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15.03.2013 | 13:16

 

Breve história da Chesf, a redenção do Nordeste

Antônio Galdino

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Nascia a Chesf a 65 anos para a redenção do Nordeste

Há dois anos, quando a Chesf completou 63 anos, produzimos um texto de conotação histórica sobre a criação e a importância da Chesf para toda a região Nordeste do Brasil e, tão forte e marcante foi a sua presença que a Hidrelétrica do São Francisco, inaugurada pelo presidente da República João Café Filho em 15 de janeiro de 1955 passou a ser chamada de “Redenção do Nordeste”.

Dois anos depois, em 15 de Março de 2013, a Chesf passou por mudanças radicais, na sua relação com essa região que ela, também de forma radical, contribuiu muitíssimo para sair da condição de gueto, de terra esquecida e sem valor, para região promissora de desenvolvimento econômico e social.

Durante toda a sua vida a Chesf sempre esteve no topo da eficiência e os recursos gerados de suas usinas permitiram a distribuição de prêmios financeiros aos seus empregados e a permanente manutenção, também no topo da qualidade, de suas usinas e de suas linhas de transmissão, sendo exemplo de qualidade na prestação desse serviço para milhões de brasileiros.

De repente, a Chesf passou a ser apenas um sobrenome da Eletrobrás que era uma holding em torno da qual caminhavam, sempre devedoras, quase uma dezena de outras hidrelétricas. A Chesf sempre foi a superavitária e viu-se, de repente, sendo apenas mais uma.

Com esta medida e outras pressões do governo federal, a grande mãe do Nordeste, vê suas forças sendo exauridas, é obrigada a mudar sua política de relacionamento com a região que ajudou a erguer. E, se a hidrelétrica, também forçada por decisão federal, desde os tempos que deviam ser esquecidos do presidente nordestino Collor, começou a se desfazer de patrimônios riquíssimos com os cuidados com a educação dos filhos dos seus empregados, o investimento em projetos culturais, de que a região é tão carente, e mais ainda no interior, no sertão, nas terras caatingueiras, onde as águas das grandes barragens chegaram, expulsaram milhares de famílias, inundaram a história centenária de várias cidades, vilas, povoados, a presença da Chesf, sempre acolhida com muita alegria vai rareando...

Vez por outra aparece uma cena que desponta na mídia como um grande gesto da hidrelétrica que, de fato está se livrando de terrenos, prédios, instalações que representam custos fora do eixo gerar, transmitir, comercializar energia elétrica. Tudo o mais passou a ser supérfluo, desnecessário. E, atribuindo essas restrições a decisões e ordens superioras, da Eletrobrás, da Aneel, do Ministério das Minas e Energia, do Governo Federal, corta-se o cafezinho, os contratos com a imprensa, os apoios e patrocínios culturais, embora a receita líquida da Chesf, nos últimos anos, seja contada em bilhões de reais a cada ano.

A história recente, bem recente, da Chesf, mesmo que vista à luz da modernidade, de outros tempos e outros interesses, inclusive politico-partidários, não é compatível com a história de 65 anos da maior empresa do Nordeste que, com sua presença na região fez com que a história dessa região fosse escrita com dois grandes capítulos – a de antes e a de depois da Chesf.

Mesmo questionando atitudes recentes, que tem afastado a Chesf do povo humilde que a construiu e fez dela a maior empresa nordestina, vimos como necessário refazer o caminho desta grande empresa, conversar com o passado e trazer aos internautas, um pouco da história desta grande empresa que teve uma influência grande no desenvolvimento regional, fez nascer e crescerem municípios e cidades como Paulo Afonso/BA, Santa Brígida/BA,  Delmiro Gouveia/AL, Jatobá/PE, Canindé do São Francisco/SE... apenas para citar algumas em quatro dos estados onde estão as suas maiores usinas, responsáveis por cerca de 85% de toda a energia produzida por ela e, consequentemente, toda a receita que hoje enchem os cofres da Eletrobrás, embora o presidente da Chesf, João Bosco de Almeida negue que a empresa tenha perdido a sua autonomia.

