Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

Paulo Afonso - quarta-feira, 08 de setembro de 2010 | 07:21


Home > Local

Folha Sertaneja - Paulo Afonso - BA
26/07/2010 - 08:12

Transposição pode causar doenças

Professor da Universidade do Ceará alerta para o perigo da disseminação de enfermidades como esquistossomose

Da Redação

Quando o governo federal informa sobre as obras de integração das bacias hidrográficas do Semiárido nordestino, com a transposição do Rio São Francisco, geralmente toca-se apenas em questões econômicas, sociais, e ambientais.

No entanto, descobertas recentes têm deixado especialistas da área de saúde em estado de alerta.

Segundo estudos realizados pela Universidade Federal do Ceará (UFC) a interligação dos rios, realizada com a obra, pode aumentar a incidência de esquistossomose no Nordeste.

O Vale do São Francisco é uma das regiões com risco de serem atingidas.

O problema foi levantado pelo professor de parasitologia da UFC, Fernando Schemelzer Moraes Bezerra.

Segundo o pesquisador, ao interligar o Velho Chico a pequenos rios de Estados do Nordeste, espécies do caramujo transmissor da esquistossomose podem migrar pela água para locais onde ainda não estavam presentes e darem origem a novos criadouros.

“O Vale já possui uma espécie do caramujo transmissor da doença, o Biomphalaria straminea. Nessa região, o principal risco se dá pela migração de trabalhadores para atuar na transposição”, informa o professor.

“Hoje pelo menos 10 mil pessoas estão empregadas na obra, em especial no chamado Eixo Norte, no município de Cabrobó.

Em Petrolina e Juazeiro não há registros recentes de esquistossomose.

Mas se esses trabalhadores estiverem contaminados, eles podem infectar a água do rio e espalhar a doença na região.

Eles precisam passar por exames médicos adequados”, sugere.

Para Fernando Schemelzer, de uma forma geral, a transposição do São Francisco será benéfica para o Semiárido nordestino.

Mas ele ressalta que o governo federal deveria implementar mais ações para conter os impactos à saúde da população.

“O Nordeste agrupa 28% da população do País e possui apenas 3% de disponibilidade hídrica. Esse projeto pode resolver boa parte desse problema. O que eu não vejo são medidas claras para garantir a saúde dos sertanejos. Porque trazendo água, várias doenças também podem ser espalhadas.”

De acordo com o especialista, além da esquistossomose, a água pode ser vetor para o aparecimento de doenças como a febre tifoide, leptospirose, difteria bacilar, cólera, hepatite, entre outras.

“É preciso uma vigilância epidemiológica muito forte nos locais atingidos pela transposição”, afirma.

“Principalmente, é necessário implementar um processo grande de educação sanitária e saneamento básico nessas regiões. Se isso for feito, boa parte desses problemas serão completamente resolvidos”, garante.

A esquistossomose é uma doença grave causada pelo parasita Schistosoma mansoni, que se abriga em caramujos de água doce.

As pessoas são infectadas pelo verme através da pele quando entram em contato com rios, riachos, canais de irrigação e reservatórios contaminados.

Pelas fezes da pessoa infectada, os ovos do parasita podem voltar aos caramujos e se desenvolver.

A doença, que pode ser crônica e levar à morte, atinge principalmente moradores da zona rural.

Enviar por e-mail

Insira até cinco e-mails, separados por vírgula








1 Comentário

maria do socorro de souza comentou:
Eu,pessoalmente,sou contra a tranposicão do rio São Francisco. Quem conheceu sua foz na infância, vendo hoje sente que ele já não é o mesmo.Muitas vezes o mar invade o rio,dando a idéia de que ele perdeu um pouco da sua força.Métodos mais modernos, como a captação das águas das chuvas do nordeste em reservatórios, seria mais barato e possível.A tranposição me faz pensar que se trata de vaidade.
Comentário publicado dia 27/07/2010 às 16:21
Deixe um Comentário





  • Observações
    • Todos os campos são de peenchimento obrigatório
    • Seu email não será publicado
    • O comentário será enviado para o moderador antes de ser publicado