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Paulo Afonso - domingo, 05 de setembro de 2010 | 11:19


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Folha Sertaneja - Paulo Afonso - BA
19/03/2010 - 06:18

Chesf começa a se internacionalizar

Companhia vai operar hidrelétrica de Tumarín, na Nicarágua

Angela Fernanda Belfort

A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) vai fazer a fiscalização das obras, a operação e a manutenção da hidrelétrica de Tumarín, na Nicarágua.

A estatal vai operar a usina por 30 anos a partir de 2014, quando ele deve ser concluído. O investimento, que marca o início do processo de internacionalização da maior empresa do Nordeste, será de US$ 850 milhões (cerca de R$ 1,49 bilhão).

As obras serão bancadas pela dona da concessão, uma sociedade de propósito específico (SPE) que tem 50% de participação da Eletrobrás e a outra metade da Construtora Queiroz Galvão.

A Chesf vai entrar com pessoal e o conhecimento que acumulou nos seus 62 anos de existência e a Eletrobrás, sua controladora, aumentará seu ativo e o lucro.

A hidrelétrica terá uma potência instalada de 220 megawatts (MW) e vai gerar cerca de 100 MW médios.

Isso significa 25% de todo o mercado de energia da Nicarágua em 2014. “Já temos as licenças.

Não há pendências para a construção do empreendimento. A energia limpa da hidrelétrica vai substituir as térmicas, que têm um grau de poluição elevado”, explicou o presidente da Chesf, Dilton da Conti, numa coletiva que também contou com a participação de dois diretores da Eletrobrás.

A dependência que os países da América Central têm do óleo diesel faz o preço da energia aumentar muito quando o preço do petróleo sobe. Com a usina, o governo nicaraguense espera diminuir a conta de petróleo em US$ 100 milhões.

A energia gerada por Tumarín será comercializada por US$ 115 o megawatt-hora (MWh), enquanto atualmente a mesma quantidade de energia térmica é comprada por US$ 300 na Nicarágua. No Brasil, o MWh fica entre US$ 70 e US$ 80.

Dos recursos que serão investidos, cerca de 33% sairão de um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), 33% aportados pelos sócios e 33% financiados pelo Banco Centro-Americano de Investimento Econômico (BCIE), que é a instituição de fomento da Nicarágua.

A construção de Tumarín marca o início da internacionalização da Eletrobrás na área de geração de energia, que coincide com uma reformulação da estatal. Nela, a Eletrobrás aumentou o controle sobre as suas subsidiárias, como a Chesf, que teve a sua autonomia reduzida com a alteração de seu estatuto, no ano passado. Depois disso, qualquer decisão estratégica da Chesf tem que ser previamente aprovada pelo Conselho de Administração da Eletrobrás, que também estuda aumentar a sua participação nos empreendimentos de geração nas Américas.

“As mudanças geram ansiedade e angústia. É preciso entender o que significa a Eletrobrás virar uma megaempresa com atuação nacional e internacional. A Eletrobrás vai conseguir isso se forem fortes as suas controladas”, explicou Dilton. A Eletrobrás tem 16 subsidiárias.

Nos últimos dias, pelo menos um dos servidores da Chesf entregou o cargo comissionado por discordar do processo de reestruturação da Eletrobrás. A partir da próxima segunda-feira, a marca da empresa nordestina passará a ser Eletrobrás-Chesf.

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