E a empresa doa terrenos para instituições públicas e universidades, anuncia a venda da termoelétrica de Bongi (Recife), inaugura o seu primeiro parque de energia eólica, em Sento Sé, na Bahia e informa que estará investindo 500 milhões de reais no Ceará, em 2013, como diz o site da hidrelétrica – www.chesf.gov.br.

Sempre foi preocupação da diretoria da Chesf mostrar o quanto a empresa se preocupa com a região, seja em ampliar os seus investimentos, seja no fomento à cultura e nas ações no meio ambiente, ações reconhecidas pela empresa como de responsabilidade social no Nordeste.

Especialmente no último ano, 2012, a nossa grande Chesf vem promovendo mudanças ou levada a aceita-las, que trazem inquietação inclusive entre seus milhares de empregados que sempre “vestiram a camisa” da hidrelétrica desde os seus primórdios.

No seu aniversário de “65 anos, na terceira idade mas ainda vigorosa e cheia de vida”, como disse o seu Diretor Administrativo, Pedro Alcântara, na solenidade da doação do terreno da empresa para a Univasf, em Paulo Afonso, no dia 14 de março a Chesf, como instituição que realmente mudou a história da região Nordeste, merece o nosso aplauso, por tudo que se construiu nesta região ao longo de sua história como promoção do seu desenvolvimento.

Assim, para que outros conheçam melhor esta história, reapresentamos, com informações atualizadas, uma breve história da Chesf, a redenção do Nordeste!

Antônio Galdino da Silva

Historiador – redator chefe do jornal Folha Sertaneja – Paulo Afonso/BA

acervo Chesf
acervo Chesf

Construção da Barragem Delmiro Gouveia para alimentar a Usina PA-I, depois a II e III

COMO A CRIAÇÃO DE UMA HIDRELÉTRICA PODE MUDAR A HISTÓRIA DE UMA REGIÃO 

Pode-se afirmar, tomando a Chesf como exemplo, que são muitas e significativas estas mudanças. Antes da Chesf, toda a região Nordeste estava a anos luz atrás, no desenvolvimento, em relação a outras regiões do país. Todos os índices, do analfabetismo à mortalidade infantil, do desenvolvimento humano às modernas tecnologias inexistentes, tudo fazia crer que tínhamos pelo menos dois ou mais brasis: aquele da pujança, dos grandes avanços tecnológicos, das grandes indústrias e o do povo abandonado, esquecido, morrendo à míngua, assinando com o dedão, sem opções de crescimento.

Assim era o Nordeste antes da Chesf, onde os lampiões de gás iluminavam as praças e pequenos geradores, nas cidades maiores tinham hora marcada para serem desligados. Era assim, o Nordeste estava desligado do progresso e do desenvolvimento.

Depois da chegada da Chesf, quando a energia elétrica iluminou as ruas e as casas do Recife e suas linhas de transmissão foram se espalhando por toda a região, como uma gigantesca teia de aranha não só foram iluminadas as cidades, as casas, energizadas as fábricas. Sobretudo, a luz irradiou dos olhos de pessoas sem esperança que passaram a crer em dias melhores que, de fato, vieram.

acervo Chesf
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Trabalhadores sertanejos, os "cassacos", construíram a Chesf

NORDESTINOS RUDES, ILETRADOS, ELES CONSTRUÍRAM A CHESF 

Foram esses homens e mulheres que acorreram aos canteiros de obras da hidrelétrica, escavaram túneis, embrenharam-se nas grotas como "cassacos", apelido que carregavam sem problemas porque, ainda que rudes, iletrados, estes nordestinos estavam plantando usinas nas entranas da terra e se tornavam ao mesmo tempo construtores desse grande sonho de desenvolvimento e beneficiários, assim como milhões de outros conterrâneos, de seus benefícios. "Essa epopéia aconteceu no meio do nada", como dizia o pioneiro Bret Cerqueira Lima.

Os muitos milhares de chesfianos que passaram pelo quadro de empregados da empresa, a maioria absoluta, nordestinos, "antes de tudo, fortes", como diza Euclides da Cunha em Os Sertões, ainda hoje, especialmente aqueles pioneiros, alguns com 80, 90 anos de vida não aceitam serem chamados de "ex-chesfianos". São chesfianos, sempre, e têm muito orgulho nisso.

