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Paulo Afonso - domingo, 05 de setembro de 2010 | 11:35
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Folha Sertaneja - Paulo Afonso - BA
19/03/2010 - 06:33
Companhia participará do segundo projeto internacional da Eletrobrás. Queiroz Galvão deverá construir obra
Tiago Cisneiros
A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) será responsável pelo planejamento de engenharia, fiscalização das obras, operação e manutenção temporária do segundo empreendimento internacional da Eletrobrás (e primeiro na geração de energia). Trata-se da hidrelétrica Tumarím, que deverá atender a 25% da demanda da Nicarágua, com uma capacidade de produção de 220 Megawatts (MW). O anúncio foi feito ontem por diretores da Chesf e da Eletrobrás. A construção da usina deve ficar por conta da empresa pernambucana Queiroz Galvão.
Chesf vai participar do projeto na Nicarágua com a Eletrobrás por conta de sua experiência na construção e gestão de usinas como a de Paulo Afonso
As obras devem ser iniciadas em junho, após o período de chuvas na Nicarágua. A Eletrobrás espera que, até lá, sejam finalizados os estudos de viabilidade e assinados os contratos de financiamento, principais entraves para o começo da construção. O investimento total de US$ 850 milhões será dividido, igualmente, entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco Centroamericano de Integración Económica (BCIE) e a própria Eletrobrás. O prazo para a conclusão da usina é o final de 2014. A partir de então, a Chesf assumirá os trabalhos de operação e manutenção durante 30 anos.
Os investimentos no exterior são motivados pelo desejo do governo federal de transformar a Eletrobrás em uma "megaempresa" do setor elétrico, a exemplo da Petrobras. Outra vantagem da atuação externa, de acordo com o diretor de tecnologia, Ubirajara Rocha Meira, é criar possibilidades de retorno em casos de emergência. "A chance de faltar energia no Brasil é quase nula, mas, se acontecer, temos um planejamento para buscar nos países vizinhos", explicou.
Além da hidrelétrica na Nicarágua e das linhas de transmissão entre o Brasil e o Uruguai (primeiro empreendimento internacional), a Eletrobrás tem dez projetos em análise, incluindo construções de usinas, criação de ligações com países vizinhos e compra de empresas dos Estados Unidos. O fato de a Chesf ter sido escolhida para assumir o segundo investimento no exterior éuma prova de reconhecimento de sua história e expertise, segundo o diretor-presidente, Dilton da Conti Oliveira, e o diretor da Eletrobrás Ubirajara Meira.
Polêmica - Dilton da Conti disse que a nova estrutura do Sistema Eletrobrás, com a perda das marcas próprias das subsidiárias, não deve prejudicar os trabalhadores da Chesf. A afirmação vai de encontro às críticas do diretor de benefícios da fundação de seguridade social da empresa (Fachesf), Robstaine Saraiva, durante protesto dos funcionários, na última segunda-feira, contra a concentração de poder da Eletrobras.
Segundo Oliveira, até o momento, não houve qualquer debate sobre mudanças no programa de previdência social dos funcionários da Chesf. O presidente declarou que a concentração das decisões do setor nas mãos da Eletrobrás é uma oportunidade de desenvolvimento, tanto para a empresa macro, quanto para as subsidiárias. Não negou, no entanto, que as empresas regionais, como a Chesf, possam perder autonomia. "É natural que a Eletrobrás, diante do seu projeto de expansão, se torne mais controladora. Agora, não veremos mais problemas de concorrência entre as subsidiárias."