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08.05.2016 | 00:32

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AS ÁGUAS DA CACHOEIRA... UMA SAUDADE QUE DÓI...

Ela é a única programável do mundo... mas não tem água, "o rio tá fraco"...

Antônio Galdino da Silva

Foto: Antônio Galdino
Cachoeira de Paulo Afonso e Usina Angiquinho

Cachoeira de Paulo Afonso e Usina Angiquinho

 Dentro do projeto de intensa divulgação da novela Velho Chico, a TV Globo tem produzido muitos programas sobre o rio São Francisco desde o Globo Rural ao Globo Repórter e dezenas de matérias especiais para os seus programas jornalísticas.

Sou um estudioso, pequeno mas apaixonado pelo rio São Francisco que conheci há pouco mais de 60 anos quando chegamos a região das Cachoeiras de Paulo Afonso.
Cachoeiras, porque são muitas. Paulo Afonso, Véu da Noiva, Croatá... D. Pedro II identificou e fala de "sete quedas"...

D. Pedro II
Desenho das 7 quedas da Cachoeira de Paulo Afonso, feito pelo Imperador D. Pedro II

Desenho das 7 quedas da Cachoeira de Paulo Afonso, feito pelo Imperador D. Pedro II

Talvez por isso, vez por outra sou procurado por pesquisadores e pelo pessoal da TV para falar sobre esse empolgante tema.

Foi assim quando conversei com o renomado repórter Francisco José, no Mirante da Cachoeira de Paulo Afonso, na Ilha do Urubu, para um Globo Repórter e fiquei no ar por exatos 13 segundos.

Foto: Antônio Galdino
Cachoeira de Paulo Afonso em sua plenitude - 2007

Cachoeira de Paulo Afonso em sua plenitude - 2007

 No início de Abril deste ano, 2016, voltei a este cenário e conversei bastante com o repórter Renato que, acompanhado de grande equipe de produção, gravava mais uma capítulo para uma série sobre o rio São Francisco que está sendo exibida aos sábados, das 06 às 08 horas no programa COMO SERÁ, desta TV Globo.

Não sei quantos segundos vou ficar no ar, mas falei bastante da importância das águas da Cachoeira de Paulo Afonso para o turismo local e regional e de como dói não ver mais a sua pujança que motivou a vinda do Imperador D. Pedro II para conhecê-la, em Outubro de 1859 e fez Castro Alves derramar a sua alma em versos imortais.

Arq. Folha Sertaneja
Cachoeira de Paulo Afonso - foto histórica

Cachoeira de Paulo Afonso - foto histórica

 
O pesquisador Alejandro Luis em estudo feito no fim do século passado, atribuiu nota 10 à importância da Cachoeira de Paulo Afonso como propulsora do turismo na região.

Se houver grandes cheias no rio São Francisco, depois que o lago de Sobradinho completar os seus 34 bilhões de metros cúbicos, depois que forem atendidos todos os grandes projetos de irrigação, depois que suas águas correrem em abundância pelos canais de transposição...

Foto: Antônio Galdino
Diretor da ANA na Cachoeira de Paulo Afonso - Abril 2006

Diretor da ANA na Cachoeira de Paulo Afonso - Abril 2006

 Em Outubro de 2005, a pedido do então na época Diretor Administrativo da Chesf, João Bosco Almeida, fiz um estudo sobre a abertura periódica da Cachoeira de Paulo Afonso. Ele foi enviado à ANA - Agência Nacional das Águas. Em Abril de 2006, diretores e técnicos da ANA, ONS e Chesf estiveram na Cachoeira fazendo estudos com base no meu projeto, Aí, veio o projeto da Transposição e outros, e outros, somou-se a isso a falta de interesse e de defesa dos políticos da região e... nada.

Arq. Folha Sertaneja
Antônio Galdino, Cachoeira de Paulo Afonso, paisagem sertaneja

Antônio Galdino, Cachoeira de Paulo Afonso, paisagem sertaneja

Se forem muitas as águas e o homem não atrapalhar demais, a única cachoeira programável do mundo, a Cachoeira de Paulo Afonso, será outra vez grandiosa. Suas águas vão de novo despencar de 80 metros de altura e rolar sobre as escalpas dos paredões de granito e esconder-se no sumidouro das rochas, saudar a Furna dos Morcegos na sua passagem e seguir pelo cânion de 65 quilômetros até ser controlada pela barragem de Xingó, promover o turismo naquela região e espraiar-se pelo baixo São Francisco seguindo até o abraço com mar, que já vem recebê-la bem antes de sua foz entre as terras alagoanas de Piaçabuçu e sergipanas de Brejo Grande.

Foto: Paulo Bento
Antônio Galdino filmando a Cachoeira de Paulo Afonso

Antônio Galdino filmando a Cachoeira de Paulo Afonso

 A Cachoeira de Paulo Afonso eternizada também nos versos do pioneiro e saudoso Diogo Andrade de Brito que dizia “As águas da Cachoeira, rolam, rolam, sem parar”, faz tempo, pelo menos 9 anos, se transformou “apenas em um retrato na parede”, como escreveu o também saudoso José Carlos Feitosa.

O GRITO DO VELHO CHICO

Foto: Antônio Galdino
Cachoeira seca...

Cachoeira seca...

Rio São Francisco,
Rio da integração,
Fazer desse torrão teu caminho
É o grande presente do criador.
Como criatura te agradeço,
O Nordeste de abraça e reverencia,
Te admiro velho guerreiro,
Tu, destemido e generoso nos traz alento,
Nos faz esperançosos e corajosos.
Rasga teu leito neste chão árido,
Suavizas nossas agruras,
E com força empurras a mar.
Escuto teu grito perdendo forças,
Quem dera perpetuar o teu curso,
Eternizar o véu da noiva...
Choro contigo meu Velho,
Sei que a queda da cachoeira
Será em breve um retrato na parede.

José Carlos Feitosa,
Paulo Afonso/BA., Março de 1980.


VEJA TAMBÉM no FACEBOOK: Antonio Silva Galdino, 42 fotos da Cachoeira de Paulo Afonso

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