Até a maioria dos seus presidentes e diretores, especialmente também os que começaram esta história se derramavam em atitudes de amor à empresa e aos operários que a construíram.

Difícil imaginar hoje um diretor da Chesf arregaçar as calças de linho branco e enfrentar a lama, no meio dos empregados, como fez Otávio Marcondes Ferraz muitas vezes, ou um presidente, como Dr. Antônio Alves de Souza despojar-se da importância do seu cargo e ser juiz de corrida de bicicleta promovida pelo Clube Paulo Afonso ou juntar-se aos "cassacos" nas comemorações festivas, no meio do campo de futebol.

Ou, certamente não se vai ouvir de um presidente desta grande empresa, que "A Chesf não tem dono, nem Senhor", como o fêz o ex-ministro Antônio de Oliveira Brito, quando foi presidente da Chesf e deu o maior impulso às ações sociais da empresa ao criar, em sua gestão os órgãos de Recursos Humanos e de Assistência Social na Chesf e mandou construir dezenas de casas para os operários mais humildes.

Foram estes homens e seus feitos que mudaram a história do Nordeste. Suas histórias, o resgate de suas memórias precisa ser levada mais a sério e contadas em livros, documentários, exposições, para que as gerações mais novas e futuras possam compreender que este gigantesco patrimônio nacional, que vale muitos bilhões de reais começou onde não havia nada, no cenário ressequido do sertão nordestino, graciosamente banhado pelas águas do rio São Francisco e pela majestosa Cachoeira de Paulo Afonso, no povoado, depois Distrito e hoje Município de Paulo Afonso, no Estado da Bahia.

 

ESTA É A HISTÓRIA DA CHESF, EM POUCAS LINHAS 

A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, empresa do grupo Eletrobrás, foi criada pelo Decreto-Lei Nº 8031, de 3 de outubro de 1945 e constituída em assembléia de acionistas realizada em 15 de Março de 1948.

As obras da Usina Paulo Afonso I foram iniciadas em 1949 e em 15 de Janeiro de 1955 o Presidente João Café Filho inaugurou oficialmente esta Usina que desde dezembro de 1954 já fornecia energia elétrica para o Recife e a partir de 14/01/55, também para Salvador. Eram apenas 180 megawatts. Energia demais para alguns. Hoje a Chesf produz quase 11 mil megawatts e ainda é pouco.

Na realidade, desde a sua concepção idealizada pelo Engenheiro Apolônio Jorge de Farias Sales, que resultou nos decretos 8.031 e 8.032, de 3 de outubro de 1945, gerar condições para o desenvolvimento do Nordeste, foi seu objetivo.

Depois de mais de meio século de vida, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco atende a cerca de 45 milhões de nordestinos através de um parque gerador de energia com uma capacidade instalada de quase 11 milhões de KW em suas 14 usinas hidrelétricas e 2 termelétricas. São 87 subestações e 18 quilômetros de linhas de transmissão que levam a energia da Chesf para todo o Nordeste do Brasil, menos o Estado do Maranhão. Através do MAE – Mercado Atacadista de Energia – A Chesf agora vende energia elétrica para todas as regiões brasileiras, a única empresa do setor elétrico a conseguir esse feito.

Neste complexo sem igual no Brasil, e na determinação dos chesfianos, desde os difíceis tempos pioneiros, está toda a energia chesfiana que dá vida e leva progresso ao Nordeste, fazendo história e gerando o futuro, há mais de 60 anos. "No governo de Luiz Inácio Lula da Silva as empresas públicas federais acrescentaram à sua missão e visão o cuidado com o homem, daí a grande preocupação da Chesf com o social", dizia certa vez o Diretor de Operações, Mozart Bandeira em reunião no auditório do Memorial Chesf em Paulo Afonso. 

A Diretoria da Chesf, empossada desde 2003, no início do primeiro mandato do Governo do Presidente Lula, ao tempo em que mantém o alto nível de confiabilidade em suas ações de suprimento de energia elétrica para todo o Nordeste do Brasil, volta-se também, com especial atenção para a responsabilidade social da empresa e investe no homem, sua maior energia, o homem chesfiano e todos aqueles que estão na região de influência da área de atuação da Hidrelétrica do São Francisco. A história da Chesf começou em Paulo Afonso, o berço dessa história bonita.

