados dos anos 90, Cony retrata o Brasil da época. Os personagens possuem alguns laçoes entre si, mas não muitas afinidades.

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