Pular a navegação e ir direto para o conteúdo
Paulo Afonso - domingo, 05 de setembro de 2010 | 11:55
Home > Nacional
Folha Sertaneja - Paulo Afonso - BA
19/05/2010 - 06:31
Reforçada pelo dinheiro da estatal nordestina, holding eleva lucro em 413% no 1º trimestre. Resultado passou de R$ 101 milhões para R$ 520 milhões
Da Redação
Inflada pelo bom resultado financeiro da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que registrou um lucro de R$ 433,8 milhões no primeiro trimestre do ano, sua holding, a Eletrobras, também teve um bom desempenho no mesmo período. Lucrou R$ 519,7 milhões, um acréscimo de 413% em relação aos primeiros três meses de 2009 (R$ 101,3 milhões). A Chesf, que sofre um processo de esvaziamento político e operacional, foi responsável por 83,5% do lucro da Eletrobras, sua controladora. Com sede no Rio de Janeiro, a Eletrobras é comandada politicamente pela parte do PMDB ligada ao senador José Sarney.
Excluindo o lucro da Chesf, as 10 empresas que entraram no balanço da Eletrobras somaram um lucro de R$ 85,9 milhões no resultado do primeiro trimestre deste ano. O balanço excluiu do resultado algumas controladas da holding como Furnas, Distribuição Acre, Amazonas Energia, Distribuição Roraima e Distribuidora Rondônia. A Eletrobras tem 16 empresas. A Chesf, cujo poder decisório agora é na Eletrobras, é a mais lucrativa de todas.
Segundo informações da assessoria de imprensa da Eletrobras, a capitalização das subsidiárias, realizada no fim do ano passado, e a consequente redução das despesas operacionais e financeiras dessas empresas, aliada à questão cambial, possibilitaram à holding o aumento do lucro. Nesse processo de capitalização, a Eletrobras assumiu as dívidas das principais subsidiárias - incluindo as da Chesf. Assim, passou a pagar menos Imposto de Renda sobre esses financiamentos.
As empresas do sistema elétrico que mais se destacaram no bom resultado da holding foram a Eletrobras Chesf (novo nome da empresa nordestina), com um resultado 64,6% superior ao do primeiro trimestre do ano passado, e a Eletrobras Eletronorte, segundo informações do gerente da Divisão de Relações com Investidores da Eletrobras, Arlindo Castanheira. A Eletronorte parou de ter prejuízo com os sistemas isolados implantados no Norte do País devido a uma mudança na legislação que ocorreu no ano passado.
Ainda de acordo com Castanheira, os dados da estatal Furnas não entraram no resultado do primeiro trimestre porque a empresa não concluiu o relatório de informações a tempo, devido à troca do seu sistema de gestão de acompanhamento contábil. “Furnas tem um perfil muito parecido com o da Chesf, portanto, quando tivermos essas informações, deve ser algo próximo da Chesf, em termos de resultados”, afirmou.
Esvaziamento
“Esvaziar a Chesf - como a Eletrobras vem fazendo - e se apropriar do seu lucro pode ser classificado como um estelionato”, diz o diretor do Ilumina Nordeste, João Paulo Aguiar. O Ilumina é uma organização não-governamental (ONG) que atua no setor elétrico. Nos últimos cinco anos (entre 2005 e 2009), a Chesf foi responsável por 40% do lucro do sistema Eletrobras. No ano passado, a Chesf registrou um lucro de R$ 764,4 milhões, enquanto o da Eletrobras ficou em R$ 170,5 milhões.
O lucro da Chesf cresceu 64,6% no primeiro trimestre deste ano porque a receita da empresa aumentou em 1,5% e os custos caíram 12,5%. Contribuíram para essa queda a redução de 70% das despesas financeiras e a diminuição dos juros. Até agora, apesar de tentar vender a ideia de que vai recuperar a autonomia da Chesf, o governo federal não tomou qualquer providência para devolver a força da empresa nordestina, que foi retirada com a alteração dos estatutos realizada em 2008.