 

OS ESTUDOS PARA A PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA NO RIO SÃO FRANCISCO COMEÇARAM NO SÉCULO XIX

Os estudos para o aproveitamento do potencial do rio São Francisco para a produção de energia elétrica começaram ainda no século XIX.

Em 29 de novembro de 1890, pelo Decreto nº 1.118, foi dada a João José do Monte o direito de exploração de hidroele-tricidade no rio São Francisco. A concessão caducou, sem aproveita-mento.Em 27 de novembro de 1904, o Decreto nº 5.407 regulamentou o aproveitamento e a transformação da energia hidráulica, no governo Rodrigues Alves.

“Delmiro deu a idéia, Apolônio aproveitou. Getúlio fez o Decreto e Dutra realizou.”  

Antes, em 1903, o cearense Delmiro Augusto da Cruz Gouveia passa a residir na Vila da Pedra, atual Delmiro Gouveia, onde comprou a fazenda de José Correia de Figueiredo.

Em1910, Delmiro Gouveia compra a Fazenda Paulo Afonso, de Ulisses Luna e Faustino Tor-res.Nesse mesmo ano, o inglês Richard George Reidy requer a concessão para a exploração do potencial da Cachoeira de Paulo Afonso, mas o governo brasileiro nega. Em1911, pelo Decreto 520, de 18 de agosto, o governo alagoano dá a concessão para a exploração de energia elétrica na Cachoeira de Paulo Afonso a Delmiro Gouveia. Delmiro contrata o engenheiro italiano Luigi Borella para construir a Usina Angiquinho.

Em 20 de janeiro de 1913 a Usina Angiquinho é inaugurada e funcionou até 1960.

Em 1914 Delmiro inaugura a Fábrica de Linhas Estrela, na Vila da Pedra. Em 1917 ele é assassinado a tiros, na varanda de sua casa, na Vila da Pedra.

 

OUTROS ESTUDOS, DEPOIS DE DELMIRO GOUVEIA 

Em 1921 um grupo de engenheiros do Ministério da Agricultura, dentre eles Antônio José Alves de Souza (que 27 anos depois viria a ser o primeiro presidente da Chesf), faz um levantamento topográfico da Cachoeira de Paulo Afonso, por ordem do Ministro Ildefonso Simões Lopes, no governo de Epitácio Pessoa.

Em 1932 o engenheiro Franklin Ribeiro chefia a Comissão Federal de estudos do Rio São Francisco e em 1939 os engenheiros José Augusto Fonseca Rodrigues (da Escola Politécnica Federal de São Paulo) e Sebastião Penteado Júnior elaboram dois anteprojetos de aproveitamento da cachoeira de Paulo Afonso.

Em 1942 o engenheiro Apolônio Jorge de Farias Sales, então Ministro da Agricultura cria o Núcleo Colonial Agroindustrial de Petrolândia - PE, pelo Decreto-Lei nº 4.505, de 22/07/1942. No ano seguinte Apolônio Sales encomenda aos engenheiros Correia Leal e Leopoldo Schinmmelpfeng um projeto para a usina de Itaparica.

Em 1944 o governo Getúlio Vargas contrata a empresa Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul para fazer levantamento aero-fotogramétrico do rio São Francisco.

Nesse mesmo ano o Ministro Apolônio Sales entrega ao Presidente Vargas a exposição de motivos GM/598, para a construção da Usina Piloto de Paulo Afonso (foto). A obra foi iniciada em 1945 e inaugurada em 29/10/49 pelo engenheiro Valdemar José de Carvalho, do Ministério da Agricultura.  

 

acervo Chesf
acervo Chesf

Ministro Apolônio Sales, aqui ao lado da Cachoeira de Paulo Afonso, criou a Chesf

NASCEU A CHESF! 

No dia 3 de outubro de 1945 o Presidente Getúlio Vargas sancionou os Decretos-Lei nºs 8.031 e 8.032 e o Decreto nº 19.706, autorizando a criação da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco - Chesf. Entretando, 26 dias depois, em 29/10/45, Getúlio é deposto e somente após a posse do Presidente Eurico Gaspar Dutra ocorrida em 17 de outubro de 1946, o assunto é retomado pelo Ministro Daniel de Carvalho que nomeia o engenheiro Antônio José Alves de Souza para organizar a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco Sociedade Anômina.

A Chesf só foi efetivamente constituída em 15 de março de 1948 quando é realizada a Assembléia Geral para esse fim. É formada a sua primeira diretoria, sendo indicado para Presidente, o engenheiro Antônio José Alves de Souza; Diretor Administrativo - Adozindo Magalhães de Oliveira; Diretor Técnico - Otávio Marcondes Ferraz; Diretor Comercial - Carlos Berenhauser Júnior.

Ainda em 1948, pelo Decreto nº 25.865, de 24/11/1948, é criado o Parque Nacional de Paulo Afonso.

Em 1949 são iniciadas as obras da Usina de Paulo Afonso, com as escavações da bacia de decantação e Barragem Delmiro Gouveia que tem 4,5 quilômetros e liga os estados da Bahia e Alagoas. Esta barragem alimenta hoje as Usinas Paulo Afonso I, II e III. No final deste ano, em 28/12/49, começam as escavações dos túneis, poços, chaminé de equilíbrio e casa de máquinas.

 

A CHESF, PAULO AFONSO E A REGIÃO - MARCOS HISTÓRICOS 

Em 1952 a cidade de Pedra-AL, passa a denominar-se Delmiro Gouveia.

Em 1953, no dia 14 de junho, morre o engenheiro Adozindo Magalhães de Oliveira, diretor administrativo da Chesf. É substituído pelo advogado Afrânio de Carvalho que exercia a função de Consultor Jurídico da Hidrelétrica do São Francisco.

Também em 1953, pelo Decreto nº 62, de 30/01/1953, o governador da Bahia, Régis Pacheco, eleva o povoado de Paulo Afonso-BA, à condição de Distrito de Glória-BA.

No dia 15 de dezembro de 1954 Recife, capital de Pernambuco, é a primeira localidade a receber a energia da Chesf.

Em 14 de janeiro de 1955 é a vez da capital baiana. Salvador passa a receber a energia hidroelétrica da Chesf. 

acervo Chesf
acervo Chesf

Presidente Café Filho inaugura a Usina PA-I - 15/01/1955

A INAUGURAÇÃO DA USINA PAULO AFONSO I 

Em 15 de janeiro de 1955, o Presidente João Café Filho, acompanhado de grande comitiva, inaugura a Usina Paulo Afonso (PA-I). Com ele estavam os Ministros Eduardo Gomes (Aeronáutica), Teixeira Lott (Exército), Edmundo Jordão (Marinha), José Costa Porto (Agricultura), Aramís Taborda (Saúde), o Presidente da Câmara Federal, Nereu Ramos, os senadores Apolônio Sales e Juracy Magalhães, os deputados federais Daniel de Carvalho, Otávio Mangabeira, Manoel Novais e Armando Fontes, os governadores Régis Pacheco (BA), Rollemberg  Garcez (SE), Arnon de Mello(AL), Etelvino Lins(PE) e José Américo (PB), além de deputados estaduais de vários estados nordestinos e prefeitos de muitos municípios da região.

A convite do Presidente João Café Filho, o Diretor Técnico da Chesf, Octávio Marcondes Ferraz assume, em 19/04/55, o Ministério de Viação e Obras Públicas mas fica ministro  por menos de 7 meses. Em 11/11/55 retorna às suas funções de Diretor Técnico da Chesf, onde permanece até 15 de março de 1960.

Em 1958 o Distrito de Paulo Afonso é emancipado do município de Glória, pelo governador Antônio Balbino de Carvalho, através da Lei 1.012, de 28/07/1958. Nesse mesmo ano são realizadas as eleições para Prefeito e Vereadores.

Em 7 de outubro de 1958 Otaviano Leandro de Morais, vereador em Glória, comerciante em Paulo Afonso onde possuía o Armazém Sertânia, pernambucano de Sertânia-PE, com o apoio da Chesf, é eleito como primeiro Prefeito de Paulo Afonso. Foram eleitos ainda os vereadores Dinalva Simões Tourinho, Diogo Andrade Brito, Lizete Alves dos Santos, José Rudival de Menezes, José Freire da Silva, Luiz Mendes Magalhães, Manoel Pereira Neto e Noé Pereira dos Santos que formaram a 1ª Legislatura do Município de Paulo Afonso.

Todos tomam posse no dia 7 de abril de 1959.

 

CHESF, UMA LONGA HISTÓRIA DE LUTAS E VITÓRIAS

Em 18 de dezembro de 1961, morre em Paulo Afonso, de parada cardíaca, aos 65 anos de idade, o Engenheiro Antônio José Alves de Souza. Muito querido de todos, Dr Souza teve o seu corpo transladado para o Rio de Janeiro e sepultado no Cemitério São João Batista. Seu coração, no entanto, está sepultado ao pé do seu busto no monumento ao 1º decênio da Chesf, no Parque Belvedere, onde se lê a inscrição “ O coração que o matou e a permanência na paisagem a que deu vida.”

Em 1962, dia 7 de maio, assume a Presidência da Chesf o seu idealizador, engenheiro Apolönio Jorge de Farias Sales que ficou neste cargo até 1974, dia 5 de maio, sendo substituído pelo Eng. André Falcão. As diretorias da Hidrelétrica do São Francisco (veja box)foram se sucedendo ao longo destas décadas, com estilos direrentes de gestão, de acordo com as diretrizes do governo federal.

A Chesf venceu crises, escassez de água, racionamentos de energia e enchentes mas o desenvolvimento implementado a partir de suas usinas e dos mais de 18 mil quilômetros de linhas de transmissão fizeram dela merecedora do título de Redentora do Nordeste, outorgado da forma mais autêntica pela excepcional sabedoria popular dos sertanejos, nordestinos, beneficiados pela energia extraída das águas. Há dois  Nordestes no Brasil: um antes outro depois e com a Chesf .

Na grandeza da Chesf, complexo sem igual no Brasil, e na determinação dos chesfianos - desde os difíceis tempos pioneiros aos dias de hoje - está toda a Energia chesfiana que dá vida e leva progresso ao Nordeste, fazendo história e gerando o futuro, há mais de seis décadas. E Paulo Afonso é o berço dessa história bonita.

 

"NÃO EXISTEM EX-CHESFIANOS"

Para os seus empregados e os milhares dos que cumpriram a sua jornada há uma verdadeira paixão pela empresa. Um ex-presidente. Dr. Antônio de Oliveira Brito dizia em alto e bom som que "A Chesf não tem dono nem Senhor". Um ex-diretor, Luiz Fernando Motta Nascimento, como Euclides Ribeiro, Gilberto Oliveira e milhares de outros que trabalharam na Chesf por mais de 35 anos, não aceitam a expressão "ex-chesfianos". "Existem ex-empregados, ex-chefianos não. Uma vez chesfianos, sempre chesfianos", diz Luiz Fernando.

 

A FORÇA DO NORDESTINO CONSTRUIU ESTE ENORME PATRIMÔNIO. SUA MAIOR ENERGIA É O HOMEM. 

Ao longo de sua história de mais de 60 anos, o desafio tem sido o combustível que move a Companhia Hidrelétrica do São Francisco – Chesf.

Somando pioneirismo com investimentos, assume o compromisso de ajudar o Nordeste a romper barreiras e a ficar sintonizado com a tecnologia, trazendo desenvolvimento para a Região.

No Setor Elétrico Brasileiro existem conquistas que só a Chesf possui. Atualmente, a Empresa detém o maior parque gerador de energia e a maior rede de transmissão de energia elétrica em alta tensão do Brasil.

São 14 usinas hidrelétricas e duas termelétricas com capacidade de produzir 10 milhões e 703 mil kW. Potência para beneficar uma área de mais de 1 milhão de km², correspondente a 15% do território brasileiro. As linhas de transmissão totalizam 18 mil quilômetros, ligadas a 91 subestações que abastecem quase 50 milhões de pessoas.

 

INVESTIMENTOS 

Em 2011, o presidente da Chesf, Dilton da Conti, anunciava que “para este ano estão previstas obras nos Estados do Piauí, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, Alagoas e Sergipe. O objetivo é fortalecer a infra-estrutura eletroenergética da Região em decorrência da retomada do crescimento econômico com o surgimento de novos pólos industriais, o aumento no setor de serviços, maior consumo residencial, desenvolvimento da agro-indústria e a expansão da fruticultura irrigada.

A preocupação da empresa tem sido expandir seus sistemas preservando, recuperando e fazendo o uso sustentável dos recursos naturais. Tem, ainda, aprofundado estudos de fontes alternativas de energia. Os mais promissores e ecologicamente viáveis são o uso da energia solar (fotovoltaica e termossolar), eólica e da biomassa florestal (gaseificação da madeira).”

Também anunciava a empresa que “o Departamento de Meio Ambiente – DMA, como gestor da Política Ambiental da Empresa, desenvolve e implanta programas de comunicação e educação ambiental, monito-ramento da qualidade da água, recuperação de matas ciliares, replantio seletivo da mata atlântica, resgate e preservação histórico-culturais, dentre tantas outras ações. Tudo por acreditar que, cada um fazendo a sua parte, um futuro bem melhor está garantido em nossa região”.

 

APOIO À CULTURA 

A Chesf contribui para o desenvolvimento do Nordeste e do Brasil não só produzindo, transmitindo e comercializando energia com qualidade e rentabilidade. A Chesf também entende que o grau de desenvolvimento de um povo se mede a partir da identidade cultural.

É por isso que a Chesf tem procurado valorizar as mais diversas manifestações de caráter popular, se destacando como uma das empresas que mais investe no patrocínio de projetos culturais na região.

Para a Chesf, a atitude de apoiar a cultura nordestina vai muito mais além do incentivo financeiro. Ela traduz o compromisso da empresa de preservar a história e as raízes de nossa gente.

 

RESPONSABILIDADE SOCIAL

Ao longo de sua existência, a Chesf se consolidou como uma empresa propulsora de desenvolvimento sócio-econômico do Nordeste, sempre cumprindo sua responsabilidade social, materializada em diversas frentes de trabalho. Cada usina, subestação, linha de transmissão e instalações da Empresa traz, na sua história, ao se redor, a preocupação em mudar a vida para melhor.

Pesquisa científica e tecnológica, educação, saúde, meio ambiente, cultura, incentivo ao desenvolvimento sustentável são alguns dos programas focados pela Empresa que envolvem seus colaboradores e comunidades na qual está inserida, propiciando o fortalecimento da cidadania.

Não basta para a Chesf ser a maior empresa energética do Brasil. É preciso transformar essa energia em ações que permitam a melhoria da qualidade de vida da sociedade e façam crescer o País.

acervo chesf e divulgação

Antônio Alves de Souza, recepcionando o Presidente Dutra e João Bosco de Almeida, na sua posse

PRESIDENTES DA CHESF- De Antônio a João

Antônio José Alves de Souza - 1948/1961

Amaury Alves de Menezes - 1961/1962

Apolônio Jorge de Farias Sales - 7/5/62 a 5/6/74

André Dias de Arruda Falcão Filho - 5/6/74 a 7/2/78

Arnaldo Rodrigues Barbalho - 24/2/78 a 8/6/78 e 21/3/79 a 3/12/79

Alberto Costa Guimarães - 9/6/78 a 21/3/79

Luiz Carlos Menezes - 4/12/79 a 18/2/83

Rubens Vaz da Costa - 18/2/83 a 15/5/85

Antônio Ferreira de Oliveira Brito 16/5/85 a 27/2/87

José Carlos Aleluia Costa - 27/2/87 a 14/7/89

Genildo Nunes de Souza - 14/7/89 a 28/5/90

Marcos José Lopes - 28/5/90 a 29/3/93

José Antônio Muniz Lopes 30/3/93 a 31/5/93

Júlio Sérgio de Maya Pedrosa Moreira 1/6/93 a 6/10/97

Mozart de Siqueira Campos Araújo, 6/10/97 a 21/01/03

Dilton Conti de Oliveira, 21/01/2003 – 07/12/2011

João Bosco de Almeida – a partir de 07/12/2011

 

Quem é João Bosco Almeida, o 17º presidente da Chesf 

João Bosco de Almeida nasceu na cidade de Princesa Isabel/PB, 61 anos, casado, pai de dois filhos, formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB, com especialização em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE; atuou como Diretor de Distribuição e Diretor Financeiro da Concessionária Estadual de Energia Elétrica – SAELPA, hoje ENERGISA, no período de 1991 a 1994, Diretor Presidente da Companhia Pernambucana de Saneamento – COMPESA, Secretário de Infraestrutura do Estado de Pernambuco, Presidente do Conselho de Administração da Companhia Energética de Pernambuco – CELPE, Presidente do Conselho de Administração da Companhia Pernambucana de Gás – COPERGÁS, Presidente do Conselho de Administração da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos – EMTU, Presidente do Conselho Metropolitano de Transportes Urbanos e Presidente do Conselho de Administração da Companhia Pernambucana de Saneamento – COMPESA no período de 1994 a 1998, Diretor Administrativo da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco – CHESF no período de 2003 a 2006, Secretário de Estado de Recursos Hídricos e Energéticos – SRHE do Estado de Pernambuco, Diretor Presidente da Companhia Pernambucana de Saneamento – COMPESA no período de 2007 a 2010, Secretário de Estado de Recursos Hídricos e Energéticos – SRHE do Estado de Pernambuco, Presidente do Conselho de Administração da Companhia Pernambucana de Saneamento – COMPESA a partir de 2011.

João Bosco morou muitos anos em Paulo Afonso, onde trabalhou no Centro de Formação Profissional da Chesf – CFPPA. Seus dois filhos nasceram no Hospital Nair Alves de Souza, mantido pela Chesf em Paulo Afonso.

Fotos: Arquivo Folha Sertaneja
Fotos: Arquivo Folha Sertaneja

Usinas da Chesf - PA-I, II e III e Xingó

USINAS DA CHESF- Da pequena Paulo Afonso I a Xingó

Usina

Unidades

Potência Total
Instalada (Kw)

Araras

2

4.000

Boa Esperança

4

237.300

Camaçari

5

346.803

Curemas

2

3.520

Funil

3

30.000

Luiz Gonzaga

6

1.479.600

Apolônio Sales

4

400.000

Paulo Afonso I

3

180.001

Paulo Afonso II

6

443.000

Paulo Afonso III

4

794.200

Paulo Afonso IV

6

2.462.400

Pedra

1

20.007

Piloto

1

2.000

Sobradinho

6

1.050.300

Xingó

6

3.162.000

Leia mais sobre esta importante empresa nordestina e os homens que a construíram:

Alguns títulos: Livros

Joselice Jucá - Chesf, 35 anos - Editora Comunicarte, Recife/PE - 1982

Antônio Galdino e Sávio Mascarenhas - Paulo Afonso, de pouso de boiadas a redenção do Nordeste - Editora Fonte Viva, Paulo Afonso/BA - 1995

Luiz Fernando Motta Nascimento - Paulo Afonso, Luz e Força Movendo o Nordeste - Empresa Gráfica da Bahia - 1998

Euclides Batista Filho - Paulo Afonso, nós fizemos esta história - 3ª edição - Editora Fonte Viva, Paulo Afonso/BA - 2010

Antônio Galdino da Silva - Paulo Afonso - Histórias e Memórias de Pioneiros - (em conclusão).

Revistas:

Antônio Galdino da Silva - Paulo Afonso, redenção do Nordeste - revista - edição histórica - 30 paginas - Editora Grafset, Campina Grande/PB - 1981.

Antônio Galdino da Silva - De Forquilha a Paulo Afonso - revista - edição histórica - 30 paginas - Editora Fonte Viva, Paulo Afonso/BA - 2010.

Jornais: Jornal Folha Sertaneja - desde a sua primeira edição, de 18/02/2004 a edição atual - 108, de Fevereiro de 2013.

 

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